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Atualização: 17/01/2008
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . RUBENS BARRICHELLO

O fiel escudeiro de Schumacher

Foto: Túlio Vidal/Gazeta Press
Foto: Túlio Vidal/Gazeta Press
Nome: Rubens Gonçalves Barrichello
Data de nascimento: 23 de maio de 1972
Local: São Paulo (SP)
Equipes na Fórmula 1: Jordan, Stewart, Ferrari e Honda
Principais conquistas: Brasileiro de kart (cinco vezes), Fórmula Opel e Fórmula 3 inglesa
Principal nome do automobilismo brasileiro entre os anos 90 e 2000, o grande desafio de Rubens Barrichello na Fórmula 1 sempre foi manter a tradição dos pilotos que fizeram história no país, como Fittipaldi, Piquet e Senna. Entretanto, longe de seguir a tradição de seus antecessores, Rubinho inaugurou um novo papel para os brasileiros: o de escudeiro.

O paulistano começou no automobilismo logo aos nove anos de idade, participando das competições de kart. Em nove anos na categoria, conquistou o pentacampeonato brasileiro, o que lhe deu credencial para disputar a Fórmula Ford em 89. Quarto colocado no campeonato, foi convidado a realizar testes em duas equipes da Fórmula Opel européia. Com uma impressionante performance, batendo recordes de circuitos nos quais jamais havia corrido, Barrichello logo assinou um contrato para disputar a temporada de 1990 pela Draco. No ano de estréia, conquistou o título da categoria com vitórias em seis das 11 provas disputadas.

O curioso é que Rubinho nem sequer poderia disputar a competição, pois ainda não tinha 18 anos, idade mínima exigida. Para driblar o regulamento, ele passou a usar a carteira de identidade de seu pai, que tem o mesmo nome e faz aniversário exatamente no mesmo dia que ele. Como ninguém suspeitou...

Em 91, Rubinho disputou com sucesso a Fórmula 3 inglesa. Com quatro vitórias, levantou mais um troféu em sua carreira, o que o levou a disputar em 92 a Fórmula 3000. Aos 20 anos, o brasileiro já estava no último degrau antes da Fórmula 1. Correndo pela jovem equipe Il Barone Rampante, Rubinho não teve um bom início de temporada, situação que só começou a melhorar depois que a escuderia trocou o motor Judd Zytec pelo Ford Mader. Depois disso, o piloto reagiu no campeonato e terminou a competição no terceiro lugar, sendo considerado pela imprensa uma das promessas do automobilismo.

Já no ano seguinte, Barrichello ingressou na categoria mais importante do automobilismo mundial, assinando contrato com a então promissora equipe Jordan. Seu desempenho no ano de estréia foi bastante satisfatório, passando muito perto de subir ao pódio logo na sua terceira corrida, no GP da Europa. Não fosse um problema de combustível a seis voltas do fim, ele teria conseguido.

O primeiro pódio, no entanto, só chegaria em 94, quando completou em terceiro lugar o GP do Pacífico. Neste ano, o brasileiro realizou uma grande campanha, terminando a temporada na sexta colocação, com 19 pontos, e conquistando a sua primeira pole position na categoria, no GP da Bélgica. O ano foi principalmente de consolidar sua imagem de grande promessa.

No entanto, em seu grande ano, Rubinho também assistiu à grande tragédia da Fórmula 1. No GP de San Marino, Rubinho viu seu ídolo Ayrton Senna morrer ao bater sua Williams violentamente na curva Tamburello. O acidente foi marcante na vida e na carreira de Barrichello, que nos treinos livres para o mesmo GP sofreu aquele que talvez seja o maior susto de sua carreira. A 225km/h, Rubinho acertou a zebra da Variante Baixa e viu seu carro decolar. O carro voou para fora da pista e se espatifou nos pneus. Rubinho fraturou o nariz e foi tirado do carro inconsciente, ficando de fora daquela corrida.

Nos dois dias seguintes, Rubinho assistiu de fora da pista à morte de Roland Ratzenberger e de seu grande ídolo Ayrton Senna. Aos 22 anos, ele se viu na obrigação de substituir o maior nome do automobilismo brasileiro. Entretanto, sua técnica era obviamente inferior ao do tricampeão mundial, o que só contribuiu para aumentar ainda mais as cobranças e as críticas. Nos anos seguintes, uma série de problemas com sua Jordan o fez passar por campanhas decepcionantes (foi 11º em 95 com 11 pontos e 8º em 96, com 14).

Assim, Barrichello deixou a equipe de Eddie Jordan ao fim de 96, quando aceitou o convite de Jackie Stewart para competir pela sua escuderia, que estreava em 97 na Fórmula 1 e que prometia dar muito trabalho para grandes equipes. Em meio a tanta expectativa, sua primeira temporada foi frustrante, pontuando apenas com o segundo lugar em Mônaco. Mesmo assim, Rubinho era um sonho antigo de Stewart, que sonhava em ter o piloto desde suas equipes em categorias-escola.

O ano de 98, no entanto, foi ainda pior. Rubinho completou apenas seis das 16 provas disputadas, somando míseros quatro pontos ao longo do ano. Com problemas de confiabilidade no carro, o piloto só voltou a passar por um bom momento em 99, quando fez sua melhor temporada na Fórmula 1 até então. Foram 21 pontos, além de três pódios e uma pole. Sétimo colocado naquele ano, Rubinho garantiu então um contrato como segundo piloto da Ferrari em 2000.

Chance na Ferrari. Mas com Schumacher - Rubens Barrichello foi contratado pela escuderia italiana com o claro objetivo de contribuir para que Schumacher conquistasse o tricampeonato mundial, acabando com o incômodo jejum de 21 anos sem títulos da equipe de Maranello. No início, o brasileiro acreditou que poderia ir além e brigar pelo título com o alemão, mas os primeiros resultados não foram muito animadores. Rubinho não era rápido o bastante para acompanhar as duas McLaren e o próprio Schumacher.

Só no decorrer do ano é que o brasileiro percebeu que sua função na escuderia era apenas a de colaborar para o título de seu companheiro de equipe. Depois disso, os resultados passaram a ser melhores, com Barrichello chegando inclusive à sua primeira vitória na Fórmula 1, no GP da Alemanha. Naquele dia, Rubinho largou em 18º sob a forte chuva de Hockenheim, mas decidiu não trocar os pneus depois da água e acabou terminando a corrida no primeiro lugar.

O brasileiro encerrou a temporada na quarta colocação, com 62 pontos, mas sem conseguir superar seus principais adversários. Mesmo assim seu papel foi cumprido, já que Schumacher conquistou o tão sonhado título para a escuderia. Por isso, já adaptado à nova equipe e acostumado com a condição de segundo piloto de Schumacher, Barrichello tinha motivos para acreditar que faria em 2001 uma temporada melhor que a anterior. Mas não foi o que aconteceu.

Se Michael Schumacher obteve o tetracampeonato até com certa facilidade, Rubinho passou o ano em branco, sem conseguir uma vitória sequer. O brasileiro cumpriu bem o seu papel de segundo piloto, chegando inclusive a permitir a passagem do alemão na última curva do GP da Áustria, para que este conquistasse a segunda posição. Título garantido para o alemão, todas as atenções da Ferrari nas cinco últimas provas voltaram-se para que Barrichello levasse o vice-campeonato, garantindo assim uma dobradinha inédita na história da equipe.

Porém, mesmo com os papéis invertidos, com Schumacher ajudando o seu companheiro, o objetivo não foi alcançado. O vice ficou com o escocês David Coulthard, e a maior alegria de Rubinho em 2001 foi mesmo fora das pistas, com o nascimento de seu primeiro filho, Eduardo. Assim, a temporada de 2002 tinha tudo para não ser, de novo, das melhores para Rubinho. O mau desempenho do ano anterior praticamente tirou o brasileiro dos planos da equipe italiana. Barrichello teria que mostrar serviço para ganhar sobrevida na Ferrari, que tinha o melhor carro mais uma vez.

Agora, nem McLaren nem Williams poderiam apresentar algum perigo, pelo menos para a conquista do pentacampeonato de Michael Schumacher. E foi o que aconteceu. O alemão faturou o título com o dobro de pontos do vice-campeão. A briga ficou restrita à prata do Mundial, e Barrichello – que teve um início de temporada complicado, sem pontuar nas três primeiras corridas – brigava ao lado do alemão Ralf Schumacher e do colombiano Juan Pablo Montoya, ambos da Williams, pelo vice-campeonato.

E Rubinho não fez feio – para a equipe. Novamente no GP da Áustria, o brasileiro trocou de posição com seu companheiro já na linha de chegada e abriu mão de sua primeira vitória no ano, na mais decepcionante corrida para a torcida brasileira. Tal atitude, muito criticada em todo o mundo e vaiada no autódromo, valeu crédito para Barrichello dentro da Ferrari, que desistiu de substituí-lo. Já no GP da Hungria, o pentacampeão retribuiu o favor e deu passagem para o brasileiro vencer a corrida.

Com o aval da Ferrari, os resultados passaram a vir. Rubinho venceu quatro provas na temporada (Europa, Hungria, Itália e Indianápolis, três delas nas últimas cinco corridas) e garantiu o troféu de vice-campeão do Mundial de 2002. Nada mal em um ano em que Schumacher venceu 11 das 17 corridas.

Porém, quem esperava ver Rubinho brigando pelo título em 2003 caiu do cavalo. Mais uma vez, o alemão Michael Schumacher foi o centro das atenções da Ferrari, e Rubinho permaneceu correndo para ajudar o campeão. Mas ao contrário do domínio fácil na temporada passada, a escuderia italiana foi surpreendida pelo bom desempenho da Williams de Juan Pablo Montoya e pela McLaren de Kimi Raikkonen. O título mais uma vez ficou com Schumacher, mas a decisão aconteceu apenas na última prova, no Japão.

Com o desempenho das rivais, o quadro ficou mais complicado para Barrichello, que terminou o ano com o quarto lugar na classificação geral, com 65 pontos (28 a menos que Schumacher), com duas vitórias durante a temporada (Inglaterra e Japão) e o papel que lhe designaram na Ferrari. Dessa forma, o brasileiro conquistaria o vice-campeonato novamente em 2004, em mais uma temporada dominada que equipe vermelha. Ao todo, foram 14 pódios em 18 GPs, com duas vitórias e 114 pontos – contra 16 pódios, 13 vitórias e 148 pontos de Schumacher.

Rubinho se despediu da Ferrari ao final da temporada de 2005, na qual terminou sem vitórias e apenas com a oitava colocação. A equipe sofreu com a falta de ritmo – culpa de seus novos pneus Bridgestone – e não conseguiu sequer o título com Schumacher, batido pelo jovem espanhol Fernando Alonso. Assim, em 2006, Rubinho fez as malas e foi correr na ascendente Honda.

Na Honda, nova decepção - Em sua primeira temporada na equipe japonesa, na qual corria ao lado de Jenson Button, Rubinho não brigou por pódios. Mesmo assim, pontuou em 10 das 18 corridas do ano, terminando a temporada como sétimo colocado e com 30 pontos. O brasileiro, no entanto, teve seu desempenho ofuscado pelo de Button, que venceu o GP da Hungria e foi outras duas vezes ao pódio, fechando o ano como o sexto melhor piloto do Mundial.

Barrichello não teve um bom ano em 2006, uma vez que a Honda era uma potencial vencedora de provas. Nas primeiras corridas do ano, Rubinho sofreu com o carro, que não se adaptava a seu estilo de frenagem. O pódio quase veio no GP de Mônaco, quando ele correu com o capacete do amigo Tony Kanaan. No entanto, um drive-through imposto pela direção de prova minou aquele que seria o melhor resultado do brasileiro com o time.

O pior, no entanto, veio em 2007. Com problemas em seu túnel de vento na pré-temporada, a Honda colocou o fraco modelo RA107 nas pistas, o que trouxe um desempenho pífio para sua dupla de pilotos. Button somou míseros seis pontos em três ocasiões, mas Rubinho não teve a mesma sorte e terminou o ano pela primeira vez na carreira sem pontuar.

Mesmo assim, o esforço da dupla foi premiado. Como mea culpa, a Honda renovou o contrato dos dois para a disputa de 2008 da Fórmula 1, quando a equipe correrá com o modelo RA108 que promete deixar para trás a performance de seu primeiro carro ecológico. Por sinal, com mais cinco corridas pela equipe, Rubinho se tornará o piloto com o maior número de corridas disputadas, superando as 257 de Riccardo Patrese.


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