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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . JORGINHO
Foto: Acervo/Gazeta Press

O craque sem glórias

Por Bruno Ceccon, especial para GE.Net

O último título do Palmeiras antes do longo jejum de 16 temporadas foi o Campeonato Paulista de 1976. Era o final da Academia. Três anos depois, vindo de Marília, Jorginho desembarcou no Parque Antártica. Ser idolatrado pela torcida alviverde na década de 80 era uma tarefa muito difícil, mas Jorge Antônio Putinatti foi um dos poucos que conseguiu o feito.

Para eternizar-se na memória dos milhões de palmeirenses, o jogador não precisou ganhar nenhum título. Apenas o empenho, a dedicação e o bom futebol mostrados por Jorginho ao longo de sete anos de clube foram suficientes para assegurar ao jogador um lugar honroso dentro das tradições do Verdão.

Assim como Ademir da Guia, maior craque que já passou pelo clube, fazia nos tempos da Academia, Jorginho tinha a missão de comandar o meio-campo palmeirense, nos anos 80. As semelhanças entre os dois jogadores não paravam por aí. O Divino ficou marcado por ser um jogador muito acanhado e excessivamente humilde, o que acabou prejudicando o camisa 10 durante sua gloriosa trajetória, principalmente na seleção brasileira.

Jorginho não era muito diferente. Especialmente no início da carreira, o jogador recém-chegado do interior paulista não tinha no marketing pessoal uma de suas principais características. Da mesma maneira que Ademir, o futuro promissor na seleção brasileira que se desenhava para Jorginho acabou não sendo concretizando.

O atleta ficou marcado por conquistar poucos títulos. Durante toda sua carreira de jogador profissional, foram apenas dois. A nuvem negra que às vezes vinha para atormentar o camisa sete do Palmeiras não o deixou em paz nem mesmo enquanto vestia a amarelinha.

Durante o ano de 1985, Jorginho vivia o seu melhor momento na carreira. A seleção era treinada por Telê Santana, técnico que trabalhava no Palmeiras quando Jorginho chegou ao clube seis anos antes. O treinador foi responsável por efetivar o jogador na equipe do Verdão. No comando da seleção, Telê demonstrava a mesma confiança em Jorginho, que estava em grande fase no Palmeiras e era regularmente convocado para a seleção durante as Eliminatórias para a Copa do México.

A presença do atleta na delegação que iria para a Copa do Mundo de 1986 era muito provável. Quando o jogador entrou em campo para um inocente jogo-treino da seleção contra os juniores do Atlético/MG, não podia imaginar que teria o seu maior sonho dentro do futebol abruptamente tolhido.

Publicação: 23/07/2004
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