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Foto: Acervo/Gazeta Press

Edilson, o embaixador da folia

Por Marcos Guedes, especial para a GE.Net

Futebol moleque. O nome de Edilson certamente é um dos primeiros que vêm à cabeça quando escutamos essa expressão. Típico jogador abusado, marcou em quase todos os clubes por que passou pelo estilo debochado e, ainda assim, bastante produtivo.

O retrato da carreira do Capetinha, apelido que dispensa maiores explicações, são as embaixadinhas que fez na final do Campeonato Paulista de 1999, quando enfrentava o Palmeiras com a camisa do Corinthians. Com o título na mão do Timão, o camisa dez se empolgou, chegou a equilibrar a bola na nuca e causou uma confusão generalizada.

O estilo do baiano Edilson Silva Ferreira sempre foi esse. Foi assim que ele impressionou o treinador do Industrial, do Espírito Santo, onde começou a jogar profissionalmente. De lá foi para o Tanabi, do interior paulista, e não demorou a chamar a atenção do Guarani, onde apareceu no cenário do futebol brasileiro.

Uma deficiência acompanhou a carreira do atacante, que jamais teve para chutar a mesma confiança que sempre demonstrou para driblar. "Eu não queria jogar na frente porque meu maior defeito era a finalização", afirma. Talvez por conta disso, acostumou-se a fazer boas duplas com centroavantes de área, como Luizão no Corinthians.

De qualquer maneira, o arremate jamais foi um obstáculo para Edilson, que virou titular do Palmeiras pouco mais de um ano depois de chegar ao Guarani. Contratado para formar um esquadrão ao lado de nomes como Edmundo, Evair e Rivaldo, não decepcionou e devolveu à torcida alviverde, após 17 anos de espera, o gostinho de comemorar títulos: dois estaduais e dois nacionais.

O sucesso no time do Parque Antártica levou o jogador ao futebol europeu, no qual atuou por uma temporada no Benfica. Depois disso, transferiu-se para o futebol japonês e ficou um tanto esquecido até 1997, quando o Corinthians decidiu trazê-lo de volta ao Brasil para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Edilson foi além e participou de uma das mais vitoriosas seqüências do Timão. Destaque em um time que tinha Gamarra, Rincón, Marcelinho Carioca e outros craques, teve contribuição decisiva nos títulos brasileiros de 1998 e 1999, além do famoso Paulista das embaixadinhas. Para completar, deu show na conquista do Mundial de Clubes, em 2000, e foi eleito pela Fifa o melhor jogador da competição.

O zagueiro Karembeu, do Real Madrid, jamais se esquecerá da habilidade do Capetinha, que deixaria o Corinthians alguns meses depois, após a eliminação na Copa Libertadores. Edilson não quis fazer uma das cobranças na disputa de pênaltis com o Palmeiras, nas semifinais, e foi cobrado pela torcida. Revoltou-se e trocou o Timão pelo Flamengo.

A saída do Parque São Jorge marcou o início de sua decadência no futebol. Alternando boas e más passagens por clubes como o Cruzeiro e o próprio Flamengo, ele não conseguiu repetir o sucesso conquistado no Alvinegro, mas manteve-se na seleção brasileira por algum tempo e teve participação decisiva na classificação para a Copa do Mundo de 2002.

Como ocorrera em 1994, o Brasil vivia dificuldades para garantir seu passaporte ao Mundial. A classificação só veio na última rodada das Eliminatórias, em uma vitória sobre a Venezuela, na qual Edilson reviveu a dupla com Luizão e comandou o triunfo canarinho. O Capetinha foi à Alemanha, mas teve poucas chances no ataque que tinha os dois melhores jogadores daquele torneio: o "renascido" Ronaldo e Rivaldo.

Publicação: 11/11/2005
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