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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ROMÁRIO
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Gazeta Press

O final de carreira

Descontente no Vasco, Romário acabaria trocando o clube de São Januário pelo Fluminense na metade de 2002. Nas Laranjeiras, confirmou que, mesmo aos 36 anos de idade, ainda tinha faro de gol bastante apurado: marcou nada menos que 16 gols naquela edição do Campeonato Brasileiro, conduzindo o Tricolor até às semifinais da competição nacional, quando foi eliminado pelo Corinthians.

O Baixinho continuaria a ter regalias nas Laranjeiras, tudo sob a complacência do então técnico Renato Gaúcho. No entanto, o treinador tricolor justificava o tratamento ao camisa 11 tendo como argumento a idade avançada do atacante e as atuações decisivas dentro dos gramados.

No início de 2003, Romário deixou o Brasil para jogar no Qatar. O Al-Sadd ofereceu nada menos que US$ 1,5 milhão por um contrato de apenas três meses. Apesar de ter engordado sua conta bancária, a passagem pelo futebol árabe manchou a carreira do Baixinho, que, por causa de lesões, jogou apenas três partidas e não marcou nenhum gol. "Se soubesse que seria tão ruim, não teria nem ido", disse ao retornar ao Rio de Janeiro.

De volta ao Flu, a decadência de Romário continuou. Uma série de três lesões seguidas na perna direita fizeram com que ele só conseguisse jogar com regularidade no final do Campeonato Brasileiro. Para piorar, o Tricolor atravessava uma péssima fase e corria sério risco de ser rebaixado para a segunda divisão.

Na seleção - O ano de 2004 marcou o 'primeiro adeus' de Romário ao futebol. Dispensado em outubro do Fluminense, o Baixinho promoveu a sua primeira despedida da seleção brasileira com um amistoso entre veteranos da conquista do tetracampeonato mundial, em 1994, e ex-atletas da seleção mexicana. A ocasião também marcaria a despedida do fanfarrão goleiro mexicano Jorge Campos.

O jogo, disputado em Los Angeles, no dia 11 de novembro de 2004, acabou com o placar de 2 a 1 para os brasileiros, justamente com dois gols do Baixinho. O camisa 11 deixaria o gramado aos 40 minutos do segundo tempo, para dar uma volta olímpica, a última em gramados internacionais com a seleção brasileira.

No dia 27 de abril de 2005, o Baixinho novamente se despediria da seleção, desta vez em território nacional. O adversário seria a modesta Guatemala, em amistoso a ser realizado no Pacaembu, em São Paulo, e que também marcaria o aniversário de uma emissora de televisão. O camisa 11 começou o jogo como titular da equipe comandada por Carlos Alberto Parreira, e, mesmo atuando em São Paulo, foi ovacionado pela torcida presente ao estádio. Mas nem o fato de atuar longe de sua casa, o Rio de Janeiro, desanimou o jogador." A minha casa é o Rio de Janeiro, o ideal é que a despedida fosse lá. Mas sempre tive o carinho para com os paulistas e agora aqui passou a ser minha casa", disse.

Aos 16 minutos de jogo, o atacante marcaria seu 71º e último gol com a camisa verde e amarela: depois da bobeada do goleiro da Guatemala, a bola sobraria para o meia Ricardinho na esquerda. O jogador do Santos cruzou de primeira para dentro da área da Guatemalteca e Romário, de cabeça, mandou a bola para o gol vazio.

O Baixinho continuaria em campo até os 38 minutos da etapa inicial, quando a partida foi paralisada para que o atacante, escoltado por ex-companheiros como Dunga, Branco, Raí, Viola e Paulo Sérgio, desse a sua última volta olímpica com a camisa da seleção, desta vez no Brasil. "Não podia ser mais bonito. Foi lindo e agora sei que acabou", declarou o jogador, logo após sair do gramado e passar pelas numeradas do Pacaembu, sendo reverenciado pela torcida brasileira.

Começando a dizer adeus - Em 2005, Romário voltaria pela segunda vez ao clube que o revelou, o Vasco da Gama, prometendo que este seria o derradeiro ano de sua carreira. Disputou o Campeonato Carioca pela equipe de São Januário, mas acabou não tendo sucesso dentro da competição.

O mesmo não se pode dizer do Campeonato Brasileiro: mesmo participando de apenas 33 jogos (não disputou a maioria dos jogos da equipe fora de casa), o Baixinho chegou aos 22 gols e, aos 39 anos, se tornou o mais velho artilheiro do Campeonato Brasileiro em seus 25 anos de história. "Estou feliz por mim, pelos meus filhos, pela minha família, pelas pessoas que me amam, que sempre acreditaram em mim. Falavam que tinha encerrar a carreira, mas mostrei que ainda posso dar muito", afirmou Romário, com lágrimas nos olhos, após a vitória sobre o Paraná, na última rodada da competição.

Em 2006, o Baixinho disputa o Campeonato Carioca pelo Vasco e, antes de passar pelo clube cruzmaltino pela quarta e última vez, defende o Miami FC na ULS, liga secundária do futebol norte-americano, e o Adelaide, da Austrália, marcando um gol em quatro jogos. Antes de seguir para o futebol da Oceania, o artilheiro chega a acertar com o Tupi de Juiz de Fora (MG), mas não joga porque o prazo das transferências internacionais já estava encerrado.

Gol mil: O ano de 2007, porém, marcaria a carreira do Baixinho. De volta ao Vasco, Romário atinge a marca de 1000 gols no dia 20 de maio, na vitória por 3 a 1 sobre o Sport, pelo Campeonato Brasileiro, em São Januário. “Eu poderia estar falando de vários acontecimentos do dia-a-dia, da rotina brasileira, mas não quero”, disse o jogador após o gol.

“Não preciso fazer média. Até quem não gosta vai ter de me respeitar. Esse milésimo valeu para realizar um sonho meu, das pessoas que me amam. As que não gostam vão ter que respeitar pelo fato de eu ter alcançado uma marca que só um jogador tinha na carreira, o maior de todos”, completou, referindo-se a Pelé.

Para que Romário atingisse a marca do Rei, aliás, o Vasco passou a transformar jogos-treinos em oficiais. “O Pelé não contava os gols que marcava em um jogo contra a seleção do exército? Não conta o gol de terno e gravata de pênalti, que fez antes da demolição do estádio de Wembley? Por que eu não posso contar nesses jogos?", argumentou Romário, que dias depois pediu desculpas por mais uma troca de farpas com Pelé.

Depois do sonhado e perseguido milésimo, Romário anotaria mais dois gols, o último no dia 9 de julho de 2007, pelo Campeonato Brasileiro, em jogo contra o Grêmio. Em dezembro, é flagrado no exame antidoping por uso de finasterida, substância presente em tônicos capilares, e acaba suspenso por 120 dias. No fim do ano, meio a contragosto, o jogador aceita o convite de assumir a função de técnico do Vasco na temporada seguinte.

Em 2008, Romário inicia o ano como treinador, mas a experiência não dura muito: em 6 de fevereiro, pede demissão do cargo reclamando de interferência do presidente Eurico Miranda na escalação da equipe. “Eu ia escalar o Abuda e me pediram para escalar o Alan Kardec porque precisavam colocá-lo para jogar para vendê-lo para o exterior. Então eu agradeci, pedi meu boné e fui embora”.

Na semana seguinte, após se emocionar durante seu próprio depoimento e chorar, Romário é absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e tem a pena de doping suspensa. Mesmo com contrato até 31 de março, o herói do tetra não voltaria a defender o Vasco. No dia 28 de março, anuncia aposentadoria do futebol a um jornal carioca, mas horas depois recua. Em 14 de abril, porém, confirma o encerramento oficial de sua carreira aos 42 anos.

Atualização em 15/04/2008
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