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Gazeta Press
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Por Mário Augusto Francischini, especial para GE Net

A história de Eneas Camargo no futebol brasileiro não passou despercebida. Segundo maior artilheiro da história da Portuguesa com 179 gols em 375 jogos e maior artilheiro da história da Lusa em Campeonatos Brasileiros (47 gols), o jogador deixou seu nome gravado na equipe do Canindé através de seus dribles, seu faro de gol e sua irreverência dentro e fora do campo.
O torcedor luso certamente se recorda da equipe formada por Eneas, Badeco, Ivair, Zecão e Zé Maria. Irrequieto, provocador e abusado, Eneas sempre foi alvo da imprensa, que o acusava de passar grande parte do jogo desatento, "dormindo" em campo. Porém, quando seu futebol aparecia, os torcedores tinham certeza de espetáculo e gols. Depois de obter relativo sucesso no Brasil, Eneas foi mostrar sua arte na Itália. Ficou pouco tempo, voltou para o Palmeiras, mas não rendeu o mesmo de antes devido a uma série de contusões. Após encerrar a carreira, o destino marcou o ex-jogador como nenhum zagueiro conseguiu. Eneas morreu num acidente automobilístico nas ruas de São Paulo em 1988.

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O surgimento de um craque - A carreira de Eneas começou na quadras, em 1963, quando tinha apenas nove anos e jogava na categoria dente-de-leite da Portuguesa. Principal característica do futsal, o drible curto foi levado pelo jogador para o campo. Passou pela categoria juvenil em 1966 e profissionalizou-se na própria Lusa em 1972. No ano seguinte, conquistou os dois únicos títulos pela equipe do Canindé: campeão paulista, título dividido com o Santos no histórico erro do árbitro Armando Marques na contagem dos pênaltis, e campeão da Taça São Paulo. Ainda em 1972, quando mal tinha se profissionalizado na Portuguesa, formou o ataque da seleção brasileira ao lado de Zico, na conquista do Pré-olímpico da Argentina. Era a primeira vez que o jogador vestia a camisa canarinha. No total, foram sete convocações e dois gols marcados. Convocado para a seleção principal pela primeira vez em 1973, foi chamado por Zagallo e cortado antes da Copa do Mundo.
Em 1980, no auge da carreira, transferiu-se para a Itália, tornando-se um dos primeiros jogadores a atuar naquele país. Lá permaneceu por apenas pouco mais de um ano. Jogou primeiro no Bologna, onde se desentendeu com o técnico Radice, e depois na Udinese, retornando ao Brasil no ano seguinte.
Quem então apostou no seu futebol foi o Palmeiras. Contratado como uma das esperanças da equipe alviverde para colocar um ponto final na escassez de títulos que duraria 16 anos, Eneas não conseguiu mostrar a mesma arte de antes. Vitimado por uma série de contusões que o obrigaram a operar o joelho direito, o jogador começou a entrar em decadência. Em dois anos, Eneas jogou menos de 20 partidas pela equipe de Parque Antarctica. Em 1984, após desentendimento com o técnico Carlos Alberto Silva, o ciclo do jogador no Palmeiras estava encerrado.

Começa a decadência - O incidente com o treinador palmeirense resultou no início da decadência de Enéas. Sem ambiente no clube, o jogador foi emprestado ao XV de Piracicaba, a primeira equipe do interior do estado pela qual jogou. Mas não a última. Após partida do XV de Piracicaba contra o Marília pelo Campeonato Paulista de 1984, Eneas foi sorteado para o antidoping, mas arranjou confusão. O jogador recusou-se a fazer o exame e ainda quebrou os vidros disponíveis para a coleta da urina. Como conseqüência, foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por 90 dias.
De volta ao futebol no ano seguinte, jogou pelo Juventude (RS), depois Desportiva (ES) e Central Brasileira de Cotia, equipe da terceira divisão paulista, na qual ele dividia as funções de atleta e dirigente. Era o fim da carreira.

Morte trágica - Na noite de 22 de agosto de 1988, Eneas passava pela avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo, ao volante de um Monza, quando perdeu o controle do carro e bateu violentamente na traseira de um caminhão. O veículo ficou totalmente destruído e Eneas foi conduzido para o hospital, onde ficou em estado de coma por mais de quatro meses. Em 27 de dezembro do mesmo ano, então com apenas 34 anos, Eneas faleceu, deixando esposa e dois filhos. Foi enterrado com o rosto desfigurado devido ao acidente. De acordo com o atestado de óbito do jogador, a causa da morte foi broncopneumonia e luxação na coluna cervical.

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