|
A volta ao Brasil
| Gazeta Press |
 |
No início de 1995, o novo presidente do Flamengo, Kléber Leite,
sonhava fazer um time imbatível no ano do centenário de seu clube.
Para isso, nada melhor que trazer de volta ao Brasil aquele que
era, indiscutivelmente até para a Fifa, o maior craque do
mundo em atividade. Assim, o Baixinho da camisa 11 estava de volta
ao Brasil.
Logo no início, deu o ar de sua graça, com a artilharia do Campeonato
Carioca ao lado de Túlio, do Botafogo. O rubro-negro termina o campeonato
na segunda colocação. No segundo semestre, a desastrosa campanha
flamenguista no Campeonato Brasileiro abalou o prestígio do atacante.
Um time que tinha, além de Romário, Sávio e Edmundo na frente, passou
a ser motivo de gozação dos adversários.
Em 96, a redenção com o título carioca. Mas na metade do
ano uma transação levou o jogador de volta à Espanha, para
atuar no Valencia. Sua atuação apagada o fez retornar à equipe
da Gávea, desta vez por empréstimo, apenas meio ano depois.
Sua segunda passagem pelo clube espanhol, na metade de 97,
foi mais breve ainda. Logo que chegou, topou de frente com
o técnico Luís Aragonés, que o acusava de "querer mandar no
clube". Dois meses depois, ele voltaria, pela terceira vez,
ao Flamengo. Sua terceira passagem pelo clube lhe rendeu a
artilharia do Carioca de 98 e o título estadual de 99. Mas
em todas as suas passagens pela Gávea, Romário não conseguiu
trazer nenhum título mais importante.
| Gazeta Press |
 |
No final de 99, o então recém-chegado presidente, Edmundo dos Santos
Silva, demitiu o atacante "por justa causa", devido às suas constantes
faltas aos treinos. Ao sair, o jogador acertou com o Vasco, seu
primeiro clube, e passou a cobrar do Flamengo uma dívida de R$ 4milhões.
Terminava de maneira melancólica a Era Romário no Flamengo.
O Baixinho voltou a São Januário com a promessa
de dar o título do Mundial da Fifa à sua nova equipe e fazer
uma dupla matadora com Edmundo. Mas sua promessa não pôde
ser cumprida. A equipe cruzmaltina perdeu a taça nos pênaltis
para o Corinthians. Logo depois, a derrota em mais uma decisão:
o Rio-São Paulo para o Palmeiras. Quando o Vasco já perdia
por 3 a 0, o Baixinho deixou o campo machucado.
Para compensar, o time levantou a Taça Guanabara 2000, com
Romário marcando três gols em cima do seu ex-time, o Flamengo.
A goleada de 5 a 1 teve para o Baixinho o doce sabor da vingança.
Esta só não foi maior porque na grande decisão
do Campeonato deu Flamengo, que levou o bicampeonato.
Romário só voltaria a levantar uma taça
pelo Vasco no final de 2000, e de maneira heróica.
Na partida decisiva da Copa Mercosul, contra o Palmeiras,
o time cruzmaltino precisava da vitória, mas encerrou
o primeiro tempo perdendo por 3 a 0. Comandado pelo Baixinho,
o Vasco virou o jogo na segunda etapa para 4 a 3 e garantiu
o título. Romário fez três gols e ainda
participou da jogada do gol de Juninho Paulista.
Para encerrar o ano com chave de ouro, vem a conquista da
Copa João Havelange, sobre o São Caetano. Romário
marcou um na vitória de 3 a 1, conquistando o primeiro
título nacional de sua história. Aos 34 anos,
o atacante voltou a ser unanimidade na seleção
e o principal responsável pelos títulos de seu
clube.
A péssima campanha da seleção nas Eliminatórias
para a Copa do Mundo de 2002, entretanto, fez com que o Baixinho
não fosse mais lembrado pelo técnico Luiz Felipe Scolari.
"Chamo os jogadores que estiverem em melhor forma física
e técnica", disparou o gaúcho em uma das convocações.
A resposta de Romário veio em seguida, marcando quatro gols
na goleada do Vasco sobre o Guarani por 7 a 0. Mas de nada resolveu.
Felipão deixou Romário no Brasil e, debaixo de críticas,
levou Ronaldo. O Fenômeno levou o Brasil ao pentacampeonato
e ninguém mais lembrou da ausência do Baixinho.
|