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Foto: Acervo/Gazeta Press

Sai que é sua, Zé Oscar!

Por Emanuel Novaes Colombari, especial para a GE.Net

Em 1980, o são-paulino comemorava uma das melhores duplas de zaga de sua história. A chegada de Oscar para formar o setor com o uruguaio Darío Pereira iria encher os olhos da torcida. Zagueiro de raça e segurança, o filho de "seu" Dino e "dona" Elvira marcou época por onde passou. Mas, anos antes, isso não aconteceria, se dependesse de Oscar.

O mineiro José Oscar Bernardi nasceu em 20 de junho de 1954, na cidade de Monte Sião. Sua tranqüilidade era quebrada na hora de jogar futebol, no qual, o jovem Zé Oscar (como é conhecido ainda hoje em sua cidade) jogava como goleiro. E foi numa dessas peladas que dirigentes da Ponte Preta o viram jogar e se interessaram por seu futebol. Tanto que, em 72, a Macaca o levou para Campinas, mas para ser zagueiro central. O jogador não se adaptava e, em seu primeiro ano, suas fugas para Monte Sião eram constantes, sendo convencido a ficar pelo técnico Mário Juliato, que o promoveria à condição de titular no ano seguinte, estreando em jogo contra o Juventus, na época comandado por Rubens Minelli. Vitória de 2 a 0 para o time de Campinas.

Foto: Acervo/Gazeta Press
Oscar, jogador da Ponte Preta em 1975

Oscar foi um jogador diferenciado em diversos sentidos. Como jogador, passava extrema segurança e se impunha, com caráter e personalidade. Fora dos campos, cursou fisioterapia enquanto defendia as cores da Ponte. Além disso, tinha um posicionamento político forte, até surpreendente para a época, chegando a afirmar que o Brasil não precisava de obras suntuosas, enquanto o povo no Nordeste morria de fome. "Quando se dá o peixe, a pessoa tem a solução para sua fome por um dia. Mas quando se ensina a pescar, solucionou-se o problema", afirmou certa vez.

Oscar jogou em alto nível pela Ponte e começou a chamar atenção. Em 77, foi vice-campeão paulista e estava no jogo em que o Corinthians pôs fim ao tabu de 24 anos sem ser campeão. Em 78, a convocação para a seleção brasileira da Copa de Mundo veio como algo natural, já que o zagueiro já freqüentava as seleções de base do Brasil. Aos 23 anos, o zagueiro estreava em gramados argentinos sob a batuta de Cláudio Coutinho, para a seleção que conquistaria o terceiro lugar invicto, sendo declarada "campeão moral" por seu treinador. Nada mal para quem, cinco anos antes, não queria seguir por esse caminho.

E não faltaram propostas para deixar a Ponte. Vasco, Portuguesa e Corinthians fizeram propostas. O zagueiro foi dado como reforço certo para o Palmeiras. Porém, o lado financeiro pesou, Oscar foi negociado com o São Paulo, mas foi antes jogar no emergente futebol norte-americano, no NY Cosmos. Surpreendendo, seis meses depois, estava de volta. "O que é ruim lá é a grama sintética e jogar de tênis", afirmou em 1980, em um cenário impensável hoje. Além disso, não se dava bem com o técnico do Cosmos, o alemão Hans Weiswaller. Com passagem pelo Barcelona, Weiswaller costumava privilegiar jogadores europeus. Insatisfeito no banco, Oscar negociou sua volta ao Brasil com o São Paulo. Assim, começaria uma parceria que faria história no Tricolor.

Publicação: 03/02/2006
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