|
A Ferroviária que atropelou
o Santos de Pelé
O jovem, que trabalhava em um escritório quase o dia
todo, tinha nos campos o mesmo senso de organização
e de liderança que tinha no dia-a-dia. Por conta da
eficiência e da disposição que teria até
o final de sua carreira nos campos, Dudu logo despertou a
atenção da extinta ADA (Associação
Desportiva de Araraquara), onde começou sua carreira.
Pouco tempo depois, menos escritório e mais Ferroviária.
Foi lá onde Dudu conseguiu seus primeiros resultados
memoráveis. Tricampeão do Interior com a Ferroviária
1959, 60 e 61, vice-campeão paulista em 59 (derrota
por 1 a 0 para o São Paulo), vitórias contra
times do exterior e até uma goleada sobre o Santos
de Pelé. Em 1963, ano em que o Peixe consagrou-se campeão
do Mundial Interclubes, a equipe do interior pouco respeito
teve por um dos melhores times da história do futebol.
Em plena Vila Belmiro, contra Pelé, Pepe, Coutinho
e outras estrelas, Dudu foi um dos responsáveis pelos
acachapantes 4 a 1.
A surpresa, no entanto, foi a goleada; não a vitória.
A Ferroviária contava naquele período com a
melhor equipe do interior, a qual tinha cedido vários
jogadores à seleção paulista, campeã
brasileira em 1960. Fazia excursões à Europa,
onde bateu o Porto, empatou com o Benfica de Eusébio
e segurou o mesmo resultado com o Atlético de Madrid,
apesar de contar com um homem a menos em campo. As inúmeras
partidas na África venceu todas.
As viagens e os resultados da equipe estimularam os flertes
de outros clubes com Dudu. Santos, Flamengo, equipes portuguesas
e até o Atlético de Madrid chegaram a sondar
o jogador. Mas o interesse de seu clube de coração
era mais importante do que as quantias oferecidas ao armador
para que definisse sua transferência. Quando o jovem
Olegário chegou ao Palestra Itália, não
sabia que criaria ali as raízes que o manteriam em
São Paulo e no coração da torcida palmeirense
pelo resto de sua vida.
|