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Relação com
o Brasil
O fato de ter sido o grande responsável pela vitória
de Portugal sobre a seleção canarinho na Copa
de 1966 não atrapalhou sua relação com
o Brasil. A afeição de Eusébio pelo país
do futebol começou quando ele ainda morava em Lourenço
Marques. Durante a adolescência, o Pantera Negra começou
a jogar em um time de bairro chamado Brasileiros F. C. A equipe
ganhou esse nome devido à admiração de
seus atletas pelo futebol apresentado pela seleção
canarinho na campanha vitoriosa da Copa do Mundo de 1958.
Quando já defendia as cores do Sporting de Lourenço
Marques, o jogador chegou perto de ser transferido para um
verdadeiro time brasileiro, a Ferroviária. No final
da década de 1950, o clube de Araraquara realizou uma
excursão por Moçambique e o técnico José
Carlos Bauer ficou encantado com o talento do craque português.
O treinador, então, solicitou à diretoria do
clube paulista a contratação do atacante, mas
os cartolas preferiram não apostar naquele que se tornaria
o maior jogador português de todos os tempos.
Assim, os brasileiros só puderam ver de perto o futebol
do craque quase dez anos depois, quando o Benfica veio ao
país para disputar um amistoso contra o São
Paulo, no Morumbi. A partida, por sinal, foi realizada justamente
no dia em que o Pantera Negra completava 26 anos: 25 de janeiro
de 1969. E o que mais o marcou em sua visita ao Brasil foi
a homenagem que recebeu dos dirigentes são-paulinos.
"No hotel, os companheiros fizeram uma rodinha, apareceu
um bolo, as velas e todos cantaram parabéns. Era uma
festa que eu já esperava. Mas o que me surpreendeu
foi a atitude do São Paulo. Os dirigentes do clube
apareceram no hotel e me ofereceram um relógio de ouro.
Nunca mais esqueci aquela atitude dos brasileiros", afirmou
Eusébio, anos depois do amistoso.
Quando voltou ao Brasil em 1972, o atacante também
teve a oportunidade de participar de um dos sucessos da televisão
nacional da época. Ao lado de Ronald Golias, Jô
Soares e tantos outros comediantes, Eusébio se arriscou
nos estúdios da "Família Trapo", humorístico
da TV Record.
"Quando deixei o palco, a platéia me aplaudiu
de pé. Sinceramente, nunca senti uma emoção
como aquela", afirmou o jogador, que ainda voltou ao
Brasil depois de ter pendurado as chuteiras.
Em julho de 2004, Eusébio estreitou ainda mais sua
relação com o Brasil ao tornar-se o primeiro
estrangeiro a deixar as marcas dos pés na calçada
da fama do Maracanã. O português, que é
amigo de craques como Rivelino e Pelé, nunca esconde
sua paixão pelo país do futebol. "Não
posso externar minha gratidão por tudo que fizeram
por mim. Eu amo esse país (Brasil)", afirmou em
uma visita ao país, em 1989.
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