| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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À sombra do Divino
Por Maurício
Savarese, especial para a GE Net
A fibra ainda é a mesma. De um escritório na
avenida Ipiranga, perto da esquina mais famosa de São
Paulo, ele coordena um grupo de mestres do futebol que ensina
a arte a garotos de periferia. Corre para o telefone, reclama
com a secretária, comanda os colegas. Para Dudu, pulmão
da Academia de Futebol do Palmeiras nos anos 60 e 70, não
poderia ser diferente.
Símbolo do time do Palestra Itália, Olegário
Tolói de Oliveira só não tem uma estátua
no Parque Antártica porque enfrentou o Verdão
quando atuava pela Ferroviária de Araraquara. Apenas
jogadores que nunca atuaram contra o Palmeiras possuem a honraria.
São eles o mítico Valdemar Fiúme, o goleiro
Junqueira e o homem de quem foi a sombra por 14 anos: Ademir
da Guia, o Divino.
Donos do meio-de-campo do Alviverde, Dudu e Ademir fizeram
um dueto quase perfeito desde o momento em que o menino do
interior chegou a São Paulo. Os amigos e companheiros
no amor pelo Verdão não se separariam depois
daquele primeiro de abril de 1964, quando Dudu chegou ao clube
da Água Branca.
No dia em que uma grande mentira tomou conta do país,
o ansioso interiorano não conseguiu voltar para casa.
Tentou um trem para Araraquara no final da tarde, mas foi
impedido: pouca coisa funcionava enquanto o presidente da
República João Goulart era defenestrado por
um golpe militar. Dudu embarcou para sua cidade natal apenas
no dia seguinte.
A mudança pelas armas iniciada naquele fatídico
dia veio em um momento de transformação também
para o meia-armador da Ferroviária. Postado como volante
pelo técnico Filpo Nuñez, Dudu tinha um encontro
com o destino. Ele passaria a comandar o Palmeiras por uma
autoridade conquistada, e não roubada, ao contrário
do que aconteceu com os novos donos do poder em Brasília.
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