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Foto: Reprodução

O goleiro que foi dono de uma era

Por Maurício Savarese, especial para a GE Net

Poucos jogadores podem se dar ao luxo de se dizer donos de uma era em algum dos maiores clubes do Brasil. Zico e Tostão, respectivamente, atuando pelo Flamengo campeão mundial em 1981, e no Cruzeiro do final da década de 60, são dois deles. Outro foi Pelé, que com o Santos que encantou o mundo no início dos anos 60. Mas entre os times da região sul do país, poucos deles possuem um atleta digno da honraria. Nesta seleta galeria, está o goleiro Jairo, jogador do Coritiba por dez anos.

Desde o início de sua carreira no Caxias, que anos depois passaria a se chamar Joinville, o negro alto e esguio impôs respeito por sua elasticidade e por seu espírito de liderança, típico daqueles que já cansaram de apanhar da vida. "Minha vida nunca foi fácil. Sempre tive de passar por um monte de dificuldades. Do preconceito à falta de dinheiro para viver bem", conta o arqueiro.

Antes de atuar pelo Coxa, Jairo encarou seu primeiro desafio em 1969, um ano depois de se profissionalizar: jogar pelo Fluminense. "Foi meu primeiro clube de ponta e foi um bom desafio. Eu queria ser treinado pelo Telê Santana", diverte-se. Alguns anos depois, chegava o goleiro ao Couto Pereira, onde reinaria absoluto na década de 70, e aonde voltaria na segunda metade dos anos 80, somando dez anos de permanência e 440 jogos pelo Alviverde. Foi o desempenho sob as traves do Coritiba que permitiram a Jairo entrar para a história do futebol brasileiro.

Mãos negras defendendo a seleção - Até Jairo ser convocado para a seleção brasileira poucos goleiros negros haviam defendido a equipe oficialmente. O mais famoso - e trágico - foi Barbosa, titular da Copa de 50. Quatro anos depois, Veludo estava na delegação canarinho que foi à Copa do Mundo de 1954, como reserva de Castilho. O então arqueiro do Coritiba foi o responsável para defender a linha do gol da então tricampeã mundial numa partida contra o rival Uruguai. Era o dia 28 de abril de 1976.

"Prefiro não ser lembrado apenas por aquela confusão. Eu bati e apanhei muito naquele jogo", lembra, sobre o ringue em que se transformou o gramado do estádio do Maracanã. "Mas dava para perceber que tinha gente nos dois lados que tinha medo de confusão. Entrei para tirar meus companheiros dali e não fugi da encrenca, como fizeram muitos ali."

Um ano depois, o desafio para Jairo deixaria de ser acertar socos nos uruguaios ou ser campeão no pouco tradicional futebol paranaense daquela época. A oportunidade era para vir a São Paulo e tentar ajudar a reerguer um dos grandes clubes do Brasil, que não vencia um título havia 21 anos.

Publicação: 24/09/2004
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