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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . PARREIRA
Gazeta Press
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Da qualidade para a quantidade

Por Paulo Favero

Reconhecimento internacional, títulos e muita experiência no currículo. O técnico Carlos Alberto Parreira já conquistou tudo quanto é campeonato, mas em qualquer disputa que entra, quer mais. Ele mesmo costuma dizer sobre as suas taças. "Eu me preocupo muito mais com a qualidade do que com a quantidade", afirma. Por isso mesmo, tem no seu portfólio o tetracampeonato mundial na Copa dos Estados Unidos, a maior glória que um técnico de futebol pode alcançar.

Mas isso não foi suficiente para colocar o treinador no lugar dos maiores de nosso futebol. Ele precisava de um algo mais para cair nos braços do povo. E nada melhor do que comandar o Corinthians, o time da massa em São Paulo, para a conquista do título da Copa do Brasil, que dava ao Timão a tão sonhada vaga na Libertadores de 2003. E com isso ele caiu nos braços do povo, andou em carro de bombeiros e teve uma emoção tão grande quanto a da Copa do Mundo em 94, mas com um enfoque diferente.

Parreira nasceu no Rio de Janeiro em 1943 e, aos 23 anos, formava-se em Educação Física e técnico de futebol na Escola Nacional de Educação Física e Desportos. Ele trabalhou como preparador físico no São Cristóvão, Vasco, Fluminense e Seleção Brasileira olímpica e profissional. Também foi auxiliar técnico na Seleção olímpica em 72 e na seleção do Kuwait. Mas acabou se destacando mesmo como treinador. Em 67, foi para Gana comandar a seleção daquele país. "O futebol lá era jogado em campos de terra, muitos atuavam descalços e já existia o problema dos gatos porque eles não sabiam quando tinham nascidos", comenta.

E ele acabou ficando no continente africano e aproveitou ainda para aprimorar o seu inglês. Além disso, começou a se sobressair. Obteve o vice-campeonato da Copa Africana de Nações, em 68, e o título continental de clubes, pelo Kotoko SC, ambos em 68. Em 70, já estava no Fluminense, como preparador físico, e conquistou a Taça de Prata. Mas seu grande título foi no México, com a Seleção Brasileira: o tricampeonato mundial. Continuou no Flu e foi tricampeão carioca (71, 73 e 75) e esteve nos amistosos e nos Jogos Olímpicos, todos pela Seleção.

Em 1976, voltou para o exterior, desta vez para ser auxiliar, e posteriormente comandar, a seleção do Kuwait. Ficou até 82 e, para não mudar a rotina, muitas conquistas. Foi vice-campeão da Copa Ásia de Seleções em 76, campeão do Torneio Pré-Olímpico e campeão da Copa da Ásia de Seleções em 80 e vice-campeão dos Jogos Asiáticos e campeão da Copa do Golfo em 1982. Voltou novamente ao Brasil e em 83 trouxe com a Seleção o segundo lugar na Copa América. Em 84 foi campeão brasileiro com o Fluminense e resolveu dar um breve adeus ao Brasil.

Foi para o Oriente Médio e em 1985 foi vice-campeão da Copa do Golfo pela seleção dos Emirados Árabes. Mas em 1988 ganhou na final e colocou em seu currículo mais um título de campeão da Copa da Ásia de Seleções, desta vez com a Arábia Saudita. Em 91, comandando o Bragantino, chegou ao vice-campeonato Brasileiro, perdendo a final para o São Paulo de Telê Santana. Mas em 94 ele se tornaria um herói nacional ao conquistar o tetra nos Estados Unidos com a Seleção Brasileira. E quando chegou no Corinthians, em 2002, não sabia que a glória viria a curto prazo. Venceu o Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil e caiu nas graças da Fiel. E assim, parece que sua qualidade em títulos virou quantidade também.

A carreira do treinador só deslanchava e ele ainda foi ser técnico do Valencia (Espanha), Fenerbahce (Turquia), São Paulo, New York Metro Stars (Estados Unidos), Fluminense, Atlético-MG, Santos e Internacional-RS. No Flu, aceitou comandar a equipe na terceira divisão do Brasileirão e chegou ao título. Mas o grande triunfo acabou vindo no Corinthians, em 2002.

Diante de muita desconfiança, ele levou uma equipe sem estrelas ao título da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo. Resultado: caiu nos braços da Fiel e voltou à seleção brasileira depois da conquista do pentacampeonato mundial, no lugar de Luiz Felipe Scolari.

Seleção, de novo - Em mais uma passagem pela seleção, apesar de um início conturbado, Parreira logo conseguiu implantar novamente sua filosofia. Acabou com o esquema 3-5-2 de Felipão, e adotou o bom e velho 4-4-2. Na metade de 2004, o treinador teve seu primeiro grande momento vitorioso à frente da seleção em sua passagem atual: conquistou o título da Copa América, praticamente com um 'time B', batendo a Argentina, nos pênaltis, na final. Título para lavar a alma e impulsionar o trabalho rumo à Alemanha.

Às vésperas de encerrar a participação brasileira nas Eliminatórias, a situação da seleção é tranqüila e a classificação à Copa do Mundo de 2006 é questão de tempo. O elenco para o Mundial, embora ainda admita alguns reparos, está quase fechado. E o próprio Parreira não esconde: "Somos favoritos para o título mundial, porque temos mesmo os melhores jogadores. Precisamos saber lidar com esse favoritismo". Palavras de campeão.

Atualizado em 25/05/2005
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