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Tri mundial, Joel trocou a
bola pelas docas
Por Paulo Amaral
O futebol brasileiro passa atualmente por uma carência
de bons zagueiros, prova disso é que o uruguaio Lugano
e o paraguaio Gamarra são considerados modelos a serem
seguidos na terra dos pentacampeões do mundo, colecionando
prêmios campeonato após campeonato.
Há pouco mais de três décadas, no entanto,
o panorama era bastante diferente. Enquanto Pelé encantava
com dribles e jogadas maravilhosas no ataque, a zaga santista
ficava tranqüila, pois contava com o talento de Joel
Camargo, apelidado de Açucareiro, por sua
forma elegante de jogar, com os braços abertos.
Cinco vezes campeão paulista, todas defendendo o Santos,
o jogador, revelado pela Portuguesa de Desportos, Joel foi
titular da seleção brasileira em todos os jogos
das Eliminatórias para a Copa de 1970, mas acabou se
tornando uma vítima de Zagallo na competição.
Considerado pelo falecido João Saldanha como o melhor
quarto-zagueiro do mundo, Joel, companheiro de quarto do Rei
Pelé nas concentrações, não entrou
em campo, mas sagrou-se tricampeão mundial com a seleção
brasileira na Copa de 1970, no México.
Morador da cidade de Santos, onde nasceu e se criou, Joel
teve uma passagem frustrada pelo Paris Saint-Germain, da França,
fato que inspirou a criação do personagem Paulinho
Majestade no filme Boleiros, lançado em
1998.
Ao contrário do que aconteceu com grande parte dos
tricampeões, Joel não seguiu carreira no futebol
profissional, e passou por dificuldades fora das quatro linhas,
perdendo boa parte do dinheiro que juntou na carreira ao investir
em casas lotéricas.
Após passar por clubes de menor expressão,
como o CRB e o Saad, Camargo pendurou as chuteiras e passou
a dividir seu tempo como estivador nas docas do porto de Santos
e como professor de escolinhas de futebol.
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