| Foto: AFP |
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O Rei de Portugal.
O atacante em declínio. E o Goiás.
Em 1996, Jardel foi contratado a peso de ouro pelo Porto, um dos mais tradicionais clubes do futebol português. Foram quatro temporadas marcadas por títulos em seqüência (a hegemonia do clube era total no campeonato nacional), muitos gols e uma devoção total da torcida em relação ao brasileiro. Apesar do sucesso e da projeção alcançada no Grêmio, é inegável que o reconhecimento internacional e a consagração profissional vieram mesmo após a chegada de Jardel ao Porto.
Após três títulos portugueses, quatro conquistas da artilharia na “terrinha” e muito carinho dos torcedores, Jardel resolveu aceitar um novo desafio. Abandonou o Porto, clube pelo qual atingiu o status de “Rei de Portugal”, e se transferiu para o distante Galatasaray, da Turquia, por um contrato milionário. O clube turco, que iniciava um projeto para se tornar importante no cenário europeu, teve em Jardel uma peça fundamental para chegar, até, a conquista de títulos continentais importantes: em 2000, o brasileiro levou a equipe às conquistas da Copa da Uefa e da Recopa Européia.
Apesar disso, o brasileiro não teve a mesma empatia com a torcida turca e deixou o clube em 2001, voltando para Portugal. Desta vez, para surpresa de muitos, Jardel acertou contrato com o Sporting (principal rival do Porto), onde levantou o título do campeonato nacional de 2002. Foi ainda artilheiro máximo dessa competição pela quinta vez na carreira. Apesar de ter defendido o Sporting, o atacante ainda é muito respeitado pela torcida do Porto, que superou a mágoa pela suposta “traição”.
Declínio. E o Goiás - Depois
do título, um episódio quase arranhou a reputação
de Jardel no futebol português. Deprimido devido à
separação da esposa Karen, o artilheiro se recusou
a participar da pré-temporada do meio do ano. Enquanto
os dirigentes insistiam na sua reapresentação
imediata, o jogador se defendia através de atestados
médicos que apontavam a impossibilidade de jogar.
Foi com muito custo que o "Super Mario" (como é conhecido em Portugal) foi convencido a voltar para Lisboa. Com o passar do tempo, entretanto, a motivação e o brilho de Jardel pareciam não ser mais os mesmos de outrora. O artilheiro entendia que precisava de “novos ares” e abandonou novamente o futebol português para tentar a sorte na badalada Premiere League inglesa: seu destino era o modesto Bolton.
A experiência na Inglaterra começou em janeiro de 2003, na metade da temporada. Talvez tenha sido o primeiro grande fracasso da carreira de Jardel, que disputou apenas sete partidas em uma equipe sem grandes aspirações. Após ter de conviver com a dura realidade do banco de reservas, o brasileiro percebeu que não havia como continuar no Bolton. Só que, novamente, foi infeliz naquela que seria a próxima escolha.
Jardel foi contratado, com muita pompa e badalação,
pelo Ancona, recém-chegado da Segunda Divisão
italiana (e já em situação delicada no
Calcio, na lanterna absoluta da competição).
Apesar da fragilidade da equipe, que não conseguiu
sair da zona de rebaixamento do Campeonato Italiano, Jardel
conseguiu garantir sua vaga como titular, ainda completamente
distante de apresentar a mesma vibração e o
brilho que sempre o marcaram. Ao final da curta experiência,
decidiu voltar ao Brasil para tentar se reerguer.
O experiente goleador chegou a fazer exames médicos
no Palmeiras, mas não permaneceu na equipe do Parque
Antártica mais que alguns poucos dias - sua condição
física não foi aprovada e ainda houve alguns
problemas de ordem financeira com o Verdão. Após
um longo período longe dos holofotes - mesmo fazendo
parte do elenco do Newell's Old Boys campeão do Torneio
Apertura -, Jardel finalmente acertou sua volta: assinou contrato
com o Goiás, time que está em alta, para a seqüência
do Campeonato Brasileiro.
Na apresentação no Serra Dourada, muita pompa.
O jogador foi anunciado pelo site oficial do clube do Planalto
Central como dono de "um dos cabeceios mais eficientes
da história recente do futebol mundial", e chegou
ao clube alviverde atendendo a um pedido do técnico
Geninho. Se o futuro lhe reservará o sucesso do passado,
só o tempo dirá. Mas que Jardel quer voltar
aos tempos de "Super Mario" e esquecer as experiências
mais recentes, não há dúvida.
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