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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CARLOS PACE
Foto Gazeta Press
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Um sonho interrompido

Por Daniel Frazão

"Eu, ídolo? Nunca. Nem sonhei com isso como tanta gente faz. Eu sonhava em ser profissional, em viver disso. Minha fronteira era Interlagos e era ali que me imaginava melhor." A declaração foi feita pelo piloto brasileiro José Carlos Pace em 1975, numa entrevista à Folha de S. Paulo, e soa atualmente como uma profecia. Afinal, em cinco anos de Fórmula 1, ele ganhou apenas uma corrida na carreira: justamente o GP do Brasil, em Interlagos. Morto dois anos depois, deu nome ao autódromo paulistano, terminando esquecido pela maioria dos brasileiros.

Moco, como era chamado pelos amigos, entrou na principal categoria do automobilismo internacional em 1972. Começou correndo na March, do inglês Frank Williams, dono da Williams de hoje. Mesmo assim, ele continuou atuando na Fórmula 2, principal campeonato de acesso da época, no time de John Surtees, ex-piloto e campeão de 1964. No entanto, seu melhor resultado na temporada acabou sendo um quinto lugar no GP da Bélgica. O carro ainda não era competitivo e não completou quatro etapas por conta de problemas mecânicos na maioria das vezes.

Em 1973, Pace se transferiu para a escuderia de Surtees na Fórmula 1, mas os resultados continuaram minguados. Para se ter uma idéia, ele abandonou logo nas quatro primeiras corridas. Pelo menos, conseguiu o primeiro pódio de sua trajetória, obtendo uma terceira colocação no GP da Áustria. Contudo, recusou uma mudança para a Ferrari nesse período, equipe que defendia no Campeonato Mundial de Marcas. Moco preferiu levar em consideração a amizade e a lealdade com Surtees. Enquanto isso, seu também amigo Emerson Fittipaldi já tinha um título e algumas vitórias guiando a Lotus preta.

Porém, enfim veio o momento no qual Pace entraria no cockpit de uma equipe grande. Em 1974, ele recebeu o convite do britânico Bernie Ecclestone para defender a Brabham. Assim, Moco passou a ser companheiro do argentino Carlos Reutemann, futuro vice-campeão em 1982. Os resultados melhoraram, mas ele demorou para engrenar uma pontuação que o pusesse como postulante ao título da temporada. Mas a proximidade da primeira vitória foi anunciada no GP dos Estados Unidos, quando faturou um segundo lugar.

A vitória no GP do Brasil

Após três anos completados na F-1, enfim José Carlos Pace ganhou sua primeira corrida na categoria em 1975. A cidade de São Paulo fizera aniversário no sábado e Interlagos recebia a quarta edição do GP do Brasil. Moco conseguiu a sexta posição no grid de largada e já corria para surpreender o público. O domingo amanheceu quente e seco, a ponto de os bombeiros esguicharem água com mangueiras para refrescar os torcedores. Emerson Fittipaldi era o segundo antes da luz verde.

Na primeira curva, o francês Jean Pierre Jarier, da Shadow, perdeu o primeiro lugar da pole position para Reutemann, tentando dar o troco ainda antes da segunda passagem. Entre a quarta e a quinta volta, ele passou o argentino no final do retão, reassumindo a ponta da corrida. Pace, por sua vez, buscava o segundo lugar, administrando os ataques de quem vinha atrás. Na 13ª volta, o paulista teve a chance de ultrapassar seu companheiro de Brabham, ficando em segundo. Só que a vantagem de Jarier já estava em 19 segundos, fazendo-o favorito para a vitória.

Já Fittipaldi conduzia a sua McLaren para completar a dobradinha. No começo, ele não conseguia ultrapassar a Tyrrell de Jody Scheckter. Mas o sul-africano abandonou a corrida e Emmo foi para cima do austríaco Nick Lauda. Entre a 24ª e 25ª volta, ele deixou a Ferrari para trás e apareceu em terceiro. O público brasileiro não sabia muito bem para quem torcer, demonstrando uma certa preferência por Emerson. Na 32ª volta, Jarier saiu da corrida com um problema na bomba de óleo e um pneu furado. "Quando vi o carro dele encostado na Curva do Sol, senti a mais forte emoção da minha vida. Faltavam oito voltas para acabar a corrida e eu tinha uma grande vantagem em relação ao Emerson", destacou Pace, descrevendo o momento no qual o êxito estava praticamente garantido. Quase dez segundos atrás, restou a Fittipaldi cumprimentar o amigo com um aceno, emparelhando seu carro ao de Moco.

A torcida estava tão entusiasmada com a primeira vitória da carreira de Pace, assim como com a primeira dobradinha brasileira na história da F-1, que ele não conseguiu levar seu carro de volta até os boxes. Com isso, teve de ser levado nos ombros. Com fortes dores de cabeça, ele apenas entrou na garagem, sentou no chão e chorou copiosamente. Sem muita experiência nesse tipo de ocasião, subiu no pódio errado, sendo o último a chegar para a comemoração regada a champanhe. Depois de receber a tradicional coroa de louros, Moco pegou uma bandeira do Brasil entregue por Emerson e balançou-a para o público. A tragédia que pôs fim à promessa

José Carlos Pace fechou a temporada de 1975 com a melhor colocação de sua carreira, ocupando um sexto lugar. No campeonato seguinte, mesmo ainda a bordo da Brabham, ele encerrou o ano em 14º, em dificuldades para acertar os motores Alfa Romeo de 12 cilindros. Entretanto, em 1977, Moco era considerado um dos favoritos para se tornar campeão, nos primeiros testes antes da disputa, sua equipe tinha o carro mais rápido. Além disso, ele ainda tinha a preferência de Ecclestone.

Mas uma fatalidade matou Pace em 18 de março daquele ano, num acidente aéreo, portanto, bem longe das pistas que poderiam consagrá-lo definitivamente. Ele voltava da fazenda do amigo Marivaldo Fernandes, também morto na queda do monomotor PP-EHR, em Mairiporã, na Grande São Paulo. Seu corpo ficou mutilado e foi reconhecido somente por causa de uma sapatilha azul. Dessa forma, deixou inúmeros fãs inconsolados, assim como a mulher Elda e os filhos Patrícia e Rodrigo.

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