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A ópera do
matador
| Gazeta Press |
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Por Rogério Nottoli
Foi um caso típico de amor à primeira vista. O garoto alto,
humilde e tímido não esperava, porém, que o relacionamento
de paixão com a bola de futebol pudesse lhe render tantas
alegrias e emoções. O jovem matador, que desfilava com a redonda
pelos ‘campinhos’ de Crisólia, bairro de Ouro Fino, no sul
de Minas Gerais, não sonhava em se transformar no craque Evair,
o ídolo eterno da torcida do Palmeiras.
A imagem do atleta está estreitamente ligada ao sucesso,
ao gol, à vitória, na memória da fanática galera do Verdão.
Muitos craques já vestiram a camisa 9 alviverde desde sua
saída no final de 99, mas Evair deixou saudade, definitivamente
registrou seu nome na história do clube. O Parque Antártica,
palco dos espetáculos do atacante, ainda sente falta do maestro,
que empolgava a platéia com sua categoria. "Eh, oh, eh, oh,
o Evair é um terror", a ópera do matador ainda faz os corações
palmeirenses baterem mais forte. E sempre fará!
"Não tive luxo na infância, pelo contrário. Levava uma vida
muito humilde, pois meu pai era pedreiro. Realmente o futebol
transformou minha vida. E o Palmeiras é uma capítulo muito
importante nesta história. Tenho um carinho muito especial
pelo clube, pois foi no Parque Antártica que conquistei grandes
títulos", garante o atleta, que no final de 2001 iniciou um
curso de treinador. Evair jamais abandonará a bola de futebol.
"É por isso que continuo adiando minha aposentadoria".
‘Meu nome
é trabalho’ - O
romance entre Palmeiras e Evair começou em 91, após uma negociação
com a Atalanta, da Itália. Ele chegou ao Verdão envolvido
em uma troca com Careca Bianchezi, que foi o titular da seleção
brasileira na Copa América daquele ano, sob o comando de Falcão.
O matador, que fez mais de 120 gols em 238 jogos pelo time,
enfrentou muitas dificuldades antes de se consagrar no Verdão.
"Alguns dias depois de minha chegada, eu estava jantando
na concentração e ouvi a conversa de alguns garçons, que olhavam
para mim. Eles diziam que eu não seria nada no clube, apenas
mais um. Aquilo me marcou", relembra.
Os problemas estavam só começando. Evair também viveu o
pior momento de sua carreira no Palmeiras. Permaneceu cerca
de cinco meses treinando em separado, após ser afastado do
elenco alviverde pelo técnico Nelsinho – hoje no comando do
São Paulo – por "deficiência técnica". "Tinha acabado de voltar
da Itália e sofri muito. Recebia os salários, mas não podia
trabalhar. Foi, sem dúvida, uma situação deprimente", contou.
E como as barreiras existem para serem superadas, o artilheiro
driblou as dificuldades e ajudou o Palmeiras a quebrar uma
seqüência de 17 anos sem títulos, em 93. Foi o início do caso
de amor com o torcedor do Verdão. Apenas o começo. "O segredo
do meu sucesso é o trabalho. Sofri muito com hérnia de disco
e, mesmo assim, nunca fiz corpo mole. Sempre tive facilidade
para me adaptar as situações. Me adaptei ao Palmeiras sem
títulos, ao futebol italiano e ao japonês, por exemplo. Nunca
pedi para jornalista falar bem de mim. Sempre tentei resolver
as coisas dentro de campo", garantiu.
Evair virou herói e ganhou o apelido que o acompanharia
por todos os gramados do mundo. Naquele dia 12 de junho de
1993, ele deixou de ser Evair Aparecido Paulino para se tornar
o inesquecível ‘El Matador’. O sucesso no Verdão valeu a Evair
uma convocação para a Seleção Brasileira na Copa América de
93 e nos jogos das eliminatórias para a Copa de 94. O artilheiro
disputou 24 jogos com a camisa canarinho e marcou seis gols.
Por estar servindo à Seleção, Evair não participou da conquista
do título palmeirense no Torneio Rio-São Paulo daquele ano,
novamente contra o Corinthians. No Brasileiro de 1993, o Palmeiras
foi campeão com tranqüilidade. Foram apenas cinco gols em
16 jogos, mas ‘El Matador’ deixou sua marca na final contra
o Vitória-BA, no Morumbi: 2 a 0, com gols dele e de Edmundo.
Durante esse ano, o único ponto lamentável foram as brigas
com o ‘Animal’, especialmente no primeiro semestre. Mas, dentro
de campo, eles se entendiam perfeitamente. "Bastava substituir
um que já havia tumulto. Mas, a convivência só era complicada
fora de campo. Quando entrávamos no jogo, porém, tentavámos
‘comer’ os adversários", contou.
A grande esperança de Evair era participar da Copa do Mundo
dos Estados Unidos, quando o Brasil se sagraria tetracampeão
mundial. E a estrela do craque brilhou nos primeiros meses
de 94: O goleador foi bicampeão paulista, além de ser o artilheiro
do campeonato com 23 gols em 26 jogos. Além disso, ‘El Matador’
marcou o gol do título contra o Santo André (a competição
foi disputada por pontos corridos).
Mas, Evair não foi convocado por Carlos Alberto Parreira
e teve de assistir à competição pela televisão. Uma decepção
que o atacante não esconde de ninguém. "Talvez se eu tivesse
trabalhado mais o marketing pessoal, muita coisa poderia ter
sido diferente", lamentou.
A resposta de Evair, fã do atacante holandês Van Basten,
que jogou no Milan, da Itália, no final dos anos 80, foi dada
dentro dos gramados, com a ‘querida’ bola nos pés e com a
camisa alviverde. Evair marcou 14 gols no segundo semestre
e foi fundamental na campanha do Palmeiras: bicampeão brasileiro,
com mais uma vitória inesquecível sobre o Corinthians. Ao
término da temporada 94, entretanto, o craque decidiu que
era o momento ideal para consolidar a independência financeira
no milionário futebol japonês. Por isso, juntamente com os
amigos César Sampaio e Zinho, se transferiu para o Yokohama
Flugels, onde permaneceu durante dois anos no Japão.
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