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Atualização: 26/12/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . TONY KANAAN

Tony Kanaan, um exemplo brasileiro

Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Nome: Antoine Rizkallah Kanaan Filho
Nascimento: 31 de dezembro de1974
Local: Salvador (Bahia)
Principais conquistas:
. Campeão da IRL (Indy Racing League), em 2004
. Campeão da Indy Lights, em 1997
. Campeão da Fórmula Alfa-Boxer Italiana, em 1994
. Campeão Brasileiro de kart, em 1988
. Campeão Paulista de kart, em 1986, 1987, 1988, 1989 e 1990
Quando se pensa em pilotos, logo vem à cabeça a imagem do dinheiro, dos carros exuberantes e das mulheres de parar o trânsito. Costuma-se dizer que quando os pilotos começam, tudo é fácil, pois vêm de berço de ouro, de famílias bem providas financeiramente. Com Tony Kanaan não foi assim. Foi um início duro e, acima de tudo, complicado.

Nascido em Salvador, no último dia do ano de 1974, o jovem Antoine teve seu primeiro contato com os motores ainda em sua terra natal, quando tinha oito anos. Levado pelo pai a um kartódromo, se apaixonou de imediato pelos carrinhos de kart.

Disposto a virar piloto, Tony - já usava esse apelido - era patrocinado por seu Antoine, que bancava, com sacrifícios, os custos do carrinho. O jovem fez jus ao investimento e se destacava dos demais, batendo recordes e chamando a atenção de olheiros de outros estados, principalmente de São Paulo, maior potência do automobilismo nacional.

O futuro era promissor, mas uma tragédia quase pôs tudo a perder. Quando Tony tinha 13 anos de idade, seu Antoine faleceu precocemente. O garoto sentiu o choque e começou a perder provas fáceis. Os donos da equipe ameaçaram impedi-lo de continuar correndo caso não arranjasse patrocínio. Vendo aquela situação, dona Miriam, sua mãe, não se segurou. Começou a trabalhar para o time em troca da manutenção do filho como piloto. Costurava macacões, fazia a limpeza da garagem e dos boxes.

Dona Miriam foi recompensada. O sonhado convite para correr em São Paulo veio em 1985, após Tony ganhar o título de piloto-revelação do ano. Mãe e filho não pensaram duas vezes e aceitaram a proposta. A mudança da Bahia para a maior cidade da América do Sul prometia. E muito.

Apoio do ídolo: "Esse garoto vai ser um campeão no futuro. Pode ter certeza". Assim Ayrton Senna, que se tornaria um dos maiores amigos do Tony, se referia ao jovem piloto, ainda em início de carreira.

O começo foi arrasador. Enquanto muitos garotos que vêm de fora "sentem" a metrópole de São Paulo, Tony parecia ter nascido aqui. Batendo recordes, o baianinho sagrou-se campeão paulista de juniores em 1986, logo em seu primeiro torneio. Repetiu o feito no ano seguinte e já chamou a atenção de todos no circo do automobilismo.

Em 1988, além de conquistar pela terceira vez seguida o Paulista de juniores, faturou também o inédito título de campeão brasileiro. Era o título da coroação e, graças a ele, o jovem piloto foi promovido para a categoria B do kart, uma espécie de "aspirantes", última etapa antes do kart profissional.

Disputando um campeonato mais difícil, Tony faturou, logo na primeira temporada, o título de campeão paulista da categoria B. Maravilhados, os diretores não quiseram esperar e promoveram o baiano para os profissionais com apenas 15 anos de idade. E não se arrependeram. Em 1990, não deu chances e garantiu o título paulista de Graduados A (categoria máxima do kart).

Era o empurrão que faltava para a até então revelação. No ano seguinte, o piloto garantiu uma vaga no Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford. Para um estreante, seu desempenho foi considerado satisfatório: um sexto lugar na classificação geral. Em 1992, ficou em quinto no Brasileiro de Fórmula Chevrolet e, ao final da temporada, recebeu o convite pelo qual tanto sonhava: a chance de correr na Europa.

Sucesso europeu: Com apenas 18 anos, Tony embarcaria atrás do sonho. Foi contratado para disputar a Fórmula Opel, mas problemas o impediram de correr desde o começo. Contratado para disputar a Fórmula Opel Européia, foi morar sozinho na Itália. Mesmo sendo uma passagem curta, o baiano mostrou um ótimo desempenho, terminando em sétimo lugar depois de estrear apenas na quinta prova de dez etapas do calendário.

A campanha chamou a atenção e um ano depois, Tony assinou para participar do Campeonato Italiano de Alfa Boxer, uma das principais categorias amadoras do mundo. Considerado uma aposta de risco no início, o piloto surpreendeu e conquistou o título, ganhando uma vaga na F-3 Italiana.

Entre as feras do automobilismo italiano, Tony fez bonito. Terminou sem título - ficou em quarto -, mas conquistou uma vitória e a impressionante marca de nove pódios, considerado um recorde pela imprensa especializada. Era o necessário para o piloto assegurar sua transferência para os EUA e correr na Fórmula Indy, considerado a segunda maior categoria de motor do mundo, atrás apenas da Fórmula 1. O ano de 1996 era o prenúncio da consolidação de uma das maiores carreiras do automobilismo nacional.

Títulos nos EUA: Todos acharam estranho a equipe Tasman, conceituada na Indy Lights (uma categoria menor, espécie de Série B da Fórmula Indy), apostar as fichas em um piloto de 21 anos, desconhecido do público e da crítica. Em seu primeiro ano correndo na terra de Tio Sam, Tony impressionou, venceu as difíceis provas de Detroit e Laguna Seca e, além do vice-campeonato, recebeu dois prêmios da imprensa especializada: o "SeaDoo/Ski Doo Pole Award", concedido ao piloto que mais conquistou pole positions na temporada, e o troféu "Rookie of the Year", dado ao melhor estreante do ano.

A recompensa veio em 1997 com o título da Indy Lights, colocando o nome do brasileiro de vez em destaque nos EUA. E a equipe Tasman contratou o brasileiro para ser seu único piloto na Fórmula Indy. A chance era boa e Tony não a desperdiçou. Mantendo o bom retrospecto em estréias, o baiano pontuou 11 vezes em 19 largadas. Era um recorde, já que desde 1993 um calouro não tinha esse aproveitamento. Os resultados lhe garantiram, agora na F-Indy, mais um título de "rookie of the year".

Já renomado no circo, Tony viu, em 1999, a Tasman mudar seu nome para Forsythe. Já experiente, o piloto terminou em uma fraca 11ª posição no campeonato, porém foi o autor de algumas façanhas. Terminou nove etapas entre os dez primeiros. Entre os anos de 2000 e 2002, o piloto brasileiro não teve muita sorte na categoria. Mudou de equipe e seu melhor resultado foi um 12º lugar no último ano na Fórmula Indy.

Disposto a dar uma reviravolta na carreira, o baiano preferiu apostar todas as suas fichas em uma categoria "desconhecida" para o público brasileiro: a IRL. A princípio, muitos o criticaram por isso, mas a escolha iria se justificar e a carreira de Tony, que passava por um momento de marasmo, iria mudar. E para melhor, na equipe Andretti-Green.

Embalado pela excelente fase pessoal - acabara de casar-se com Danielle -, Tony começou 2003 com tudo. Fez poles, conseguiu vitórias e conquistou pódios. O quarto lugar, apenas 31 pontos atrás do campeão Scott Dixon, recuperou a tradição de encerrar em boas colocações as suas temporadas de estréia.

Em 2004, o piloto iria conquistar aquele que, de longe, é seu maior título. Tony venceu apenas três provas (Phoenix, Texas e Nashville), mas foi o suficiente para assegurar o inédito título de um brasileiro na IRL. Uma conquista histórica recheada de emoções proibidas para qualquer torcedor que sofra com problemas cardíacos.

Nos anos seguintes, o brasileiro ficou perto de mais uma conquista, mas esbarrou na falta de sorte em algumas provas, que lhe custaram importantes pontos. Mas foi em 2007 que a sorte realmente o abandonou em algumas corridas. No campeonato, Tony ficou em terceiro lugar, mas o piloto não se esquece do que aconteceu na tradicional 500 Milhas de Indianapolis. Na famosa corrida, que dá US$ 1 milhão para o vencedor, o brasileiro largou na 2ª posição, assumiu a ponta na primeira volta e se manteve a frente do pelotão de 33 carros. Com um ritmo muito forte, cruzou a linha de chegada na primeira colocação, na volta 113, quando a prova foi interrompida por causa da forte chuva.

O brasileiro aguardou ansiosamente a bandeira quadriculada, pois já havia completado mais de 50% da prova, que não veio. Foi agitada então o pano vermelho e a prova foi interrompida por quase três horas. Quando relargou, Kanaan liderou a prova até a volta 153. Tocado por Jaques Lazier, rodou e foi obrigado a trocar um pneu furado, caindo para 17ª posição. No final, uma frustrante 12ª colocação.


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