| UM VÍCIO DE
FAMÍLIA
| Foto: Gazeta Press |
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Nome: Emerson Fittipaldi
Data de nascimento: 12/12/1946
Local de nascimento: São Paulo/SP
Principais títulos: Campeão
da F-1 (72 e 74); Campeão da F-Indy (89); Campeão
da F-3 (69); Campeão Brasileiro de F-Vee (67);
Campeão Brasileiro de Kart (65)
Carreira na F-1:
Estréia: Brands Hach / 70
GP’s:144
Pontos: 281
Vitórias: 14
Pódiuns: 35
Poles: 6
Voltas mais rápidas: 6
Equipes: Lotus (1970 a 1973); McLaren (1974 a 1975);
Copersucar/Fittipaldi (1976 a 1980)
Colocações ano a ano:
1970: 10º (12 pontos, 5 GP’s, 1 vitória)
1971: 6º (16 pontos, 10 GP’s)
1972: 1º (61 pontos, 12 GP’s, 5 vitórias,
3 poles)
1973: 2º (55 pontos, 15 GP’s, 3 vitórias,
1 pole)
1974: 1º (55 pontos, 15 GP’s, 3 vitórias,
2 poles)
1975: 2º (45 pontos, 13 GP’s, 2 vitórias)
1976: 16º (3 pontos, 16 GP’s)
1977: 12º (11 pontos, 14 GP’s)
1978: 9º (17 pontos, 16 GP’s)
1979: 21º (1 ponto, 15 GP’s)
1980: 15º (5 pontos, 14 GP’s)
Carreira na F-Indy:
Estréia: Long Beach / 84
GP’s: 195
Pontos: 1508
Vitórias: 22
Poles: 17
Equipes: Sem equipe definida (1984 a 1985); Patrick
(1986 a 1989); Penske (1990 a 1995) e Hogan (1996)
Colocações ano a ano:
1984: 15º (30 pontos, 9 GP’s)
1985: 6º (104 pontos, 15 GP’s, 1 vitória)
1986: 7º (103 pontos, 17 GP’s, 1 vitória,
2 poles)
1987: 10º (78 pontos, 15 GP’s, 2 vitórias)
1988: 7º (105 pontos, 15 GP’s, 2 vitórias,
1 pole)
1989: 1º (196 pontos, 15 GP’s, 5 vitórias,
4 poles)
1990: 5º (144 pontos, 16 GP’s, 1 vitória,
2 poles)
1991: 5º (140 pontos, 17 GP’s, 1 vitória,
2 poles)
1992: 4º (151 pontos, 16 GP’s, 4 vitórias,
2 poles)
1993: 2º (183 pontos, 16 GP’s, 3 vitórias,
2 poles)
1994: 2º (178 pontos, 16 GP’s, 1 vitória,
2 poles)
1995: 11º (67 pontos, 16 GP’s, 1 vitória)
1996: 19º (29 pontos, 12 GP’s)
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O automobilismo está no sangue de Emerson Fittipaldi
desde criança. Foi seu pai, o "Barão"
Wilson Fittipaldi, quem introduziu a paixão no clã
Fittipaldi desde antes do nascimento de seus filhos. E foi graças
ao pai, ex-piloto, ex-radialista e criador das Mil Milhas Brasileiras,
que o jovem Emerson deu seus primeiros passos em corridas ainda
com carrinhos de rolimã.
Com dez anos de idade, este paulistano de 12 de dezembro
de 1946 já participava de campeonatos de rolimã,
sendo sempre o ‘acertador’ de seus velozes carrinhos.
Na época, um de seus principais rivais nas ruas de
São Paulo era seu próprio irmão, Wilsinho.
Emerson chegou a ser o mecânico da equipe de kart de
Wilsinho, mas logo virou o piloto. Aos 18 anos, conseguia
seu primeiro título brasileiro no kart, e começava
a se destacar.
Cinco anos depois, Emerson já havia trocado o rolimã
pela Europa, onde participava de algumas corridas na competitiva
Fórmula Ford inglesa. Em 69, venceu três provas,
e sua técnica – tanto no cockpit quanto no acerto
dos carros – saltou aos olhos de Jim Russell, que o
convidou para participar da Fórmula 3 ainda no mesmo
ano. Era o início de uma ascensão meteórica.
A bordo de uma Lotus, o brasileiro venceu 11 provas e foi
o campeão de uma das principais categorias de formação
para a Fórmula 1. No ano seguinte, em 70, resolveu
subir um degrau e partir para a Fórmula 2. Em pouco
tempo, conseguiu sua vaga na elite do automobilismo mundial.
Naquela mesma temporada, entrava em Brands Hach para iniciar
pela McLaren sua carreira vitoriosa na Fórmula 1.
Logo em sua estréia, no GP da Inglaterra, terminou
em oitavo. Mais tarde, Emerson conseguiu uma histórica
vitória para o automobilismo já em seu primeiro
ano, vencendo o GP dos EUA e fechando o ano em décimo
com a sua Lotus. O título ficou com seu companheiro
de equipe, Jochen Rindt - que faleceu antes, nos treinos para
o GP da Itália, e que só garantiu a conquista
póstuma com a vitória de Emerson em Watkins
Glen.
No ano seguinte, ainda na equipe de Bruce McLaren, Emerson
correu em todas as etapas, com destaque para as provas da
França e Inglaterra, onde foi terceiro, e para o segundo
lugar na Áustria. Terminou o ano em sexto lugar, com
16 pontos. Porém, em 72, dois anos após a sua
estréia na Fórmula 1, o brasileiro teve seu
ano de glória.
Mostrando toda sua técnica e ousadia, o filho do Barão
venceu cinco das 12 corridas da temporada (Espanha, Bélgica,
Inglaterra, Áustria e Itália), e ficou com o
primeiro título brasileiro da Fórmula 1, após
travar uma batalha intensa com o escocês Jackie Stewart.
A bordo de sua Lotus, Rato – apelido que ganhou em São
Paulo, nos tempos do kart – somou 61 pontos ao final
do ano, ficando 16 pontos à frente de Stewart. O brasileiro
tornou-se à época o mais jovem campeão
da história, com 25 anos e 273 dias – marca superada
apenas por Fernando Alonso em 2005, com 24 anos e 58 dias.
No ano seguinte, mesmo subindo ao pódio nas seis primeiras
corridas do ano, incluindo no inédito GP do Brasil,
Emerson viu sua McLaren perder rendimento no final da temporada,
e teve que assistir o título ficar com o escocês,
piloto da Tyrrell. O bi de Emerson só viria em 74,
já na Lotus, com três vitórias (Brasil,
Bélgica e Canadá) e a conquista em cima do suíço
Clay Reggazzoni.
Em 75, Emerson não resistiu à ousadia de Niki
Lauda e se contentou com mais um vice-campeonato. Daí
em diante, o brasileiro ainda correu discretamente por sua
própria equipe, encerrando seu ciclo na Fórmula
1 em 1980 e com um currículo de 14 vitórias,
seis poles positions, seis voltas mais rápidas e 35
presenças no pódio.
A EXPERIÊNCIA COPERSUCAR
Foi um sonho brasileiro que durou oito anos. Pela primeira
vez, a principal categoria do automobilismo mundial recebia
uma equipe que pertencia a um sul-americano. Sob comando de
Emerson e Wilsinho Fittipaldi, o Brasil invadia a Fórmula
1, com um carro inteiramente projetado por brasileiros e tecnologia
européia.
Fundada em 1975, a Copersucar-Fittipaldi surgiu na categoria
para quebrar monopólios e, quem sabe, abrir uma nova
era na modalidade. Em seu primeiro ano, equipado com um fraco
motor Ford e pilotado por Wilsinho (que cedeu o posto a Arturo
Merzario no GP da Itália), o protótipo da equipe
brasileira obteve mais fracassos que êxitos. Assim,
completar a prova já era uma conquista – o que
aconteceu apenas sete vezes naquela temporada.
Em 76, Emerson assumiu um dos dois carros da Copersucar,
que teria também vaga para Ingo Hoffmann. Foram dois
anos de muita luta e frustrações, com 11 pontos
para o bicampeão em 77. Até que o carro projetado
pelos Fittipaldi conseguiu, no Brasil, o melhor resultado
de sua história.
O segundo lugar de Emerson Fittipaldi na prova do Rio de
Janeiro, em 1978, levou a torcida carioca ao delírio.
Com isso, a Copersucar ganhou um novo impulso, mas que durou
pouco mais de um ano. Foram 17 pontos na temporada, contra
apenas um de 79. Em 80, Emerson abandonava de vez a elite
do automobilismo mundial, tendo como companheiro o jovem Keke
Rosberg. Os dois ainda foram ao pódio naquela temporada
– o finlandês na Argentina, o brasileiro nos EUA.
Era a despedida de Emerson como piloto da Fórmula
1. “Eu estava muito envolvido nos problemas da equipe,
e negligenciava minha vida pessoal”, alegou o brasileiro,
que assumiu os bastidores da equipe em 81. Naquele ano, com
Chico no lugar do brasileiro, a Copersucar sofreu com muitos
abandonos, largando apenas uma vez nas últimas seis
provas.
Em 82, Rosberg mudou-se para a Williams, onde faturou o título
do Mundial. Chico continuou, somou um único ponto e
encerrou a temporada como o 26º colocado. Endividada,
a Fittipaldi já não tinha fôlego para
tentativas, e fechou suas portar no final daquele ano. Acabava
de vez a trajetória de Emerson Fittipaldi na Fórmula
1.
AS AVENTURAS NOS EUA
Emerson começou sua trajetória na Fórmula
Indy em 1984, correndo pela Patrick. Foram seis anos pela
equipe, conquistando o título da categoria norte-americana
em 1989. No mesmo ano, consagrou-se como um dos maiores pilotos
do mundo ao vencer também as 500 Milhas de Indianápolis.
‘Emmo’, como é chamado nos EUA, foi contratado
por Roger Penske para correr por sua equipe em 1990. Três
anos mais tarde, conquistou mais uma vitória nas 500
Milhas. O brasileiro ficou na categoria até 96, quando
encerrou sua carreira também na América do Norte
– mas não da melhor maneira possível.
Naquele ano, ele deu um grande susto em todos os brasileiros.
Logo no início da prova de Michigan, Emerson, pilotando
o Hogan-Penske, estava correndo na parte de fora da pista,
quando foi tocado pelo canadense Greg Moore. O carro do brasileiro
se espatifou no muro, em chamas, com pneus voando na colisão
e uma grande marca negra no muro. Uma batida a mais de 300
km/h, que acabou com sua carreira e deixou Emmo hospitalizado
por mais de dois meses com fraturas nas vértebras da
coluna.
Quando o piloto começava a sonhar com uma volta às
pistas, sofreu novo acidente. Em 97, Emerson perdeu o controle
de seu ultraleve e caiu no meio da mata, em Araraquara, interior
de São Paulo. Ao seu lado, o filho Lucas viu o pai
sangrando e o socorro demorando a vir. Nova internação
no hospital e mais um susto, que, desta vez, acabou definitivamente
com uma carreira de mais de 30 anos de automobilismo.
Fora das pistas, porém, Emerson se mostrou um empresário
bem-sucedido, com atuação em vários ramos
– desde o alimentício até o tabaco. As
empresas Fittipaldi estão espalhadas em mais de dez
países e sua principal atividade é a industrialização
do suco de laranja produzido na sua fazenda, em Americana.
O produto ficou famoso quando Emmo resolveu abdicar da tradicional
garrafa de leite, servida aos vencedores em Indianápolis,
e tomou o seu suco de laranja, feito em larga escala industrial
e com uma grande aceitação, principalmente nos
EUA.
Outro braço empresarial é a sopa dietética
formulada pelo seu preparador físico. Vendido pelo
telefone, o programa alimentício atingiu um bom público
no Brasil no final da década de 90, quando começou
a ser comercializado. Além disso, Emerson tem empresas
de charuto, pneus, é o representante oficial da marca
Hugo Boss no Brasil, e detinha os direitos de transmissão
da extinta Fórmula Mundial no País.
Com o encerramento de sua carreira no automobilismo, Emerson
está se dedicando aos negócios e também
à divulgação de pilotos brasileiros.
Em 98, ele foi o manager de Hélio Castro Neves, que
defendeu a Bettenhausen na Fórmula Mundial e corre
pela Penske na IRL. Assim como ele, Helinho também
já venceu as 500 Milhas.
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