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Irreverência dentro e fora dos gramados

Gazeta Press
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Por Alberto Nascimento

Felipe prenche os requisitos básicos necessários para se tornar ídolo do Vasco: começou nas divisões de base do clube, é vascaíno declarado, tem personalidade forte, é polêmico, além, é claro, da habilidade e técnica com a bola nos pés.

O jogador começou no futsal do Vasco aos 5 anos, jogando ao lado do amigo Pedrinho, atualmente no Palmeiras. Aos 12 passou para o futebol de campo. Em 96, Felipe foi promovido à categoria profissional por Antônio Lopes e já no ano seguinte se firmou na equipe, ajudando na conquista do Campeonato Brasileiro. Sua brilhante atuação lhe rendeu vaga na 'seleção do campeonato', e ainda ficou com o título de um dos melhores laterias do Brasil. Felipe logo despertou o interesse de Zagallo, então técnico da Seleção Brasileira, sendo convocado pela primeira vez em 98.

Seu futebol despertou o interesse da Roma, em 99. As negociações não evoluíram, com o clube italiano desistindo de ficar com jogador sem dar explicações e o caso indo parar na Justiça. Felipe ficou um bom tempo sem jogar, mas superou o drama de sua frustrada transferêcia e voltou a brilhar.

Malandro, jovem, irreverente. Para Felipe, não basta jogar futebol. Tem que driblar, enervar os seus marcadores. Com a bola atada no pé esquerdo, Felipe prefere a finta perto da aréa ao bicão que espantaria o perigo. Os críticos reclamam de falta de objetividade; os vascaínos aprovam.

Seu jeito dentro e fora de campo, inclusive, já lhe rendeu uma série de problemas. No próprio Vasco, em 2001, acabou se indispondo com comissão técnica e com o presidente do clube, Eurico Miranda, por não aceitar jogar na lateral esquerda. Por conta dos casos de indiscplina e de uma fratura por estresse no tornozelo, Felipe perdeu seu espaço no Vasco. Acabou indo para o Palmeiras, clube que defendeu durante o primeiro semestre do ano passado. Deixou o Verdão pelo mesmo motivo: não abria mão de atuar no meio-campo.

Felipe disputou o Campeonato Brasileiro de 2001 pelo Atlético-MG, quando chegou à semifinais. Dizendo-se mais maduro, fez as pazes com o clube que o revelou e, no início de 2002, voltou a vestir a camisa vascaína. Fez um bom Rio-São Paulo, que despertou o interesse do Galatasaray, da Turquia. Foi negociado, mas não se adaptou ao futebol turco. Depois de seis meses, retornou ao Brasil, numa polêmica transferência para o arqui-rival vascaíno, o Flamengo.

Na Gávea - No Rubro-Negro, time ao qual despejara pesados insultos em seus tempos de cruzmaltino, Felipe tentou provar o porquê de já ter sido eleito um dos mais habilidosos jogadores do futebol brasileiro. Ele chegou ao clube em 2003 cercado pela desconfiança da torcida e assinou contrato por duas temporadas. Alguns meses depois, a situação mudou e ele chegou a ser convocado para a seleção brasileira campeã da Copa América em 2004 e para a equipe que encarou o Paraguai pelas Eliminatórias do Mundial da Alemanha. Neste mesmo ano, conquistou o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

Foi também no Mengão, que a sua reputação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva começou a se deteriorar. Em 2003, o meia agrediu com um soco o volante Simão, do Guarani, e foi punido com três jogos de suspensão. Já em 2004, ele foi julgado por tentar agredir Túlio, do Botafogo, e foi suspenso por uma partida. Estes casos teriam uma séria consequência em 2005.

Nas Laranjeiras - O Fluminense apresentou no dia 11 de janeiro de 2005, a sua maior contratação para a temporada, recepcionada por cerca de 200 torcedores no estádio. O clube tricolor venceu propostas de times paulistas e ficou com Felipe para a disputa do estadual e da Copa do Brasil. O jogador vinha bem, sendo a principal referência na meia-cancha do elenco, contudo, mais um caso de agressão em campo o tirou da equipe.

No dia 8 de março, Felipe, foi julgado pela 2ª Comissão Disciplinar do STJD e sofreu uma punição, em primeira instância, de 180 dias de gancho por ter atingido o volante Marcos Mendes, do Campinense-PB, com um soco, durante um jogo pela Copa do Brasil. Dos males o menor, pois, como era reincidente, corria o risco de ficar 540 dias sem jogar. Na ocasião, Felipe alegou ter se defendido, pois teria sido ofendido moralmente pelo atleta do time paraibano.

O risco de ter seu contrato com o Tricolor rescindido passou a ser muito grande. Entretantoi, pouco mais de um mês depois do primeiro julgamento, o presidente do STJD, Luiz Zveiter, reduziu a punição para 120 dias, revertendo parte dela em doações de cestas básicas, e garantiu a permanência de Felipe no Fluminense.

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