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Elano: força física,
habilidade e eficiência a favor do Santos
| Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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Por Marcelo Belpiede
Um atleta desejado por qualquer treinador de futebol. Esse
é o meio-campista Elano, o verdadeiro curinga no Santos.
O jogador já jogou em várias posições
desde que começou sua história na Baixada Santista,
sempre demonstrando muita vontade e, principalmente, qualidade.
Sua posição original é na armação
do meio-de-campo. Mas o atleta nunca reclamou quando foi escalado
como lateral-direito, volante e até atacante, em épocas
em que sua equipe tinha deficiências.
Segundo o próprio Elano diz, não é impossível
um atleta fazer mais de uma função dentro de
campo com eficiência. "É apenas uma questão
de adaptação. Se o jogador pensar em trabalhar
forte, pode com tranqüilidade fazer uma função
diferente pedida pelo técnico", comenta.
Quem não economiza elogios a Elano é o técnico
Wanderley Luxemburgo, um dos comandantes do jogador na passagem
pelo Santos. "O mais importante é que o Elano
tem a capacidade de ajudar na marcação e ainda
aparecer no setor ofensivo para finalizar contra a meta adversária",
analisa o treinador. Com o gol que marcou contra o São
Caetano, na penúltima rodada do Brasileiro-04, ele
comemorou 50 com a camisa do Santos.
O início - Mantendo a tradição de um
ótimo trabalho de base, o Guarani
também foi responsável pelo aparecimento de
Elano ao futebol. O jogador
começou a carreira profissional no clube de Campinas
em 1998. Como amador, conquistou os títulos paulistas
na categoria infantil em 1996 e 1997. Antes de ir para o Santos,
em 2000, teve uma passagem pela Internacional de Limeira.
Mas o atleta só começou a ter oportunidades
na Vila Belmiro a partir de 2001.
No entanto, Elano não esconde a tristeza com o Guarani.
Sem grandes oportunidades de jogar, o meio-campista ainda
teve problemas de relacionamento com o diretor de futebol
Sydney Pava, que teria ofendido seu pai em uma discussão.
Por isso, apelou para a Justiça, conseguiu ficar, na
época, com o passe e ainda deixou um recado ao dirigente
bugrino: "Ninguém faz esse tipo de coisa com minha
família".
Por coincidência, o Guarani passou a ser um freguês
na vida de Elano. Logo na estréia pelo Santos, no dia
21 de janeiro de 2001, o jogador enfrentou o Bugre e saiu
de campo com uma vitória de 1 a 0. Para completar,
ganhou um prêmio de um patrocinador quando marcou diante
da ex-equipe o gol 1001 do Peixe no Campeonato Brasileiro
em uma vitória por 2 a 1 no Brinco de Ouro.
Ascensão - No Santos, Elano só começou
a encontrar destaque a partir de 2002, com o técnico
Emerson Leão. Antes disso, acabou ofuscado pela contratação
de vários "medalhões improdutivos"
por parte do time da Baixada Santista. Com sua força
física em campo, dava a sustentação necessária
para o jovem Diego fazer uma dupla fantástica com Robinho,
ajudando a conquistar o título de campeão brasileiro
daquela temporada.
Após a falta de títulos em 2003, o Santos teve
mudanças em 2004, com a saída, inclusive, de
Diego para o Porto, de Portugal. Mesmo assim, Elano não
parou de evoluir em campo e, ao lado de Ricardinho, formou
o meio-de-campo que voltou a comemorar um título brasileiro
para o Peixe, derrotando na reta final do campeonato de pontos
corridos o perigoso Atlético-PR. Por isso, sem dúvida,
o atleta fica na história como um dos principais jogadores
da história do clube do litoral paulista. "Nos
últimos 30 anos, nenhum grupo fez a torcida do Santos
ser tão feliz", diz o meia, fazendo referência
aos títulos conquistados por sua geração.
Gols no frio O belo futebol exibido pelo versátil
meio-campista com a camisa do Santos chamou a atenção
de diversos clubes do Velho Continente. No começo da
temporada de 2005, o Shakhtar Donetsk desembolsou US$ 10 milhões
e tirou o ídolo da Vila Belmiro. Elano embarcou com
destino a Ucrânia para tentar a sorte no obscuro futebol
do leste europeu, roteiro cada vez mais comum entre os jogadores
brasileiros.
Em sua nova equipe, Elano apenas manteve a rotina de títulos.
Apesar do pouco tempo de clube, o atleta conquistou o campeonato
nacional e a Supercopa da Ucrânia. Desde que chegou
ao Shakhtar, o jogador anotou 15 gols com a camisa número
36 do time de Donetsk. O importante é fazer a
minha parte e tentar ser útil para o time, disse
o brasileiro. Na disputa da Copa da Uefa, ele tenta ganhar
destaque e recuperar o prestígio abalado longe dos
grandes centros.
Seleção - Além do título
brasileiro, o ano de 2004 foi reservado para Elano sentir
bastante o gosto de vestir a camisa da seleção
brasileira. No início do ano, participou do Pré-olímpico
do Chile e viveu a frustração do fracasso da
equipe comandada por Ricardo Gomes, que não obteve
vaga para as Olimpíadas de Atenas, vencida pela Argentina.
"Foi um duro golpe em nossas carreiras", explica
o meia santista.
Mesmo assim, o técnico Carlos Alberto Parreira não
esconde a admiração por Elano, que também
ganhou algumas convocações para a seleção
principal, ocupando o lugar de jogadores cortados por contusão.
Tanto que o atleta chegou até a entrar em alguns minutos
no jogo das Eliminatórias diante da Colômbia,
no empate por 0 a 0 em Maceió . Por isso, o meia pode
alimentar o sonho até de ser um dos convocados para
o Mundial de 2006, na Alemanha, dependendo de sua produtividade
nos próximos anos.
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