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O deus da raça no Paraguai
Por Mário Sérgio
Lima, especial para GE.Net
O zagueiro paraguaio Gamarra
chegou sem muito alarde para o futebol brasileiro. Em 1996,
começou a entrar para um seleto grupo de craques estrangeiros
que demonstraram seu talento em gramados tupiniquins - que
já contava, entre outros, com Pedro Rocha, Forlán,
Romerito e Rincón, por exemplo.
Seu clube de destino, o Internacional, esperava estar trazendo
um novo Figueroa, craque chileno da década de 70 que
defendeu o Colorado. Dono de um belo futebol que aliava técnica
e raça, o jogador deixou saudades na massa colorada
quando se transferiu para o Benfica, de Portugal, após
brilhar na conquista do Campeonato Gaúcho (1997).
A ida a Portugal, embora bastante rentável financeiramente,
não foi espetacular no aspecto esportivo. Gamarra jogou
bem e encantou a torcida, mas não pôde comemorar
títulos. E também não conseguiu atrair
a atenção dos grandes clubes da Europa. Sem
mercado no velho continente, resolveu voltar ao Brasil, para
defender o Corinthians - com boas referências do atleta,
desde os tempos de Inter.
Sua volta ao Brasil foi sem as pompas merecidas. O craque
até entrou pela porta dos fundos naquele time que estava
sendo formado por Wanderley Luxemburgo no Timão. Mal
sabia o zagueiro paraguaio que sua passagem pelo alvinegro
paulistano seria marcada por conquistas importantes, atuações
memoráveis, e a consagração profissional
mais que merecida - tudo isso, apesar de um primeiro semestre
que contou com a sofrida derrota para o rival São Paulo,
na final do Campeonato Paulista de 1998.
Porém, foi na Copa do Mundo daquele ano que Gamarra
resolveu encantar o mundo. Com um futebol exuberante, de muita
raça (como na partida contra os donos da casa franceses)
e, especialmente, de muita técnica (o jogador passou
quatro jogos sem cometer uma única falta), o jogador
foi eleito o melhor defensor do Mundial.
Na sua volta ao Corinthians, quis o destino que o paraguaio
fosse o capitão de um brilhante time que conquistou
um Campeonato Brasileiro, em 1998, e o Campeonato Paulista,
no ano seguinte. Foi a consagração: Gamarra
caía nas graças dos críticos e torcedores,
que se encantavam com o seu futebol. Era unanimidade.
Em 1999, após a derrota na Libertadores (nas quartas-de-final,
para o maior rival, o Palmeiras), o jogador saiu do Timão.
Mas não saiu por baixo: o time não pôde
arcar com o valor de seu salário e o vendeu para o
Atlético de Madrid (Espanha), onde teria mais uma chance
de conquistar a Europa.
Nada deu certo para o jogador no futebol espanhol. Seu time
era muito ruim, o técnico não apreciava tanto
seu futebol (ficou na reserva em alguns jogos), e o fracasso
foi intensificado com o rebaixamento do tradicional time para
a segunda divisão espanhola. Com a passagem frustrada
pelo Velho Continente, Gamarra viu no clube mais popular do
Brasil a chance de recuperar o prestígio: o Flamengo
resolveu lhe abrir as portas.
O fato é que a primeira temporada no rubro-negro foi
tão ruim, em 2000 (o clube pretendia montar uma "seleção"
para a disputa da Copa João Havelange, mas fracassou
de forma retumbante), que não foram poucos os que,
surpreendentemente, começaram a duvidar do futebol
de Gamarra. No ano seguinte, entretanto, o paraguaio deu a
chamada "volta por cima": conquistou o histórico
tricampeonato carioca, na decisão diante do Vasco,
e a Copa dos Campeões - torneio que reconduziu o Mengão
à Copa Libertadores da América, após
nove anos. Gamarra foi o capitão da equipe comandada
pelo tetracampeão Mário Jorge Lobo Zagallo
Mas a Europa ainda era um sonho recorrente na mente de Gamarra,
que se transferiu para a Grécia, mais precisamente
para o AEK Atenas. A saída do Flamengo foi tumultuada,
pois as dívidas do clube carioca eram tantas que os
salários do paraguaio (e de tantos outros atletas)
não foram pagos integralmente. Gamarra preferiu trocar
o caos financeiro do rubro-negro pelo desafio de vencer no
futebol europeu - mesmo que distante dos grandes centros.
Em 2001, após a Copa dos Campeões, desembarcou
na capital grega.
No AEK, o paraguaio manteve as características que
o acompanharam por onde passou: refinamento técnico,
elegância dentro de campo e profissionalismo. A limitação
da equipe impedia sonhar com vôos mais altos, mas Gamarra
conseguiu vencer a Copa da Grécia 2001/2002 e se tornar
o melhor zagueiro do futebol local. Portas abertas, enfim,
para um grande clube europeu: a Internazionale de Milão,
da Itália.
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