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Atualização: 07/02/2008
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . FITTIPALDI

UM VÍCIO DE FAMÍLIA

Foto: Gazeta Press
Foto: Gazeta Press

Nome: Emerson Fittipaldi
Data de nascimento: 12/12/1946
Local de nascimento: São Paulo/SP
Principais títulos: Campeão da F-1 (72 e 74); Campeão da F-Indy (89); Campeão da F-3 (69); Campeão Brasileiro de F-Vee (67); Campeão Brasileiro de Kart (65)
Carreira na F-1:
Estréia: Brands Hach / 70
GP’s:144
Pontos: 281
Vitórias: 14
Pódiuns: 35
Poles: 6
Voltas mais rápidas: 6
Equipes: Lotus (1970 a 1973); McLaren (1974 a 1975); Copersucar/Fittipaldi (1976 a 1980)
Colocações ano a ano:
1970: 10º (12 pontos, 5 GP’s, 1 vitória)
1971: 6º (16 pontos, 10 GP’s)
1972: 1º (61 pontos, 12 GP’s, 5 vitórias, 3 poles)
1973: 2º (55 pontos, 15 GP’s, 3 vitórias, 1 pole)
1974: 1º (55 pontos, 15 GP’s, 3 vitórias, 2 poles)
1975: 2º (45 pontos, 13 GP’s, 2 vitórias)
1976: 16º (3 pontos, 16 GP’s)
1977: 12º (11 pontos, 14 GP’s)
1978: 9º (17 pontos, 16 GP’s)
1979: 21º (1 ponto, 15 GP’s)
1980: 15º (5 pontos, 14 GP’s)
Carreira na F-Indy:
Estréia: Long Beach / 84
GP’s: 195
Pontos: 1508
Vitórias: 22
Poles: 17
Equipes: Sem equipe definida (1984 a 1985); Patrick (1986 a 1989); Penske (1990 a 1995) e Hogan (1996)
Colocações ano a ano:
1984: 15º (30 pontos, 9 GP’s)
1985: 6º (104 pontos, 15 GP’s, 1 vitória)
1986: 7º (103 pontos, 17 GP’s, 1 vitória, 2 poles)
1987: 10º (78 pontos, 15 GP’s, 2 vitórias)
1988: 7º (105 pontos, 15 GP’s, 2 vitórias, 1 pole)
1989: 1º (196 pontos, 15 GP’s, 5 vitórias, 4 poles)
1990: 5º (144 pontos, 16 GP’s, 1 vitória, 2 poles)
1991: 5º (140 pontos, 17 GP’s, 1 vitória, 2 poles)
1992: 4º (151 pontos, 16 GP’s, 4 vitórias, 2 poles)
1993: 2º (183 pontos, 16 GP’s, 3 vitórias, 2 poles)
1994: 2º (178 pontos, 16 GP’s, 1 vitória, 2 poles)
1995: 11º (67 pontos, 16 GP’s, 1 vitória)
1996: 19º (29 pontos, 12 GP’s)

O automobilismo está no sangue de Emerson Fittipaldi desde criança. Foi seu pai, o "Barão" Wilson Fittipaldi, quem introduziu a paixão no clã Fittipaldi desde antes do nascimento de seus filhos. E foi graças ao pai, ex-piloto, ex-radialista e criador das Mil Milhas Brasileiras, que o jovem Emerson deu seus primeiros passos em corridas ainda com carrinhos de rolimã.

Com dez anos de idade, este paulistano de 12 de dezembro de 1946 já participava de campeonatos de rolimã, sendo sempre o ‘acertador’ de seus velozes carrinhos. Na época, um de seus principais rivais nas ruas de São Paulo era seu próprio irmão, Wilsinho. Emerson chegou a ser o mecânico da equipe de kart de Wilsinho, mas logo virou o piloto. Aos 18 anos, conseguia seu primeiro título brasileiro no kart, e começava a se destacar.

Cinco anos depois, Emerson já havia trocado o rolimã pela Europa, onde participava de algumas corridas na competitiva Fórmula Ford inglesa. Em 69, venceu três provas, e sua técnica – tanto no cockpit quanto no acerto dos carros – saltou aos olhos de Jim Russell, que o convidou para participar da Fórmula 3 ainda no mesmo ano. Era o início de uma ascensão meteórica.

A bordo de uma Lotus, o brasileiro venceu 11 provas e foi o campeão de uma das principais categorias de formação para a Fórmula 1. No ano seguinte, em 70, resolveu subir um degrau e partir para a Fórmula 2. Em pouco tempo, conseguiu sua vaga na elite do automobilismo mundial. Naquela mesma temporada, entrava em Brands Hach para iniciar pela McLaren sua carreira vitoriosa na Fórmula 1.

Logo em sua estréia, no GP da Inglaterra, terminou em oitavo. Mais tarde, Emerson conseguiu uma histórica vitória para o automobilismo já em seu primeiro ano, vencendo o GP dos EUA e fechando o ano em décimo com a sua Lotus. O título ficou com seu companheiro de equipe, Jochen Rindt - que faleceu antes, nos treinos para o GP da Itália, e que só garantiu a conquista póstuma com a vitória de Emerson em Watkins Glen.

No ano seguinte, ainda na equipe de Bruce McLaren, Emerson correu em todas as etapas, com destaque para as provas da França e Inglaterra, onde foi terceiro, e para o segundo lugar na Áustria. Terminou o ano em sexto lugar, com 16 pontos. Porém, em 72, dois anos após a sua estréia na Fórmula 1, o brasileiro teve seu ano de glória.

Mostrando toda sua técnica e ousadia, o filho do Barão venceu cinco das 12 corridas da temporada (Espanha, Bélgica, Inglaterra, Áustria e Itália), e ficou com o primeiro título brasileiro da Fórmula 1, após travar uma batalha intensa com o escocês Jackie Stewart. A bordo de sua Lotus, Rato – apelido que ganhou em São Paulo, nos tempos do kart – somou 61 pontos ao final do ano, ficando 16 pontos à frente de Stewart. O brasileiro tornou-se à época o mais jovem campeão da história, com 25 anos e 273 dias – marca superada apenas por Fernando Alonso em 2005, com 24 anos e 58 dias.

No ano seguinte, mesmo subindo ao pódio nas seis primeiras corridas do ano, incluindo no inédito GP do Brasil, Emerson viu sua McLaren perder rendimento no final da temporada, e teve que assistir o título ficar com o escocês, piloto da Tyrrell. O bi de Emerson só viria em 74, já na Lotus, com três vitórias (Brasil, Bélgica e Canadá) e a conquista em cima do suíço Clay Reggazzoni.

Em 75, Emerson não resistiu à ousadia de Niki Lauda e se contentou com mais um vice-campeonato. Daí em diante, o brasileiro ainda correu discretamente por sua própria equipe, encerrando seu ciclo na Fórmula 1 em 1980 e com um currículo de 14 vitórias, seis poles positions, seis voltas mais rápidas e 35 presenças no pódio.

A EXPERIÊNCIA COPERSUCAR

Foi um sonho brasileiro que durou oito anos. Pela primeira vez, a principal categoria do automobilismo mundial recebia uma equipe que pertencia a um sul-americano. Sob comando de Emerson e Wilsinho Fittipaldi, o Brasil invadia a Fórmula 1, com um carro inteiramente projetado por brasileiros e tecnologia européia.

Fundada em 1975, a Copersucar-Fittipaldi surgiu na categoria para quebrar monopólios e, quem sabe, abrir uma nova era na modalidade. Em seu primeiro ano, equipado com um fraco motor Ford e pilotado por Wilsinho (que cedeu o posto a Arturo Merzario no GP da Itália), o protótipo da equipe brasileira obteve mais fracassos que êxitos. Assim, completar a prova já era uma conquista – o que aconteceu apenas sete vezes naquela temporada.

Em 76, Emerson assumiu um dos dois carros da Copersucar, que teria também vaga para Ingo Hoffmann. Foram dois anos de muita luta e frustrações, com 11 pontos para o bicampeão em 77. Até que o carro projetado pelos Fittipaldi conseguiu, no Brasil, o melhor resultado de sua história.

O segundo lugar de Emerson Fittipaldi na prova do Rio de Janeiro, em 1978, levou a torcida carioca ao delírio. Com isso, a Copersucar ganhou um novo impulso, mas que durou pouco mais de um ano. Foram 17 pontos na temporada, contra apenas um de 79. Em 80, Emerson abandonava de vez a elite do automobilismo mundial, tendo como companheiro o jovem Keke Rosberg. Os dois ainda foram ao pódio naquela temporada – o finlandês na Argentina, o brasileiro nos EUA.

Era a despedida de Emerson como piloto da Fórmula 1. “Eu estava muito envolvido nos problemas da equipe, e negligenciava minha vida pessoal”, alegou o brasileiro, que assumiu os bastidores da equipe em 81. Naquele ano, com Chico no lugar do brasileiro, a Copersucar sofreu com muitos abandonos, largando apenas uma vez nas últimas seis provas.

Em 82, Rosberg mudou-se para a Williams, onde faturou o título do Mundial. Chico continuou, somou um único ponto e encerrou a temporada como o 26º colocado. Endividada, a Fittipaldi já não tinha fôlego para tentativas, e fechou suas portar no final daquele ano. Acabava de vez a trajetória de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1.

AS AVENTURAS NOS EUA

Emerson começou sua trajetória na Fórmula Indy em 1984, correndo pela Patrick. Foram seis anos pela equipe, conquistando o título da categoria norte-americana em 1989. No mesmo ano, consagrou-se como um dos maiores pilotos do mundo ao vencer também as 500 Milhas de Indianápolis.

‘Emmo’, como é chamado nos EUA, foi contratado por Roger Penske para correr por sua equipe em 1990. Três anos mais tarde, conquistou mais uma vitória nas 500 Milhas. O brasileiro ficou na categoria até 96, quando encerrou sua carreira também na América do Norte – mas não da melhor maneira possível.

Naquele ano, ele deu um grande susto em todos os brasileiros. Logo no início da prova de Michigan, Emerson, pilotando o Hogan-Penske, estava correndo na parte de fora da pista, quando foi tocado pelo canadense Greg Moore. O carro do brasileiro se espatifou no muro, em chamas, com pneus voando na colisão e uma grande marca negra no muro. Uma batida a mais de 300 km/h, que acabou com sua carreira e deixou Emmo hospitalizado por mais de dois meses com fraturas nas vértebras da coluna.

Quando o piloto começava a sonhar com uma volta às pistas, sofreu novo acidente. Em 97, Emerson perdeu o controle de seu ultraleve e caiu no meio da mata, em Araraquara, interior de São Paulo. Ao seu lado, o filho Lucas viu o pai sangrando e o socorro demorando a vir. Nova internação no hospital e mais um susto, que, desta vez, acabou definitivamente com uma carreira de mais de 30 anos de automobilismo.

Fora das pistas, porém, Emerson se mostrou um empresário bem-sucedido, com atuação em vários ramos – desde o alimentício até o tabaco. As empresas Fittipaldi estão espalhadas em mais de dez países e sua principal atividade é a industrialização do suco de laranja produzido na sua fazenda, em Americana. O produto ficou famoso quando Emmo resolveu abdicar da tradicional garrafa de leite, servida aos vencedores em Indianápolis, e tomou o seu suco de laranja, feito em larga escala industrial e com uma grande aceitação, principalmente nos EUA.

Outro braço empresarial é a sopa dietética formulada pelo seu preparador físico. Vendido pelo telefone, o programa alimentício atingiu um bom público no Brasil no final da década de 90, quando começou a ser comercializado. Além disso, Emerson tem empresas de charuto, pneus, é o representante oficial da marca Hugo Boss no Brasil, e detinha os direitos de transmissão da extinta Fórmula Mundial no País.

Com o encerramento de sua carreira no automobilismo, Emerson está se dedicando aos negócios e também à divulgação de pilotos brasileiros. Em 98, ele foi o manager de Hélio Castro Neves, que defendeu a Bettenhausen na Fórmula Mundial e corre pela Penske na IRL. Assim como ele, Helinho também já venceu as 500 Milhas.

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