Fale conosco Receba o boletim  
  Carismático
  Seleção Brasileira
  Na Grécia
  Raio-X
  Galeria
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . GIOVANNI
Gazeta Press
Gazeta Press

Craque carismático

Por Daniela Alves

A tarefa era extremamente difícil. Quem ousaria ocupar no coração da torcida santista o lugar de Pelé? Com seu jeito sério, Giovanni conquistou uma geração inteira de meninos - filhos dos fãs de Pelé - e até mesmo os que viviam, na Vila Belmiro, apenas a esperança de ver novamente o Peixe arrancar suspiros da galera em uma final de Campeonato. O próprio Rei do Futebol pediu autógrafo ao tímido meia de 1,90m.

O título nacional não veio, e a torcida santista ainda aguardaria mais sete anos para sair da incômoda fila (soltaria o grito de "é campeão" em 2002, com Diego e Robinho), mas foi Giovanni quem reacendeu o sonho dos aficcionados pelo time da Vila Belmiro. Partidas memoráveis do meia ajudaram o Santos a chegar à final do Campeonato Brasileiro de 1995, contra o Botafogo.

A carreira começou no Palmeiras de Abaetetuba, no Pará. Giovanni se profissionalizou no Tuna Luso, passou pelos principais clubes do Pará e despontou para o país no Santos, com Cabralzinho no comando do time. O técnico foi, por sinal, um dos poucos com o qual Giovanni teve um relacionamento tranqüilo. Jogar fora de sua posição o tira do sério, e ele não poupa palavras para reclamar dos treinadores que o deslocam.

Consagrado no Santos, criticado por muitos por sua lentidão, ele foi comparado primeiramente à Ademir da Guia, craque palmeirense dos anos 60 e 70. "Tenho curiosidade de assistir a um vídeo para saber como ele jogava. Deve haver algo em comum, as pessoas fazem muito essa comparação", comentava Giovanni, na época. Para Clodoaldo, a semelhança era a técnica e habilidade para proteger a bola.

Quando chegou à Vila Belmiro, em 1994, ficou na reserva e ganhou a camisa 10 por acaso, quando a torcida pedia a cabeça do craque Neto. A diretoria já havia tentado de tudo: pratas da casa, craques consagrados como Neto, promessas como Ranielli, mas os torcedores queriam um novo Pelé. Pita quase chegou lá, mas Giovanni foi considerado mais completo, aquele que chegou um pouco mais perto do Rei.

O Rei, fã de carteirinha - Em 1995, no auge de sua carreira, Giovanni narrou a emoção de apertar a mão de Pelé. Após a vitória sobre a Portuguesa, dedicou sua bela atuação ao ídolo. "Em uma festa na Vila Belmiro, conheci o Pelé. Desta vez até apartei a mão dele", comemorou.

A conversa entre os dois craques foi de tietes. Giovanni afirmou que era um orgulho vestir a camisa que o Rei vestiu, enquanto Pelé retribuiu os elogios e ainda pediu uma camisa autografada ao novo ídolo santista. Na prática, Pelé desembolsou 50% dos US$ 300 mil pelos quais o passe de Giovanni foi comprado.

Depois, vieram os problemas. No segundo semestre, Giovanni recebia críticas pela falta de humildade e de cuidado com o condicionamento físico. O craque ficou chateado, mas não o suficiente para deixar de se sentir orgulhoso por ser o substituto do jogador mais importante da história do Santos e da Seleção Brasileira.

Uma brincadeira no treino juntou os dois ídolos em campo, em fevereiro de 1996. "Fiquei emocionado. Jogar ao lado de Pelé, mesmo que seja num simples treino, é algo que fica marcado na sua vida", deslumbrou-se Giovanni. Em campo, o jogador não se sentiu inibido. Marcou um gol, deu passe para outro, recebeu lançamento do Rei, abusou dos lances individuais e até levou bronca.

Meses depois, por ocasião da renovação do contrato, as exigências de Giovanni foram consideradas abusivas pelo próprio Pelé, que incentivou sua transferência. Em meio a muitas especulações, o craque santista foi parar no Barcelona, na negociação mais cara da época: US$ 7,8 milhões. Com as luvas e o salário, o negócio ultrapassou a transferência de Rivaldo para o Parma, da Itália.

O jogo da vida - Parecia ter chegado, enfim, a vez do Santos. No Campeonato Brasileiro de 1995, a equipe brilhou com Giovanni e mostrou-se como favorita ao título. A semifinal com o Fluminense é considerada, até hoje, a melhor partida do craque. O meia marcou dois e participou das jogadas dos outros gols da vitória sobre o clube carioca por 5 a 2.

Era o segundo jogo da semifinal e o Santos precisava vencer por quatro gols de diferença porque o Fluminense havia vencido a primeira partida por 4 a 1, no Maracanã. Cabralzinho não levou o time para o vestiário no intervalo e tudo naquele jogo entrou para a história.

A fatídica final de 1995 - Túlio fez muitos gols inesquecíves pelo Botafogo. Mas, para a torcida do Santos, o gol marcado aos 24 minutos do primeiro tempo da final do Campeonato Brasileiro, no dia 17 de dezembro de 1995, no Pacaembu, vai ficar na lembrança para sempre. Túlio estava impedido e o empate por 1 a 1 deu o título de campeão nacional aos cariocas, que venceram o primeiro jogo por 2 a 1, no Maracanã.

O mesmo bandeirinha que não registrou o impedimento de Túlio anulou um gol de Camanducaia, mais uma vez incorretamente. E, aos 36 minutos, Giovanni ainda passou perto de se tornar o herói do jogo: o goleiro Vágner espalmou após chute forte e, no rebote, o meia encheu o pé dentro da área e o goleiro fez uma defesa espetacular que garantiu o título ao Botafogo.

Até hoje, os santistas lamentam essa partida. Giovanni deixou o Santos sem conquistar nenhum título importante para o Peixe.

Ídolo de ídolos - A passagem de Giovanni pelo Santos deixou marca nos companheiros. Robert, vice-campeão brasileiro de 1995, ainda cita o atacante em suas declarações sobre o time. Para ele, a comparação com Pelé é exagerada, mas o Santos também nunca mais será o mesmo depois de Giovanni. A amizade também permanece e os dois ainda se falam pelo telefone.

Robert acredita que Giovanni está acima da média dos atacantes brasileiros. "É um jogador fora-de-série, que tem faro de gol. Ele pensa antes dos outros", analisa o meia. Com prazer, Robert fala sobre o companheiro que considera um dos "memoráveis" do clube. Porém, acha que ninguém deve ser comparado a Pelé. "Ele (o Rei) é de outro planeta", justifica.

O tom formal é deixado de lado quando Robert fala sobre o estilo de Giovanni além da vida profissional. "É um cara amigo, não faz mal a ninguém. Ele é muito tranqüilo", descreve.

Ùltima atualização: 12/03/2004
Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página