| Foto: Acervo/Gazeta
Press |
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O achado de Andrade
Em 1971, Euzébio de Andrade,
dirigente do Bangu e pai do bicheiro Castor de Andrade, assistiu
a uma partida do União F.C. e ficou encantado com o
futebol do atacante Jorge Mendonça. Depois de uma infância
pobre ao lado de cinco irmãos, o garoto de 18 anos
não pensou duas vezes para aceitar o convite do cartola
e disputar o Campeonato Carioca de profissionais.
A estréia aconteceu no dia 16 de janeiro de 1972 e
não poderia ter sido melhor. Contra o São Cristóvão,
marcou os dois gols na vitória por 2 a 0. Ora de centroavante,
ora de ponta-de-lança, balançou as redes 19
vezes em 38 jogos oficiais pelo clube e chamou a atenção
do Náutico, para onde se transferiu no final de 1973.
No Timbu, clube no qual criou uma grande amizade com o técnico
Orlando Fantoni, Mendonça formou trio infernal com
Vasconcelos e Paraguaio, responsável pela conquista
do Campeonato Pernambucano de 1974. Naquela competição,
o garoto de Silva Jardim ficou com a artilharia, ao anotar
24 gols. No ano seguinte, o time ficou no quase e foi vice.
"Tal era o meu entrosamento com o Vasconcelos e com
o Paraguaio que jogávamos por telepatia. Um sabia o
que o outro ia fazer em campo e assim ganhamos jogos e títulos.
Imagine que, numa só partida, contra o Santo Amaro,
eu fiz oito gols, registrando uma das maiores façanhas
como artilheiro na história do futebol nacional de
todos os tempos", afirma o ex-jogador.
Mendonça se refere ao jogo do dia 10 de março
de 1976, um 8 a 0 sobre o Santo Amaro, no qual marcou todos
os gols. "Marquei dez gols naquela noite e o juiz anulou
dois. Mas o time era muito fraco e o goleiro, coitado, ainda
foi infeliz. Falhou em uns três ou quatro gols",
recorda.
Tamanha façanha despertou o interesse do Palmeiras,
que não esperou o fim do campeonato para contratá-lo.
Na despedida, todo o elenco do Náutico foi até
o Aeroporto dos Guararapes, onde fez questão de abraçar
o craque. Ao todo, foram 95 gols entre 1973 e 1976, o que
o classifica como o oitavo maior artilheiro do clube, ao lado
de Nivaldo.
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