| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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O drama
No dia 27 de junho de
1985, a seleção, comandada por Telê Santana,
se preparava na Toca da Raposa para mais uma partida das Eliminatórias
para Copa do México. Quando entrou em campo para um
inocente coletivo contra os juniores do Atlético/MG,
Jorginho não imaginava que este seria um dos dias mais
tristes de sua vida dentro do futebol.
Em um lance casual, o jogador do Palmeiras dividiu uma bola
com o garoto Anderson e os dois caíram no chão
com as pernas enroscadas. Após a queda, ambos gritaram,
deixando os demais jogadores preocupados. Os médicos
levaram os atletas para a enfermaria e pouco depois veio o
diagnóstico: Jorginho fraturou a tíbia e a fíbula,
enquanto o atleta do Galo saiu ileso.
"Como não doeu muito achei que não era
nada grave. Contudo, na hora que o doutor tocou no meu tornozelo,
gritei desesperado: 'Meu Deus, quebrei minha perna!'. Mas
ninguém teve a intenção de machucar ninguém.
Foi um lance simples, típico de treino. Quando caí
no chão, olhei para o garoto e fiquei mais preocupado
com ele do que comigo", explicou o palmeirense.
Desta forma começava o calvário de Jorginho.
O momento em que o jogador sofreu essa grave contusão
não poderia ser pior. O atleta estava em grande fase
e tinha tudo para continuar na seleção até
a Copa do Mundo, além disso, seu contrato com o Palmeiras
estava terminando e a renovação corria perigo
naquele momento.
Durante a recuperação em seu apartamento nas
Perdizes, bem próximo ao Parque Antártica, Jorginho
recebeu o apoio de sua mulher e do pequeno filho. Apesar de
o jogador demonstrar otimismo em relação a sua
permanência no Palmeiras, ficou oito meses sem receber
salários e renovou o contrato por muito menos do que
pretendia. Depois de completar a reabilitação
com dois meses de fisioterapia, Jorginho tirou uma lição
do ocorrido.
"Aprendi que um jogador profissional tem que aproveitar
ao máximo enquanto está por cima. Quando acontece
uma coisa ruim você é esquecido. Como renovei
meu contrato logo depois da fratura, tive que aceitar o que
o clube me ofereceu", disse o jogador, resignado.
Jorginho voltou aos campos no dia 2 de março de 1986,
às vésperas do Copa do Mundo. A contusão
impediu o atleta de participar das Eliminatórias e
o jogador tinha consciência de que sua ida ao México
era muito improvável.
"Acho muito difícil, agora o grupo já
está completo e só faltam os cortes para definir
a delegação que vai viajar. Só tenho
chance se houver alguma contusão. Conversei muito com
minha esposa e já estava preparado psicologicamente.
O que posso fazer agora é desejar sorte ao Leão
e pensar na Copa de 90", afirmou Jorginho.
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