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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . JORGE MENDONÇA
Foto: Acervo/Gazeta Press

Artilharia e decadência

A boa fase que vivia no Palmeiras levou Jorge Mendonça aos amistosos preparatórios para a Copa de 1978, nos quais ele garantiu sua presença na convocação final de Cláudio Coutinho. Das cinco partidas que disputou antes do Mundial, foi titular em apenas uma delas, mas marcou nas vitórias sobre Al Ahli, da Arábia Saudita, e Atlético de Madri, carimbando seu passaporte para a Argentina.

Apesar de não ter marcado na campanha da seleção, o jogador considera a participação em uma Copa do Mundo uma de suas maiores glórias na carreira. “Esta foi minha grande alegria. Não era titular, mas entrei em quase todos os jogos do Mundial da Argentina”, afirma o atleta, que não balançou a rede na competição. “Chutei quatro ou cinco bolas na trave. O (Roberto) Dinamite aproveitava todos os rebotes e fez o nome”, brinca o camisa 19 naquele campeonato, que jamais seria convocado novamente para a seleção.

De volta ao Brasil, Mendonça passou a trabalhar com o técnico Telê Santana, que havia substituído Filpo Nuñez no comando do Palmeiras. Depois de um início de casamento agradável, no qual o jogador encheu os olhos do treinador ao fazer excelente dupla de ataque com Escurinho - "Ele é tecnicamente perfeito", chegou a declarar Telê -, vieram os atritos e, conseqüentemente, o divórcio.

A ruína chegou dias antes de uma partida contra o Flamengo, no Rio de Janeiro, pelo Campeonato Brasileiro. O Palmeiras encontrava-se em Manaus, e Mendonça havia escapado da concentração à noite. O linha-dura Telê o esperou na porta do hotel até as três da manhã, quando o jogador chegou bêbado, subiu as escadas, disse um "olá, chefe" ao sargentão e foi dormir.

Poucos dias depois, o Palmeiras goleava o Flamengo por 4 a 1, no Maracanã, diante de 113 mil pessoas, com um gol do artilheiro. Porém nem esse jogo, e nem a Bola de Prata concedida ao jogador pela revista Placar, que o incluiu na seleção do campeonato, encobriu a indisciplina realizada frente a Telê. O treinador passou a criticá-lo e a qualificá-lo de "mau profissional", e só parou quando conseguiu sua transferência para o Vasco, em fevereiro de 1980.

O retorno ao Rio de Janeiro foi quase insignificante na carreira de Jorge Mendonça. Quatro meses após chegar ao Vasco, ele se transferia para o Guarani, onde viveria os melhores momentos da fase final de sua carreira. "Concordo que não fui bem no Vasco. Sei fazer uma auto-crítica e aceitar as observações a meu respeito. Mas acho que, nestes últimos meses, todo o time andou mal. Ninguém, na verdade, conseguiu se destacar. Eu afundei com o time", afirmou, em 1980, à Gazeta Esportiva.

Para contar com o atacante, o Guarani pagou o mesmo valor desembolsado pelo Vasco, meses antes. E ele não desapontou. No ano seguinte, assinalou nada menos de 38 gols no Campeonato Paulista e 58 em toda a temporada, o que fez dele o artilheiro do país. A indisciplina, porém, contrastava com os feitos do atleta, que conquistaria a Taça de Prata pelo clube, mas afirmaria que o título não pertencia à torcida, que não contribuiu em nada durante a campanha.

Em 82, o Guarani colhia os frutos da dupla Careca-Jorge Mendonça e só cairia nas semifinais do Campeonato Brasileiro. Jorge, porém, continuava fora da seleção de Telê, não foi convocado para a Copa daquele ano e nunca mais foi o mesmo. Depois de forçar a saída para a arqui-rival Ponte Preta, ele teve passagens bastante apagadas por Cruzeiro, Rio Branco (ES), Colorado (PR) e Paulista de Jundiaí.

Publicação: 13/05/2005
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