| Foto: Divulgação |
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Nome: Alexandre Abrahão de Barros
Data de nascimento: 18 de outubro de
1970
Local: São Paulo, SP
Principais conquistas:
. Bicampeonato Brasileiro de Ciclomotores 1978/79
. Campeão Brasileiro de 50 cc 1981
. Campeão Brasileiro de 250 cc 1985
Vitórias na MotoGP:
. GP da Europa, em Jerez de La Frontera, em 1993
. GP da Holanda e Alemanha, em 2000
. GP da Itália, em Mugello, em 2001
. GP do Pacífico, em Motegi, e Valência,
em 2002
. GP da Malásia, em 2003
. GP de Estoril, em 2005 |
Alexandre Barros é um caso isolado de sucesso do motociclismo,
sendo o único representante brasileiro da elite de um esporte
de pouca expressão no país. Esporte esse que, ao contrário
do automobilismo, no qual o Brasil revela campeões com freqüência
impressionante, é pouco reconhecido pelo público.
Foi nesse cenário que nasceu Alexandre Abrahão de Barros,
paulistano do dia 18 de outubro de 1970. Alex se envolveu
com motos logo aos três anos de idade, quando seu pai, Antônio
Maria Coelho de Barros – que era ciclista – lhe deu uma moto.
Aos sete, em 1977, Alex começou a correr o campeonato paulista
de ciclomotor, disputado em mobiletes. Era o início de uma
trajetória nacional sem precedentes.
No ano seguinte, ele assinou seu primeiro contrato como
profissional, antes de conquistar o bicampeonato da categoria
em 79 e 80. Em 1981, foi “promovido” ao quarto lugar no Campeonato
Paulista de motociclismo na categoria 125cc especial, além
de vencer a Prova dos Campeões, disputada em 1982 no Rio.
O piloto ainda foi vice-campeão paulista e 3° colocado no
campeonato brasileiro de motovelocidade em 83, garantindo
recordes na pista de Interlagos em todas as categorias que
disputou .
Nesse momento, com 13 anos, Alexandre já havia trilhado
em sua mente o seu destino. O objetivo: disputar o Mundial
de 500cc ao lado dos pilotos mais velozes do mundo e, como
o seu ídolo, o norte-americano Kenny Roberts, se tornar um
campeão. Para realizar seu sonho, não mediu esforços. Em 1985,
quando era a sensação correndo de minibikes em São Paulo,
foi mandado para a Espanha. Foi necessário até mentir a idade,
já que era preciso ter mais de 18 anos para disputar o Campeonato
Mundial de 80cc. Aos 15 anos, Alex estreou e impressionou
a Europa em 1986, vencendo o Grande Prêmio da Espanha de 80cc.
Não demorou muito e o promissor piloto da 80cc se mudou
para a 250cc em 1989, antes de realizar seu sonho e ser contratado
para correr pela Cagiva na categoria 500cc em 1990, quando
ainda era um adolescente. Em seu primeiro ano, o piloto conquistou
57 pontos e o 12º lugar no campeonato. Em 91 e 92, como companheiro
de Eddie Lawson, Alex foi 13º. Na temporada de 1992, conquistou
seu primeiro pódio no GP da Holanda e sua primeira volta mais
rápida no GP da Hungria.
Lawson, por sinal, foi reconhecidamente um dos principais
tutores do brasileiro nas então 500cc. O norte-americano foi
o responsável por alguns dos truques adotados por Barros na
pista, como brecar antes da curva e não dentro dela, acrescentando
velocidade nas saídas. Foi também o campeão das temporadas
de 84, 86, 88 e 89 que mostrou o funcionamento do “universo
das 500cc” ao então novato.
Porém, após três anos lutando contra seu equipamento na
Cagiva, Alexandre finalmente foi para a Suzuki, onde conseguiu
alcançar a primeira vitória. Foi em Jerez de la Frontera,
na última corrida da temporada de 93, depois de estar perto
do primeiro lugar em duas provas. No entanto, foram outros
dois anos não tão bem-sucedidos na Suzuki, o que colocou o
brasileiro na Kanemoto Honda em 95.
Em seguida, Barros trocou o modelo V4 por uma Honda V-twin,
com a qual venceu a Copa IRTA em 1997. Já na temporada de
1998, retornou ao modelo Honda V4. Em 1999, o brasileiro fez
novamente as malas e foi para a West Honda Pons, na qual correria
com a mesma máquina. E foi aí que sua sorte começava a virar.
Mesmo perdendo alguns dos treinos de pré-temporada, Alexandre
continuou na equipe do espanhol Sito Pons em 2000, tendo o
italiano Loris Capirossi como seu companheiro e novo patrocinador.
Nesse ano, Alex fez sua primeira pole, no GP da Itália, e
conquistou vitórias na Holanda e na Alemanha. De contrato
renovado em de outubro de 2001, o brasileiro começou a trilhar
os caminhos daquela que seria sua melhor temporada na categoria.
Em 2002, Alexandre venceu outras duas vezes: nos GPs do
Pacífico (Motegi, Japão) e de Valência (na Espanha, última
prova do campeonato). O piloto ainda chegou entre os três
primeiros em seis corridas e deixou de completar apenas duas
provas, o que contribuiu para a soma dos seus 204 pontos.
Acabou como quarto colocado do ano, atrás do campeão Valentino
Rossi (355 pontos), do italiano Max Biaggi (215) e do japonês
Tohru Ukawa (209), com a briga pelo vice-campeonato aberta
até o final da temporada.
Em 2003, no entanto, Barros não conseguiu repetir as boas
corridas do ano anterior. Pilotando pela Gauloises Tech 3
Yamaha, ele somou 101 pontos no ano e ficou com o nono lugar
na classificação geral. O título ficou mais uma vez com o
italiano Valentino Rossi. A única vitória de Barros no ano
aconteceu na Malásia. A segunda melhor posição do brasileiro
foi um quarto lugar no GP do Brasil.
Para 2004, a promessa era outra. Pilotando pela Repsol Honda,
equipe campeã de 2003 com Valentino Rossi, Alexandre Barros
viu suas elevadas expectativas acabarem frustradas com mais
um quarto lugar no Mundial, levando-o para a Camel Honda.
Com novos desempenhos abaixo do esperado e apenas uma vitória
em 2005, no GP de Portugal, Barros decidiu passar o ano seguinte
nas Superbikes.
Foi uma temporada “sabática” das mais produtivas. Apesar
de ter pago cerca de R$ 350 mil do próprio bolso para correr
pela Klaffi Honda e de se aproximar do ocaso profissional,
o já experiente brasileiro conseguiu dar novas mostras de
talento. Alex foi o sexto colocado da temporada, mesmo sem
vitórias, o que lhe valeu um convite para correr novamente
na MotoGP. Agora, pela modesta Pramac d’Antin.
Novamente, ele não decepcionou. Com pontos em 14 das 18
corridas, o brasileiro terminou o ano no décimo lugar com
115 pontos, brilhando com o terceiro lugar no GP da Itália
e ainda se consagrando como o piloto com o maior número de
participações em provas da história da motovelocidade – entre
80cc, 125cc, 250cc, 500cc e MotoGP, foram 276 registros.
Em novembro de 2007, pouco antes de encerrar a temporada
da MotoGP em Valência e novamente cotado para as Superbikes,
Barros anunciou o adeus. “Comecei a correr em 1986, no último
ano de Ángel Nieto e do primeiro título de Aspar (o espanhol
Jorge Martinez, tricampeão das 80cc entre 86 e 88). São muitas
as lembranças que deixo no paddock”, disse o brasileiro, sétimo
lugar em sua 276ª e última corrida.
Habilidade e serenidade - A fama de que pilotos brasileiros
são talentosos até em enxurradas pôde ser confirmada não apenas
por Ayrton Senna e Rubens Barrichello, mas também sobre duas
rodas. O Grande Prêmio da Itália, quinta etapa do Mundial
de MotoGP de 2001 e vencido por Alexandre Barros, foi prova
desse diferencial.
Realizada em Mugello, a corrida foi marcada pela chuva torrencial,
que chegou a interromper a prova, e pelo brilhante desempenho
de Alexandre em pista molhada. Embora tenha cruzado a linha
de chegada em segundo, o brasileiro teve o melhor desempenho
na soma dos tempos das duas baterias que acabaram sendo realizadas.
Seu companheiro na equipe Emerson Honda Pons, o italiano Loris
Capirossi, foi o segundo colocado, seguido pelo também italiano
Max Biaggi, na terceira colocação.
A prova foi iniciada com pista seca, mas a partir da quinta
volta a forte chuva passou a comprometer a segurança dos pilotos
e na sétima volta o diretor da corrida decidiu paralisá-la.
Depois da troca dos pneus lisos pelos pneus biscoito, um dos
quase 20 tipos que podem ser utilizados em corridas, os pilotos
voltaram à pista para uma segunda bateria de 16 voltas.
Novamente sobre o aguaceiro, Barros teve dificuldades para
manter sua Honda com o mesmo desempenho apresentado no traçado
seco, embora sua performance na chuva tenha sido muito superior
à dos demais pilotos e mantido o brasileiro na primeira colocação
na soma dos tempos das duas baterias. Líder do campeonato,
Valentino Rossi estava na primeira colocação da segunda bateria
até sofrer uma queda. Na última volta.
Mas nem só de habilidade é feita a carreira de um piloto.
Apesar de correr a mais de 300 quilômetros por hora em uma
moto, Alexandre é uma pessoa calma e que encontra na família
o seu grande passatempo. Seus filhos são seu grande estímulo
para se dedicar 100% ao esporte, embora sejam deixados de
lado nos momentos em que o paizão está em cima de uma moto.
Quando questionado sobre o que passa em sua mente durante
uma corrida, o piloto disse sentir-se a pessoa mais feliz
do mundo, mas mantendo a concentração para fazer a melhor
curva, sempre o mais rápido possível para obter a maior velocidade
na reta, seguindo a obsessão de se aperfeiçoar a cada volta.
Comparado aos demais pilotos, Alexandre é bastante calmo.
Talvez o segredo para tamanha tranqüilidade esteja na oração
que o piloto sempre faz antes de entrar na pista, ritual que
ele denomina como uma "oração pessoal".
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