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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . FRANÇA
Foto Gazeta Press
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Um artilheiro na história do Morumbi

Por Daniel Fernandes

Ele chegou ao São Paulo como Françoaldo Sena de Souza. Hoje, oito anos depois, atende simplesmente pelo apelido: França, atacante do Bayern Leverkusen (Alemanha). Há três temporadas no duro futebol alemão, o jogador ainda não se firmou no Velho Continente e nem faz sombra ao artilheiro histórico dos tempos tricolores.

França cravou sua marca como um dos maiores atacantes da história do clube do Morumbi. Como muitos jovens, desembarcou na terceira maior cidade do mundo buscando a realização de um sonho. Como poucos meninos, conquistou um lugar ao sol nos gramados brasileiros. Tornou-se o quarto maior artilheiro da história do clube, com a incrível marca de 182 gols em 323 partidas (tem a 11ª maior média de gols da história do São Paulo, aproximadamente 0,5 gol por jogo).

Contratado em 1996, França levou alguns tombos em sua carreira. E também experimentou momentos felizes. Xingaram e aplaudiram o artilheiro nas arquibancadas do Morumbi. Simples e tímido, seu sorriso de menino conquistou os tricolores, embora tantos gols e reconhecimento da maioria são-paulina não tenham sido coroados com títulos importantes pelo clube.

Em julho de 2001, após a eliminação do São Paulo nas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro para o Atlético/PR (que viria a ser o campeão daquele ano), com uma derrota por 2 a 1 em Curitiba - partida que França sequer disputou, por contusão -, França foi negociado com o Bayern Leverkusen. O então presidente tricolor, Paulo Amaral, liberou o atacante por cerca de US$ 12 milhões (aproximadamente R$ 25 milhões, na época). Mesmo sem muitas taças no currículo, não há dúvidas de que Françoaldo deixou saudades no Morumbi.

``Você quer jantar em casa?´´

França defendeu apenas dois clubes antes de se transferir para o São Paulo, em 1996. Três anos antes, atuou pelo Nacional, em Manaus - ficou um ano na região Norte do Brasil. Depois de algumas boas partidas, despertou a atenção de um clube de São Paulo. O XV de Jaú não era exatamente o que o atacante esperava, mas poderia ser um precioso atalho para um dos grandes do Estado. França estava certo.

Atuou por uma temporada inteira na equipe de Jaú e, finalmente, o Tricolor resolveu comprá-lo. O esforço de alguns anos parecia estar recompensado: clube grande, boa estrutura e salários em dia. Dinheiro que França, aliás, jamais poderia imaginar que um dia forraria sua precária conta bancária. Naquele momento, a ingenuidade era traço característico da personalidade do jovem atacante, que não dimensionava a árdua batalha que estava por vir nos competitivos gramados do futebol.

O fato é que problemas não faltavam no São Paulo de 1996. O clube do Morumbi vivia um período de transição. O maravilhoso esquadrão, que ganhou todos os títulos possíveis no início daquela década, havia se desfeito. Pior, os dirigentes são-paulinos faziam questão de declarar: 'Não existe dinheiro para grandes contratações'. Eram tempos de vacas magras no bicampeão mundial.

Dos primeiros treinos no Centro de Treinamento da Barra Funda, França se recorda do parceiro Valdir, o Bigodinho. Ex-jogador do Vasco, o atacante era um dos atletas mais badalados pela torcida. Assim foi por algum tempo: enquanto Valdir e outros jogadores do elenco são-paulino cansavam de dar entrevistas, França driblava a pequena aglomeração com a agilidade peculiar de um garoto tímido. Nenhum jornalista também tinha o que perguntar para o jovem nascido em Codó, no Maranhão - até então, um mero coadjuvante.

Tudo era por demais estranho. O primeiro momento, digamos, familiar, surgiu por meio de um convite. Muller, outro grande ídolo da torcida são-paulina, perguntou após um treino: "França, você quer jantar em casa?" O episódio ficou marcado para sempre na vida do jovem atacante, que se lembra até hoje com carinho de um dos atacantes que mais conquistou taças na história do Tricolor.

Última atualização: 08/03/2004
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