| Foto: Acervo/Gazeta
Press |
 |
Gol do título
"Crioulo, abre os olhos.
Lá não é como aqui. O Campeonato Paulista
é de lascar e você leva sobre os ombros a responsabilidade
de substituir o Leivinha. Se mostrar fraqueza de cara, azar
seu". Esse foi o conselho dado por um dirigente do Náutico
para Jorge Mendonça quando ele arrumava as malas para
viajar a São Paulo e se juntar ao elenco do Palmeiras.
Como previra o cartola do Timbu, o início do atacante
no Palmeiras não foi dos mais fáceis. Com dificuldades
para se adaptar ao clima da capital paulista, à rotina
de treinamentos em dois períodos e ao esquema tático
da equipe, ele demorou a se firmar entre os titulares, fato
que só ocorreu depois da substituição
do técnico Dino Sani por Dudu.
No esquema de Sani, Mendonça teria de cumprir a função
de terceiro homem, papel que ele se desacostumara a fazer
havia três anos. "Eu conhecia a posição
quando jogava no Bangu. No Náutico, sempre fui um jogador
avançado, um centroavante propriamente dito. Estranhei
muito o esquema e por isso a adaptação se tornou
difícil. Atribuo muito a isso minha falta de encaixe
rápido ao time", analisa.
Passados os problemas de adaptação, o jogador
deslanchou com a chegada de Dudu, que finalmente conseguiu
convencê-lo de que marcar a saída de bola do
adversário era importante. A falta de disposição
para a marcação e os quilinhos a mais com que
chegou do Náutico haviam sido justamente alguns dos
motivos de atrito com Dino Sani.
Para Mendonça, outro fator também impulsionou
sua ascensão no Alviverde: "Creio que o lançamento
do Pires, sem desfazer do Didi, que batia um bolão,
foi o toque que faltava para o meu deslanche. O estilo do
garoto, tão parecido com o do próprio Dudu,
me deu liberdade de ação e mais campo para desenvolver
meu verdadeiro futebol. Então, foi bem mais fácil
executar o papel de terceiro homem".
Já no primeiro ano de Palmeiras, o atleta conseguiu
sua maior glória como profissional ao marcar o gol
do título do Campeonato Paulista de 1976. As 35.533
pessoas que lotavam o Parque Antártica assistiram ao
meia-atacante subir de cabeça, aos 39 minutos do primeiro
tempo, e balançar a rede do goleiro Doná, do
XV de Piracicaba. A partida acabou em 1 a 0.
"Foi o primeiro gol que fiz que decidiu um título.
E lembro bem do lance: a bola veio bem alta, preparei o corpo
e saltei. Nem percebi que o goleiro tinha saído do
gol. Só notei um vulto passando por mim antes da bola
chegar, mas cabeceei de olhos abertos, sabendo que a bola
iria para o gol", narra o herói da conquista.
|