| Tony Kanaan, um exemplo
brasileiro
| Foto: Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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Nome: Antoine Rizkallah Kanaan Filho
Nascimento: 31 de dezembro de1974
Local: Salvador (Bahia)
Principais conquistas:
. Campeão da IRL (Indy Racing League), em 2004
. Campeão da Indy Lights, em 1997
. Campeão da Fórmula Alfa-Boxer Italiana,
em 1994
. Campeão Brasileiro de kart, em 1988
. Campeão Paulista de kart, em 1986, 1987, 1988,
1989 e 1990 |
Quando se pensa em pilotos, logo vem à cabeça a imagem do
dinheiro, dos carros exuberantes e das mulheres de parar o
trânsito. Costuma-se dizer que quando os pilotos começam,
tudo é fácil, pois vêm de berço de ouro, de famílias bem providas
financeiramente. Com Tony Kanaan não foi assim. Foi um início
duro e, acima de tudo, complicado.
Nascido em Salvador, no último dia do ano de 1974, o jovem
Antoine teve seu primeiro contato com os motores ainda em
sua terra natal, quando tinha oito anos. Levado pelo pai a
um kartódromo, se apaixonou de imediato pelos carrinhos de
kart.
Disposto a virar piloto, Tony - já usava esse apelido -
era patrocinado por seu Antoine, que bancava, com sacrifícios,
os custos do carrinho. O jovem fez jus ao investimento e se
destacava dos demais, batendo recordes e chamando a atenção
de olheiros de outros estados, principalmente de São Paulo,
maior potência do automobilismo nacional.
O futuro era promissor, mas uma tragédia quase pôs tudo
a perder. Quando Tony tinha 13 anos de idade, seu Antoine
faleceu precocemente. O garoto sentiu o choque e começou a
perder provas fáceis. Os donos da equipe ameaçaram impedi-lo
de continuar correndo caso não arranjasse patrocínio. Vendo
aquela situação, dona Miriam, sua mãe, não se segurou. Começou
a trabalhar para o time em troca da manutenção do filho como
piloto. Costurava macacões, fazia a limpeza da garagem e dos
boxes.
Dona Miriam foi recompensada. O sonhado convite para correr
em São Paulo veio em 1985, após Tony ganhar o título de piloto-revelação
do ano. Mãe e filho não pensaram duas vezes e aceitaram a
proposta. A mudança da Bahia para a maior cidade da América
do Sul prometia. E muito.
Apoio do ídolo: "Esse garoto vai ser um campeão no
futuro. Pode ter certeza". Assim Ayrton Senna, que se tornaria
um dos maiores amigos do Tony, se referia ao jovem piloto,
ainda em início de carreira.
O começo foi arrasador. Enquanto muitos garotos que vêm
de fora "sentem" a metrópole de São Paulo, Tony parecia ter
nascido aqui. Batendo recordes, o baianinho sagrou-se campeão
paulista de juniores em 1986, logo em seu primeiro torneio.
Repetiu o feito no ano seguinte e já chamou a atenção de todos
no circo do automobilismo.
Em 1988, além de conquistar pela terceira vez seguida o
Paulista de juniores, faturou também o inédito título de campeão
brasileiro. Era o título da coroação e, graças a ele, o jovem
piloto foi promovido para a categoria B do kart, uma espécie
de "aspirantes", última etapa antes do kart profissional.
Disputando um campeonato mais difícil, Tony faturou, logo
na primeira temporada, o título de campeão paulista da categoria
B. Maravilhados, os diretores não quiseram esperar e promoveram
o baiano para os profissionais com apenas 15 anos de idade.
E não se arrependeram. Em 1990, não deu chances e garantiu
o título paulista de Graduados A (categoria máxima do kart).
Era o empurrão que faltava para a até então revelação. No
ano seguinte, o piloto garantiu uma vaga no Campeonato Brasileiro
de Fórmula Ford. Para um estreante, seu desempenho foi considerado
satisfatório: um sexto lugar na classificação geral. Em 1992,
ficou em quinto no Brasileiro de Fórmula Chevrolet e, ao final
da temporada, recebeu o convite pelo qual tanto sonhava: a
chance de correr na Europa.
Sucesso europeu: Com apenas 18 anos, Tony embarcaria
atrás do sonho. Foi contratado para disputar a Fórmula Opel,
mas problemas o impediram de correr desde o começo. Contratado
para disputar a Fórmula Opel Européia, foi morar sozinho na
Itália. Mesmo sendo uma passagem curta, o baiano mostrou um
ótimo desempenho, terminando em sétimo lugar depois de estrear
apenas na quinta prova de dez etapas do calendário.
A campanha chamou a atenção e um ano depois, Tony assinou
para participar do Campeonato Italiano de Alfa Boxer, uma
das principais categorias amadoras do mundo. Considerado uma
aposta de risco no início, o piloto surpreendeu e conquistou
o título, ganhando uma vaga na F-3 Italiana.
Entre as feras do automobilismo italiano, Tony fez bonito.
Terminou sem título - ficou em quarto -, mas conquistou uma
vitória e a impressionante marca de nove pódios, considerado
um recorde pela imprensa especializada. Era o necessário para
o piloto assegurar sua transferência para os EUA e correr
na Fórmula Indy, considerado a segunda maior categoria de
motor do mundo, atrás apenas da Fórmula 1. O ano de 1996 era
o prenúncio da consolidação de uma das maiores carreiras do
automobilismo nacional.
Títulos nos EUA: Todos acharam estranho a equipe
Tasman, conceituada na Indy Lights (uma categoria menor, espécie
de Série B da Fórmula Indy), apostar as fichas em um piloto
de 21 anos, desconhecido do público e da crítica. Em seu primeiro
ano correndo na terra de Tio Sam, Tony impressionou, venceu
as difíceis provas de Detroit e Laguna Seca e, além do vice-campeonato,
recebeu dois prêmios da imprensa especializada: o "SeaDoo/Ski
Doo Pole Award", concedido ao piloto que mais conquistou pole
positions na temporada, e o troféu "Rookie of the Year", dado
ao melhor estreante do ano.
A recompensa veio em 1997 com o título da Indy Lights, colocando
o nome do brasileiro de vez em destaque nos EUA. E a equipe
Tasman contratou o brasileiro para ser seu único piloto na
Fórmula Indy. A chance era boa e Tony não a desperdiçou. Mantendo
o bom retrospecto em estréias, o baiano pontuou 11 vezes em
19 largadas. Era um recorde, já que desde 1993 um calouro
não tinha esse aproveitamento. Os resultados lhe garantiram,
agora na F-Indy, mais um título de "rookie of the year".
Já renomado no circo, Tony viu, em 1999, a Tasman mudar
seu nome para Forsythe. Já experiente, o piloto terminou em
uma fraca 11ª posição no campeonato, porém foi o autor de
algumas façanhas. Terminou nove etapas entre os dez primeiros.
Entre os anos de 2000 e 2002, o piloto brasileiro não teve
muita sorte na categoria. Mudou de equipe e seu melhor resultado
foi um 12º lugar no último ano na Fórmula Indy.
Disposto a dar uma reviravolta na carreira, o baiano preferiu
apostar todas as suas fichas em uma categoria "desconhecida"
para o público brasileiro: a IRL. A princípio, muitos o criticaram
por isso, mas a escolha iria se justificar e a carreira de
Tony, que passava por um momento de marasmo, iria mudar. E
para melhor, na equipe Andretti-Green.
Embalado pela excelente fase pessoal - acabara de casar-se
com Danielle -, Tony começou 2003 com tudo. Fez poles, conseguiu
vitórias e conquistou pódios. O quarto lugar, apenas 31 pontos
atrás do campeão Scott Dixon, recuperou a tradição de encerrar
em boas colocações as suas temporadas de estréia.
Em 2004, o piloto iria conquistar aquele que, de longe,
é seu maior título. Tony venceu apenas três provas (Phoenix,
Texas e Nashville), mas foi o suficiente para assegurar o
inédito título de um brasileiro na IRL. Uma conquista histórica
recheada de emoções proibidas para qualquer torcedor que sofra
com problemas cardíacos.
Nos anos seguintes, o brasileiro ficou perto de mais uma
conquista, mas esbarrou na falta de sorte em algumas provas,
que lhe custaram importantes pontos. Mas foi em 2007 que a
sorte realmente o abandonou em algumas corridas. No campeonato,
Tony ficou em terceiro lugar, mas o piloto não se esquece
do que aconteceu na tradicional 500 Milhas de Indianapolis.
Na famosa corrida, que dá US$ 1 milhão para o vencedor, o
brasileiro largou na 2ª posição, assumiu a ponta na primeira
volta e se manteve a frente do pelotão de 33 carros. Com um
ritmo muito forte, cruzou a linha de chegada na primeira colocação,
na volta 113, quando a prova foi interrompida por causa da
forte chuva.
O brasileiro aguardou ansiosamente a bandeira quadriculada,
pois já havia completado mais de 50% da prova, que não veio.
Foi agitada então o pano vermelho e a prova foi interrompida
por quase três horas. Quando relargou, Kanaan liderou a prova
até a volta 153. Tocado por Jaques Lazier, rodou e foi obrigado
a trocar um pneu furado, caindo para 17ª posição. No final,
uma frustrante 12ª colocação.
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