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1998 - O melhor do Mundo
O ano de 1998 começou
com pouco brilho. Gamarra aportou no Parque São Jorge
no dia 24 de janeiro, sem maiores festas. O Corinthians, que
não mais contava com o dinheiro do Excel (antigo patrocinador),
formava uma equipe que, antes do campeonato, era considerada
apenas razoável. Ninguém poderia imaginar que
era o embrião do campeão brasileiro que se formava.
No Campeonato Paulista, ninguém
negava que o paraguaio era o melhor zagueiro da competição.
Mas o time não era destaque. As arbitragens do argentino
Javier Castrilli, que prejudicaram a Portuguesa contra o Timão,
conferiam ainda menos legitimidade à equipe que enfrentaria
o São Paulo na final. Em atuação de gala
do jovem destaque do Tricolor, Denílson, o São
Paulo conquistava o título. Gamarra foi à Copa
da França sem o brilho com que sairia dela.
Em gramados franceses, o zagueiro
encontrou o palco perfeito para seu show. Jogando um futebol
vistoso, de muita luta, mas especialmente muito leal, Gamarra
começava a conquistar o mundo já na estréia,
contra os fanfarrões búlgaros. O zagueiro ajudou
a segurar a estrela Stoichkov e a garantir um empate sem gols
na partida.
No segundo jogo, o Paraguai começou
a desenhar uma das maiores zebras da Copa, quando empatou
com a Espanha. Gamarra não se intimidou pela constelação
de craques do oponente e fez uma partida fabulosa. Na última
rodada da primeira fase, os paraguaios eliminaram a Espanha
da Copa, após uma surpreendente vitória contra
a sensação da competição até
o momento, a Nigéria.
Nas oitavas-de-final, o Paraguai
foi eliminado ao cruzar com a França, dona da casa
e futura campeã do torneio. Mas os surpreendentes paraguaios
levaram o jogo para a prorrogação e caíram
somente na morte súbita. Gamarra esteve impecável
na partida, jogando por todo o segundo tempo praticamente
com o braço na tipóia, como outro grande do
futebol, Beckembauer, já tinha feito (no Mundial de
1970, no México). A Copa podia ter acabado para Gamarra,
mas seu futebol fabuloso e a lealdade (jogou quatro jogos
sem marcar uma única falta) o consagraram como melhor
zagueiro do torneio e do mundo na época.
Após o Mundial, ninguém
mais se arriscaria a desrespeitar o paraguaio no Brasil. Logo
na sua reestréia no Corinthians, Gamarra parou o potente
ataque vascaíno e ajudou a garantir uma vitória
sobre o campeão brasileiro. Isso sinalizava o que vinha
pela frente. O Corinthians faria um campeonato irresistível
e, sob o comando do capitão Gamarra, conquistaria o
título brasileiro após um emocionante playoff
contra o Cruzeiro.
Gamarra jogou muito bem no campeonato e acabou sendo eleito
o melhor jogador da competição, honraria rara
para um defensor, mas merecida, quando se trata do paraguaio.
A conquista de prêmios não pararia por aí:
o jogador foi eleito o segundo melhor jogador do ano na América
Latina, só perdendo para o artilheiro do Boca Juniors,
o argentino Martín Palermo.
O ano de 1999 começou com competições
importantes, e nem mesmo a dolorida eliminação
do Corinthians para o rival Palmeiras no torneio mais importante
do ano para o Timão (a Libertadores), nos pênaltis,
apagou o seu brilho. Gamarra era um ídolo insubstituível
para a Fiel, mas o paraguaio não pôde continuar
no clube. Seu alto salário era irreal para os padrões
do futebol brasileiro, e Gamarra seguiu caminho para a Europa,
onde iria atuar no Atlético de Madrid (Espanha). Deixou
para trás uma multidão de torcedores que até
hoje fazem reverência ao ídolo.
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