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| Foto: Gazeta Press |
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| Nome: Mika Hakkinen
Data de Nascimento: 28/09/1968
Local: Helsinque, Finlândia
Piloto de Fórmula 1 de 1991a
2001
Principais conquistas: Campeão finlandês
minisséries em 81; campeão do Ronnie Peterson
Memorial em 82; campeão Mundial de Novatos por
equipes em Kerpen (ALE) e campeão finlandês
de novatos, em 83; tricampeão finlandês
de Fórmula A, em 84, 85 e 86; campeão
de Fórmula Ford 1600 Nórdica, em 87; campeão
europeu de Fórmula Opel/Lotus e vice-campeão
inglês de Fórmula Vauxhall/Lotus, em 88;
campeão inglês de Fórmula 3, em
90; e bicampeão de Fórmula 1, em 98 e
99.
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A pequenina cidade finlandesa de Vantaa, de 243 km² e localizada na área
metropolitana da capital Helsinque, ganhou notoriedade no
automobilismo mundial em 25 de setembro de 1968. Foi neste
dia que nasceu Mika Pauli Hakkinen, que três décadas
depois se tornaria bicampeão da Fórmula 1 e
impediria que a McLaren caísse no ostracismo após
perder os inquestionáveis Ayrton Senna e Gerhard Berger
na primeira metade da década de 1990.
O gosto de Hakkinen pela aventura começou cedo. Logo
aos cinco anos, empolgado após ver um circo passar
por sua cidade, passou a treinar acrobacias. Só que
foi aos seis anos, quando ganhou seu primeiro kart, que descobriu
sua maior paixão: a velocidade. O jovem Mika disputou
sua primeira competição oficial aos dez anos,
no Campeonato Regional de 1978. Dois anos depois faturou seu
primeiro troféu, no Campeonato Finlandês de Minisséries.
Apaixonado pelo primeiro lugar do pódio, Hakkinen
conquistou pelo menos um título por ano entre 1982
e 1988, o que lhe rendeu uma vaga no ano seguinte na Fórmula
3 inglesa, pela Dragon-Toyota. Após terminar no sétimo
lugar da temporada de estréia, migrou para a favorita
West Surrey Racing/Murgen-Honda em 1990, onde conquistou o
título com 126 pontos em 17 Grandes Prêmios,
com nove vitórias e 11 pole positions.
A carreira meteórica nas categorias de acesso fez
com que o finlandês recebesse o convite da Lotus em
1991 para disputar a Fórmula 1 já como piloto
titular. Em sua primeira temporada, terminou no 16º lugar
com dois pontos graças ao quinto lugar conquistado
em Ímola. Apesar do carro pouco competitivo, terminou
o ano de 1992 na oitava colocação com 11 pontos,
conquistando dois quartos lugares (França e Hungria),
um quinto (Itália) e três sextos (México,
Inglaterra e Bélgica).
Hakkinen, então, foi promovido a piloto de testes
da grande McLaren, que contava com o brasileiro Ayrton Senna
e o norte-americano Michael Andretti, substituto de Berger
(que migrara para a Ferrari). Andretti, porém, decepcionou
e foi demitido do time britânico a três corridas
do fim da temporada. O finlandês estreou no GP de Portugal,
quando abandonou. Na prova seguinte, no Japão, terminou
em terceiro lugar (atrás do vencedor Senna e do francês
Allan Prost) e pela primeira vez subiu ao pódio.
Em 1994, Senna deixou a McLaren e acertou pela Williams (que
seria a sua última equipe). Hakkinen, então,
se tornou o piloto número 1 da equipe, ao lado do inglês
Martin Brundle. Hakkinen foi o quarto piloto da temporada
com 26 pontos e seis pódios, com um segundo lugar na
Bélgica e cinco terceiros, em Ímola, Grã-Bretanha,
Itália e Portugal e Europa. À frente do escandinavo
terminaram o alemão Michael Schumacher (então
na Benneton), o inglês Damon Hill e Berger.
Acostumada a ganhar títulos, a McLaren não
havia vencido nenhum Grande Prêmio desde Interlagos-1993,
com a vitória de Senna. Hakkinen, embora tivesse ficado
com os segundos lugares dos GPs de Itália e Japão,
queria uma vitória em Melbourne, a última corrida
da temporada, para ter tranqüilidade em 1996. Mas não
foi bem isso o que aconteceu no fatídico sábado
de 10 de novembro.
Restavam cerca de 50 minutos para o final do treino oficial,
quando Hakkinen entrou na pista para fazer sua primeira volta
rápida. O pneu traseiro esquerdo do conjunto não
resistiu ao abuso cometido pelo finlandês e acabou estourando
como uma bomba. O piloto e seu carro desgovernado colidiram
contra o muro, a mais de 200 km/h. A fileira de pneus, colocada
para proteção, pouco amenizou o impacto.
A equipe médica não demorou retirar o finlandês
do carro. Durante o choque, Hakkinen bateu a cabeça
no concreto e, ainda no autódromo, precisou ser submetido
a uma traqueostomia. Ficou em coma durante dois dias, entre
a vida e a morte. Um mês depois, saía da UTI
e se preparava para a disputa da temporada 1996.
Ainda com seqüelas do grave acidente sofrido (tinha
a boca torta e não conseguia piscar o olho direito),
Hakkinen superou o trauma na Austrália, a primeira
corrida do ano, e terminou na quinta colocação.
Só que a temporada não foi nem um pouco gloriosa
para Hakkinen, que terminou com 31 pontos a competição
com direito a quatro terceiros lugares (Grã-Bretanha,
Bélgica, Itália e Japão). Seu companheiro
de equipe, o escocês David Coulthard, terminou em sétimo
com 18, mas obtendo um vice em Mônaco.
O ano de 1997 começou ruim para Hakkinen, que viu
Coulthard se destacar e encerrar o jejum de mais de três
anos sem vitórias da McLaren ao vencer o GP da Austrália,
na abertura da temporada, e o da Itália. O finlandês,
por sua vez, havia conquistado os modestos terceiros lugares
também na Austrália e na Alemanha. Mas as coisas
começaram a mudar em 26 de outubro.
Hakkinen havia conquistado apenas a quinta colocação
do grid de largada para o Grande Prêmio da Europa, em
Jerez. Beneficiado por um toque entre Schumacher e o canadense
Jacques Villeneuve, o finlandês conseguiu assumir a
primeira colocação e vencer a sua primeira corrida
na F-1. Além disso, a McLaren obteve a dobradinha com
Coulthard em segundo. Foi o prenúncio de uma época
vitoriosa para a equipe inglesa, que passou a ser apontada
favorita para o ano de 1998.
Coube a Hakkinen converter o favoritismo em troféus:
nas seis primeiras provas, 46 pontos e quatro vitórias.
A seqüência de triunfos se estenderia aos GPs de
Áustria. Alemanha, Luxemburgo e Japão. Ninguém
parecia capaz de parar a Flecha de Prata
No final, os números não deixaram dúvidas
sobre a façanha do finlandês: foram 100 pontos
(14 a mais que Schumacher), oito vitórias e 12 poles.
Mais: levou a McLaren ao título de construtores.
Em 1999, Hakkinen não foi tão arrasador, mas
mesmo cometendo verdadeiras grosserias com sua potente McLaren,
não deixou escapar o bicampeonato, porque Schumacher
quebrou a perna após sofrer um acidente em Silverstone
e ficou de fora de sete GPs. A disputa pelo título
da temporada ficou entre Hakkinen e o irlandês Eddie
Irvine.
Na Malásia, a maior polêmica do ano: Irvine
venceu, com Schumacher em segundo, abrindo quatro pontos de
vantagem sobre Hakkinen. Horas depois, fiscais encontraram
irregularidades nos dois carros da Ferrari e apontaram o finlandês,
terceiro colocado, ganhador da prova.
Travou-se uma grande batalha nos tribunais. A Ferrari conseguiu
impugnar a decisão dos fiscais e Hakkinen precisava
vencer em Suzuka para ficar com o título. Com frieza,
o finlandês fez a pole e ganhou a prova de ponta a ponta,
conquistando o bicampeonato da categoria. Ele acabava de se
tornar o oitavo piloto da história a conquistar dois
títulos mundiais.
No final, Hakkinen somou 76 pontos, contra 74 de Irvine.
Foram seis vitórias: Brasil, Espanha, Canadá,
Hungria e Japão, além de 11 poles. Números
que arrancaram elogios até do rival Schumacher. "O
Hakkinen é um bicampeão com todos os méritos.
Soube se recuperar do início ruim e mostrou concentração
incomum em Suzuka", disse, na época.
Em 2000, porém, Schumi voltou com tudo e, com o apoio
de seu novo parceiro, o brasileiro Rubens Barrichello, venceu
nove GPs e faturou o título da temporada. Mika foi
o segundo, com 89 pontos e quatro primeiros lugares (em Espanha,
Áustria, Hungria e Bélgica).
Uma temporada depois, Hakkinen não teve um bom desempenho
no começo da temporada, abandonado quatro das sete
provas iniciais. Sua primeira vitória veio apenas no
11º GP, em Silverstone. Em 30 de setembro, dois dias
depois de seu 33º aniversário, o finlandês
venceu a disputa de Indianápolis, nos Estados Unidos.
Foi seu último triunfo na F-1.
O nórdico terminou a temporada de 2001 na modesta
quinta colocação com apenas 37 pontos. Schumi
faturou o título com 123 e uma esmagadora vantagem
sobre Coulthard, vice com 65. Rubinho conseguiu 56, enquanto
Ralf Schumacher, da BMW/Williams, obteve 49. Depois de uma
má temporada, Hakkinen decidiu se afastar da F-1 em
2002 e acabou substituído pelo compatriota Kimi Raikkonen.
Se era para ser um ano de descanso para Hakkinen, 2002 foi
o em que o finlandês ratificou a sua aposentadoria.
Era o fim da carreira de 165 GPs disputados, com 20 vitórias,
51 pódios e 26 poles.
Embora tivesse planos de voltar em 2005, não chegou
a um acerto com a Williams e fechou contrato com o time da
Mercedes (mesma construtora da McLaren) da Deutsche Tourewagen
Masters (disputada com carros de turismo).
Hakkinen não obteve na DTM o mesmo desempenho que
na F-1. entre 2005 e 2007, venceu apenas três provas
e sua melhor colocação na temporada foi o quinto
lugar em 2004. Muito se falou de um possível retorno
à McLaren para o ano de 2007, mas a equipe fechou com
o espanhol Fernando Alonso e o inglês Lewis Hamilton.
Hoje embaixador do projeto Piloto da Vez (criado por um dos
patrocinadores da McLaren com o objetivo conscientizar motoristas
do perigo de dirigir após consumir bebidas alcoólicas),
Hakkinen refuta qualquer hipótese de voltar à
principal competição do automobilismo. “Vou
fazer 40 anos; estou muito velho (risos). A Fórmula
1 é uma ótima modalidade, mas para mim já
é passado. Faço apenas parte da história.
Convivi por muitos anos com o ambiente da F-1 e trata-se de
uma vida bastante puxada. Não quero mais isso para
mim”.
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