Fale conosco Receba o boletim  
  Abertura
  Raio-X
  Galeria
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MARCOS

De Oriente para o mundo

Rubens Gazeta/Gazeta Press
Gazeta Press

Por Daniel Fernandes

Oriente, cidade pacata do interior de São Paulo, início da década de 80. Marquinhos adorava jogar futebol, mas era preterido por seus amigos na escolha dos times porque era franzino. Fim dos anos 90, goleiro titular do Palmeiras, Marcão garante o título mais importante da história do Verdão: a Copa Libertadores. Em 2002: fechou o gol e foi campeão mundial com a seleção brasileira.

O garoto do interior havia se transformado em uma muralha e conquistado a admiração eterna dos palmeirenses. Ídolo no Parque Antártica, hoje na seleção brasileira, o goleiro Marcos Roberto Silveira Reis, 28 anos, foi o titular de Felipão na Copa do Mundo e inscreveu seu nome, definitivamente, na história do futebol mundial.

Tudo mudou na vida de Marcos desde que ele chegou ao Palmeiras. Ele sonhava em obter destaque como jogador de futebol, claro. Mas não poderia imaginar que um dia não conseguiria caminhar pelas ruas de uma metrópole que o assustava quando era apenas um juvenil no Palmeiras.

A primeira oportunidade

Marcos chegou ao Palmeiras antes do início da década de 90. E permaneceu anônimo por muitos anos. Havia Velloso e Sérgio, goleiros com mais experiência e notoriedade que o menino de Oriente. As coisas começaram a mudar em 1996.

Velloso se machucou e Marcos obteve sua primeira grande chance no Parque Antártica. Não decepcionou. Sua primeira partida oficial aconteceu no dia 30 de março daquele ano, uma vitória do Verdão por 4 a 0 sobre o XV de Jaú.

Jogou outras partidas pelo Campeonato Paulista, naquele ano disputado por pontos corridos, e comemorou o seu primeiro título.

A maior surpresa de Marcos naquele ano, entretanto, aconteceu com sua convocação para a seleção brasileira, dirigida na época por Zagallo. Muitos se mostraram surpresos, mas o Velho Lobo foi coerente. Convocava sempre Velloso, que estava machucado. Então porque não dar uma primeira chance para Marcos?

Os anos de glória

Gazeta Press
Gazeta Press

Em 1998, Marcos conquistou dois importantes títulos em sua carreira: a Copa do Brasil e a Mercosul. Mas pode-se dizer que 1999 foi o 'ano de ouro' do goleiro. Velloso começou jogando a Copa Libertadores, mas uma contusão grave o afastou por muito tempo dos gramados. Marcos entrou e, literalmente, fechou o gol do Palmeiras.

Sua primeira atuação de gala aconteceu contra o Corinthians, pelas quartas-de-final da competição sul-americana. O Palmeiras venceu por 2 a 0, gols de Oséas e Rogério. Mas todos creditaram aquela vitória ao desempenho de Marcos embaixo dos três paus. Na segunda partida, a consagração. Ele fez boas defesas, apesar da derrota por 2 a 0, mas garantiu a passagem do Verdão para as semifinais nas cobranças de pênaltis.

Outras grandes atuações contra o River Plate e América de Cali garantiram ao goleiro o título de melhor jogador do torneio.

Marcos viveu seus momentos de glória até a final da Copa Libertadores do ano seguinte. Mais uma vez, ele defendeu um pênalti cobrado por Marcelinho Carioca e levou o Verdão para mais uma final do principal torneio sul-americano. Entretanto, o time do Parque Antártica perdeu a final para o Boca Juniors e a frustração mostrou-se enorme para o goleiro.

A contusão e o supermercado

Uma grave contusão na mão obrigou Marcos a se submeter a uma cirurgia. O badalado goleiro do Palmeiras ficou muito tempo parado e não foram poucos os que duvidaram que poderia retornar aos gramados. E, se voltasse, muitos achavam que o goleiro não mostraria a mesma eficiência do passado.

Marcos não se abateu com as críticas. Deixou a Capital e foi se recuperar na sua cidade natal. Em Oriente, ao lado da mãe e dos irmãos, encontrou o ambiente ideal para se recuperar e voltar aos gramados. Entre as muitas histórias que o goleiro lembra desse período de ostracismo, uma lhe arranca gargalhadas até hoje. Sem poder jogar, Marcos se divertia ao ser convidado para inaugurar lojas de supermercados.

O retorno para a família Scolari

Gazeta Press
Gazeta Press

É inegável que Marcos é um dos mais experientes jogadores do Palmeiras. Já fez 197 jogos com a camisa do Verdão, os melhores deles sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Dessa forma, Marcos foi o goleiro titular da seleção brasileira a partir do momento que o treinador deixou o Cruzeiro para assumir o comando da seleção e classificar o País nas eliminatórias.

Pode-se dizer que Felipão é o responsável pela fama obtida atualmente por Marcos. O assédio já era enorme, duplicou depois da convocação para a Copa do Mundo. O menino de Oriente já deu entrevistas para repórteres chineses e até para a BBC de Londres, uma das mais influentes redes de comunicação do planeta. As entrevistas habituais na Academia do Palmeiras se tornaram cada vez mais concorridas e até no programa da Ana Maria Braga o goleiro apareceu.

E o goleiro está preparado para o assédio. Hoje, não dá importância para as manchetes dos jornais. Quando começou a sua carreira, devorava cada linha de texto sobre suas atuações ou declarações. No atual momento, até seria melhor para Marcos voltar a ver o que dele falam. Afinal, teve desempenho bastante elogiado na Copa do Mundo, onde foi titular no time que trouxe o pentacampeonato para o Brasil após a vitória na final contra a Alemanha.

A queda e ascensão no Palmeiras

Ano de 2002: o que poderia ser o ano da consagração definitiva de Marcos, titular na conquista da Copa do Mundo, terminou com o maior fracasso da vida do goleiro. No Palmeiras, o ano já tinha começado de forma estranha, quando o clube foi eliminado da Copa do Brasil pelo modesto ASA de Arapiraca. Mas a tragédia maior foi ocorrer no fim do ano, quando o tradicional clube paulista foi rebaixado para a Segunda Divisão.

Marcos chegou a ameaçar sair, mas permaneceu no clube e liderou uma geração de moleques talentosos na conquista do título da Série B. Assim, consolidou-se ainda mais como ídolo palmeirense, por ter desprezado um time como o Arsenal.

Instabilidade às vésperas da Copa

A performance na Copa do Mundo de 2002 credenciaria Marcos a ser titular na Alemanha, em 2006, mas dois anos antes do início do Mundial o goleiro alviverde começou a viver uma fase de irregularidade. Uma contusão no punho esquerdo que o incomoda desde 2000 é a principal culpada, já que Marcos passou por cirurgias e períodos afastados do gol palmeirense.

Diante da impossibilidade de emplacar uma seqüência de partidas, o goleiro perdeu espaço para Dida, na seleção brasileira, e para Sérgio, no Palmeiras. Mesmo assim, faltando menos de um ano para a Copa do Mundo da Alemanha, Marcos é presença constante nas convocações de Parreira e basta saber se conseguirá a total recuperação para mais uma vez ser o camisa 1 do Brasil em 2006.

O outro lado do goleiro

Como a maioria dos jogadores, Marcos encontra na família e na religião os alicerces de sua conduta no estressante mundo do futebol profissional. Fala com sua mãe, Antônia, antes de toda e qualquer partida que defenderá o Palmeiras e a seleção brasileira. Ela lhe dá força. De sua mãe, Marcos também herdou a devoção católica. É possível notar em seu pescoço um escapulário, espécie de amuleto. Até hoje, o goleiro também guarda os santinhos de São Marcos que recebia de torcedores. Qualquer semelhança, aos olhos dos palmeirenses, não é mera coincidência.

Marcos é muito caseiro também. Dificilmente sai de casa para festas ou restaurantes. Pacato, o goleiro mantém sua família longe dos holofotes. Prefere poupá-los. Mas é impossível. Dessa forma, quando falha em algum gol ou o Palmeiras perde, o goleiro sofre com as brincadeiras que sua família é obrigada a escutar em Oriente. "Eu sei me defender, mas eles não são obrigados a escutar nada", garante o goleiro.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página