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Por Marcelo Belpiede, especial para Gazeta Esportiva Net
O começo - Como boa parte dos craques, Edmundo teve
os primeiros contatos com o futebol na rua, em Niterói, com
apenas sete anos. Seu primeiro clube foi o Fonseca, no qual
jogava futsal. O Animal (apelido dado pelo locutor Osmar Santos)
chegou ao Vasco em 1982 para jogar na categoria fraldinha.
Teve uma passagem pelo Botafogo (entre 1987 e 89) antes de
voltar ao clube de São Januário, onde teve seu primeiro jogo
como profissional. Logo na estréia, que aconteceu na primeira
rodada do Campeonato Brasileiro de 1992, todos ficaram espantados
com a habilidade do jovem que, ao lado de Bebeto, ajudou o
Vasco a golear o Corinthians no Pacaembu por 4 a 1.
Nasce o Animal - Edmundo fez um grande Brasileiro em
1992 e despertou o interesse do Palmeiras, que estava renovando
o time e tinha o apoio financeiro da Parmalat. O time paulista
pagou US$ 2 milhões pelo passe do atacante. Ele foi um dos
grandes responsáveis pelo título paulista de 1993, que terminou
com a fila de mais de 16 anos. Também conquistou pelo Verdão
títulos do Campeonato Brasileiro e do Rio-São Paulo. Mas seu
temperamento explosivo atrapalhou a permanência no clube.
Brigas com o técnico Wanderley Luxemburgo e com craques como
Rincón, Antônio Carlos e Evair acabaram com seu ambiente no
Palestra Itália. O jogador acabou voltando ao Rio de Janeiro
em 1995, agora pelo grande rival do Vasco: o Flamengo.
Queda - Os anos de 1995 e 1996 não foram bons para
o Animal, tanto no futebol quanto na vida pessoal. A volta
ao Flamengo foi muito aguardada, pois ele faria o "ataque
dos sonhos" ao lado de Sávio e Romário. O time não apresentou
um bom rendimento e Edmundo foi um dos mais criticados. Além
do fracasso profissinal, o jogador viveu um drama sério
em sua vida no final de 1995. No dia 2 de dezembro, bateu
seu Jipe Cherokee em um Fiat Uno na Lagoa Rodrigo de Freitas.Três
pessoas morreram e Edmundo foi culpado pelo acidente.
No começo de 1996, o Flamengo emprestou o Animal ao
Corinthians para a disputa da Copa Libertadores de 1996. O
Timão depositava todas as suas fichas no campeonato. Era a
chance para o atleta recuperar o sucesso. Mas a equipe não
correspondeu e foi eliminada pelo Grêmio nas quartas-de-final.
O atacante acabou dispensado do Corinthians, depois de se
envolver em mais problemas.
Auge - Como o próprio Edmundo confessa, 1997 foi o
momento mais importante de sua carreira como jogador de futebol.
Já no Vasco e novamente ao lado de Evair, o Animal jogou um
grande futebol no Campeonato Brasileiro de 1997 e foi um dos
jogadores mais importantes na conquista do Vasco. Além disso,
fez 29 gols na competição e bateu o recorde de 28 gols em
um só campeonato que era do inesquecível Reinaldo (ex-Atlético-MG).
Exterior - O sucesso de Edmundo no Brasil despertou
os olhos do futebol europeu. A Fiorentina pagou US$ 9 milhões
e ficou com o atacante, que ganhou o aval de Julinho Botelho
(um dos maiores craques da história do clube italiano). Jogando
ao lado de Batistuta, Edmundo teve sucesso no Campeonato Italiano,
levando a equipe de Florença à terceira posição da competição.
Volta Frustrada - Desde que retornou da Itália, Edmundo
não conseguiu ter grandes alegrias no futebol brasileiro.
Voltou a atuar pelo Vasco em 1998, comprado por US$ 15 milhões,
mas não ganhou campeonatos. Em 2000, jogou o Mundial de Clubes
ao lado de Romário, seu grande desafeto, e perdeu o pênalti
decisivo, que tirou o título inédito da equipe de São Januário.
Brigou com Eurico Miranda (na época vice-presidente do clube)
e foi afastado do elenco. No segundo semestre, disputou a
Copa João Havelange pelo Santos, que tinha um grupo extremamente
caro, mas não ficou nem entre os 12 classificados para a fase
final do torneio. Reclamou do atraso de salários com os diretores
do Peixe e foi devolvido ao Vasco, que resolveu então
emprestá-lo ao Napoli, da Itália.
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Sem brilho na seleção - Mesmo tendo sucesso nos clubes,
Edmundo nunca mostrou grande futebol na seleção brasileira.
Estreou em 21 de julho de 1992, na derrota do Brasil em Montevidéu
por 1 a 0 para o Uruguai. Foi campeão da Copa da Inglaterra
(1995) e da Copa América (1997). Disputou duas partidas da
Copa do Mundo de 1998 (contra Marrocos e França) sem grande
destaque. Seu último jogo aconteceu em 15 de novembro de 2000,
quando a seleção brasileira venceu a Colômbia por 1 a 0, pelas
eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. Marcou apenas nove
gols em 39 jogos.
Decadência - No primeiro semestre de 2001,
Edmundo teve a chance de se recuperar como jogador de futebol.
Mas a missão não era fácil. Ele chegou ao Napoli como "salvador
da pátria", já que o clube era candidato certo ao rebaixamento
na Itália. Nada deu certo para o Animal, que foi considerado
o pior estrangeiro do país. Já sua equipe não
conseguiu escapar da segunda divisão.
No segundo semestre, depois de uma grande briga judicial com
o Vasco pelo passe, o atacante acertou sua transferência
para o jogar o Campeonato Brasileiro pelo Cruzeiro. Mais um
fracasso na carreira. Acabou dispensado após a derrota
por 3 a 0 para o Vasco. Antes do jogo, Edmundo disse que era
torcedor do time carioca e não ia comemorar caso fizesse
um gol. Ele teve a chance em um pênalti, que foi defendido
por Hélton. Dispensado, o Figueirense, clube de Santa
Catarina da segunda divisão do Brasileiro, tentou a
sua contratação.
Depois disso, o destino de Edmundo acabou sendo o Japão.
Mas logo após sua chegada ao Verdy Tóquio, a
primeira polêmica: o atacante espera a chegada do Carnaval
no Brasil, retorna ao país para fazer uma operação
no pé e, no dia seguinte, de muletas, cai no samba
na Marquês de Sapuaí, no Rio de Janeiro. Abaixada
a poeira, o jogador voltou ao Oriente, onde foi apenas um
atacante comum, longe do matador de outras épocas.
Na temporada 2002, Edmundo foi peça importante no Verdy
Tokio. Seus gols fizeram com que a modesta equipe permanecesse
na primeira divisão japonesa. No final do ano, especulações
afirmavam que o animal voltaria ao Brasil para jogar no, então
rebaixado, Palmeiras. Edmundo chegou até a afirmar
não se importar em disputar a Série B, mas,
de concreto, não houve nada.
Depois da passagem pelo Japão, Edmundo resolveu voltar
ao seu time do coração. No entanto, ele sofreu
com o fraco elenco do Vasco em 2003. Assim, em alguns momentos
do Campeonato Brasileiro, o Animal deixou clara a sua insatisfação
com as cobranças. "O time é ruim e os salários
não estão em dia, assim não dá".
Em 2004, Edmundo perdeu de vez a paciência com a falta
de pagamentos em São Januário. Por isso, depois
de ameaçar ficar em casa longe do futebol, resolveu
reencontrar o antigo desafeto Romário para reviver
a famosa e polêmica dupla de ataque no Fluminense. Mais
uma vez, assim como ocorreu no Flamengo de 95 e no Vasco de
2000, o time foi um fracasso e acabou sendo derrotado nas
finais da Taça Guanabara e da Taça Rio e, com
dificuldade, terminou o Brasileirão em nono lugar.
Segunda divisão do Carioca - O atacante, se
dizendo cansado das maracutaias dos grandes clubes do país,
decidiu interromper o descanso forçado que vinha tendo
desde dezembro de 2004, com a saída das Laranjeiras,
e assinou contrato como Nova Iguaçu, da Segunda Divisão
do futebol do Rio. Edmundo estreou no dia 21de maio de 2005
e, em sua segunda partida, dia 28, conseguiu marcar seu primeiro
gol pelo clube, do qual também faz parte o seu amigo
Zinho.
Apesar disso, o Animal teve vida curta no clube fluminense
e, já no dia 31, se apresentava como reforço
do Figueirense para o Campeonato Brasileiro. Quatro anos depois
da primeira sondagem do time de Florianópolis, Edmundo
era, finalmente, recebido pelos torcedores catarinenses com
fogos e saudações efusivas. Demonstrações
de que a aura de ídolo continua.
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