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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . DUDU
Foto: Acervo/Gazeta Press

Academia da Seleção

Dudu precisou de poucas partidas para assumir a condição de titular do Palmeiras. O entrosamento com Ademir da Guia garantia ao jovem interiorano o respeito dos companheiros de equipe e da torcida palmeirense. Sem Dudu, o Divino não brilhava com a mesma intensidade. O futebol simples e eficiente do volante ficava sobrecarregado sem a presença do meia.

"Quando cheguei do Interior não era um volante. Minha posição era a de um meia mais ofensivo, sem ser um atacante", lembra. "Mas no Palmeiras tinha o Ademir, que na época já era a fera que todos sabem. Tive que tomar uma decisão: ou passava a jogar como volante ou teria de brigar com ele por um lugar no time, já que naquele tempo havia apenas dois homens no meio-campo. Por uma questão de inteligência achei melhor não disputar com o Ademir", diverte-se.

A química entre os dois dava o ritmo à primeira Academia de Futebol do Palmeiras. Com grande eficiência, os protagonistas trocavam de papel quando o outro estava mal em uma partida. E tudo sem uma palavra: um olhar era suficiente. O primeiro resultado veio logo no ano seguinte. Em 1965, o título do torneio Rio-São Paulo.

O estilo de jogo do Palmeiras era, junto do Santos de Pelé, a maior expressão do talento brasileiro para o futebol. Tanto que o time recebeu a honraria de vestir a camisa da seleção na inauguração do Mineirão, batendo o Uruguai por inapeláveis 3 a 0. Para que Ademir, Djalma Santos, Julinho, Djalma Dias brilhassem, era o operário Dudu quem suava para conter os ataques dos adversários.

O trabalho árduo extrapolava os campos. Naquele mesmo 1965, o "Carrapato", como passava a ser conhecido pela torcida palmeirense, tornou-se dirigente do sindicato da categoria. A visão adquirida fora dos gramados ajudaria Dudu a ser figura importante do Verdão em duas grandes vitórias: a da Taça Brasil e a do torneio Roberto Gomes Pedrosa, ambas em 1967. A partir de então, o futebol do Alviverde começou a parecer menos acadêmico e mais pragmático.

As limitações ficavam evidentes, o fôlego diminuía. E apesar do vice-campeonato da Copa Libertadores de 1968, era claro que os professores da Academia precisavam ser substituídos. A dupla Dudu-Ademir ajudou a conduzir o processo de mudança. O resultado, após alguns anos de amargura, foi o ressurgimento do estilo de jogo que fez do Palmeiras a máquina de futebol da primeira metade dos anos 70.

Publicação: 18/06/2004
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