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Um artilheiro apreensivo na Alemanha

Foto Reuters
França comemora com Diego Placente gol durante a partida Bayer x Hansa Rostock, pelo campeonato Alemão
A experiência de França no futebol alemão, até o momento, também não é das mais vitoriosas: o atacante disputou três temporadas pelo Bayern Leverkusen e não se firmou como titular. Até pela dificuldade de adaptação a outro estilo de jogo e à outra cultura, França passa longe, na Alemanha, da média de gols alcançada com a camisa do São Paulo.

Na primeira temporada, o ex-são-paulino praticamente não atuou com a camisa do Bayern Leverkusen - o que contribuiu para a já natural dificuldade de adaptação ao novo país. França chegou ao clube em fevereiro, como grande contratação da equipe na chamada "temporada de inverno" - quando o mercado europeu é reaberto para transações.

Dessa forma, a expectativa dos torcedores do Bayern em relação ao atacante brasileiro era grande. E inversamente proporcional às condições de adaptação dadas a França. Quase sem participação do brasileiro, o Leverkusen chegou ao vice-campeonato alemão da temporada 2001/2002, perdendo o título para o rival Bayern de Munique.

A segunda temporada também foi trágica para França. Apesar de atuar com mais freqüência - embora sem se firmar como titular absoluto da equipe -, e até marcar seus golzinhos, o atacante foi vítima da fraqueza do elenco montado pelo Leverkusen. O time escapou do rebaixamento à Segunda Divisão alemã apenas na última rodada e terminou o campeonato na pífia 15ª colocação.

Atualmente, França vive um dilema no futebol europeu. De vez em quando, é escalado desde o início da partida, e não é raro que deixe sua marca nessas ocasiões. Mas a inconstância e a falta de uma seqüência mínima de jogos faz com que o jogador se torne "obscuro" aos olhos de outros clubes europeus e, principalmente, do técnico Carlos Alberto Parreira, da seleção brasileira - França não é convocado desde 2001. Valeria a pena tanto sacrifício?

O Bayern Leverkusen, onde também atua o zagueiro brasileiro Lúcio (este, titular absoluto), ocupa a quinta colocação do Campeonato Alemão e praticamente não tem mais chances de brigar pelo título da temporada. Vez por outra, França convive com especulações que dão conta de possíveis interessados brasileiros em seu futebol - Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Cruzeiro, ao longo desses três anos, já foram comentados -, mas, até o momento, não há nenhuma proposta oficial.

A maior preocupação de França, que completa 28 anos no dia de 2 março de 2004, é justamente essa: a de que seu futebol possa se apagar em meio à distância, ao frio, e à falta de ritmo de jogo. O quarto maior artilheiro da história do São Paulo teme que sua enorme coleção de gols se torne mero registro histórico, precocemente condenada a vôos mais rasteiros.

Última atualização: 08/03/2004
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