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Atualização: 07/02/2008
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Foto: AFP
Foto: AFP

Nome: Andreas Nikolaus Lauda
Nascimento: 22 de fevereiro de 1949, em Viena, Áustria
Principais Títulos: Fórmula 1 (1975; 1977 e 1984)
Primeira vitória: GP da Espanha, em 1974
Primeira temporada na F-1: 1972
Corridas: 171
Vitórias: 25
2º lugar: 20
3º lugar: 9
Pole positons: 24
Voltas mais rápidas: 24
Total de temporadas: 11
Pontos na carreira: 420,5

Fechado, cara de poucos amigos, arredio com os fãs, o austríaco Niki Lauda é um carismático campeão. Filho de família burguesa, criado na aristocrática cidade de Viena, Lauda freqüentou os melhores colégios. Seu avô era membro do conselho administrativo de um banco. Seu pai, industrial. Ambos fizeram questão de ensinar ao jovem todos os macetes do mundo dos negócios.

Aos 12 anos, porém, ele já dirigia trator nas fazendas da família no interior do país. Três anos mais tarde começaria a pegar escondido um velho Volkswagen de seu pai. Desde pequeno, o fascínio pelo automóvel superaria as equações matemáticas. Em 1967, com apenas 18 anos, o jovem Andreas Nicolas transferiu-se para um pequeno apartamento em Salzburgo, local estratégico entre os dois únicos autódromos do país: Salzburgring e Osterreichring.

A decisão de entrar nas competições viria de repente, quando o piloto, acompanhado de um amigo, encantou-se pelo automobilismo em uma visita ao circuito de Nurburgring. A Faculdade de Letras de Viena, o jovem trocaria por um Mini-Cooper, emprestado por um amigo. Desde então, a família nunca mais lhe deu um tostão para aplicar no automobilismo. A bordo de seu primeiro companheiro de pistas, Lauda conquistou já em 1968 o campeonato austríaco, vencendo todas as provas que disputara. Daí, o próximo passo seria pilotar um Porsche 911, ainda do amigo, na categoria Super V.

Em 1971, Lauda deixava a Áustria para correr na Fórmula 3 com um McNamara e alguns pequenos patrocínios. Um empréstimo em um banco austríaco para bancar o aluguel dos carros garantiu ao novato piloto uma temporada na Fórmula 2, e, ainda que com uma performance tímida, a atenção de caçadores de talentos da Fórmula 1. Em 1972, depois de testar no GP de seu país do ano anterior, a disputa da badalada categoria se tornaria realidade. Piloto da equipe March, Niki não conseguiu resultados expressivos naquele ano e, o pior, teve até de pagar para correr. Apenas no campeonato seguinte é que pôde respirar aliviado: na BRM, receberia um salário pela primeira vez em sua carreira.

Lauda somou pontos pela primeira vez no GP da Bélgica de 73, com um quinto lugar. Mesmo assim, mudou de ares no final do ano, em direção à Ferrari – talvez sem saber que o contrato com escuderia italiana seria o início de um futuro promissor. Na temporada de 1974 vieram duas vitórias, no GP da Espanha e da Holanda, e um motivador quarto lugar no Mundial. O primeiro título estava por vir.

Foram cinco vitórias em 75: Mônaco, Bélgica, Suécia, França e EUA. Nove pole positons e o troféu de campeão mundial. O austríaco esteve impecável. Era um dos pilotos mais bem pagos da categoria e ídolo de uma legião de tiffosi ferraristas. Mas nada disso fez com que ele se entregasse aos acessos de estrelismo, comum entre os heróis das pistas. Sua personalidade estranha ao ambiente passou a ser consumida pelo grande público do melhor automobilismo de competição na Europa.

Lauda teve de superar dois resistentes rivais: o argentino Carlos Reutemann e o brasileiro Emerson Fittipaldi. Emerson, da McLaren, inaugurou a temporada vencendo o GP da Argentina, em Buenos Aires. Ao contrário do ano anterior, quando conquistou o título mundial, Fittipaldi teve de se contentar com o vice-campeonato. Depois vieram vitórias de José Carlos Pace, da Brabham, Jody Scheckter, da Tyrrel, e Jochen Mass, da McLaren. Apenas na quinta corrida, Niki chegaria a sua primeira vitória da temporada, no GP de Mônaco. Daí seguiram outras duas, na Bélgica e na Suécia.

O inglês James Hunt ainda apareceria para acabar com o entusiasmo do austríaco, interrompendo uma série de conquistas ao vencer o GP da Holanda. Mesmo assim, Lauda permaneceu imbatível, alcançando outros dois primeiros lugares. Na última corrida do ano, nos Estados Unidos, Niki brindaria o pódio com um gosto todo especial. Além de comemorar a vitória da etapa, levaria para casa o seu primeiro título do Campeonato Mundial.

A REVIRAVOLTA

Uma Ferrari derrapa, sai da pista, bate no guard-rail e pega fogo. O piloto, preso pelo cinto de seis pontos, esquece-se dos princípios fundamentais de segurança e retira o capacete em meio à fumaça. As chamas, que saem do carro, avançam rapidamente sobre seu rosto.

Isso não foi filme. A história é verdadeira e ocorreu no domingo, 1º de agosto de 1976, no circuito alemão de Nurburgring. A vítima era ninguém menos do que Niki Lauda, que fora retirado do carro por alguns pilotos e encaminhado, já inconsciente, ao Hospital Militar de Mannhein, próximo a Frankfurt. Com pulmões e brônquios comprometidos pelo gás carbônico inalado, os médicos explicavam que a perda de um dos órgãos respiratórios significaria a perda de metade da resistência do piloto – ou seja, Niki poderia ter ali um final trágico para sua carreira.

Coincidentemente, semanas antes do acidente, o ídolo das pistas havia participado de um debate junto aos organizadores da etapa alemã sobre as questões de segurança em Nurburgring. Entretanto, mesmo contra a corrida no autódromo por considerá-lo o mais perigoso da Fórmula 1, o austríaco acabou consentindo em correr ali.

Segundo palavras da equipe médica do centro de terapia intensiva, as chances de sobrevivência do campeão mundial pareciam mínimas, levando-se em consideração o estado inicial do paciente. Mas a resistência, ou até mesmo a sorte, de Niki surpreendeu a todos. No dia seguinte, já consciente, conseguiria falar algumas palavras sobre o que se lembrava do incidente.

Diante de laudos médicos pouco objetivos, pilotos, organizadores e até mesmo a Ferrari já começavam a se acostumar com a idéia de não ter Niki nas pistas por aquele ano. A escuderia italiana também deixava de sonhar com o título de construtores da temporada, já que a McLaren e a Tyrrel agora tinham chances de chegar à liderança. Aliás, o que mais intrigava a equipe era não ter à disposição o carro para entender o que realmente havia acontecido.

As queimaduras deixariam marcas profundas no rosto do jovem piloto. A pele em volta dos olhos se tornou seca e enrugada. Apareceram muitas falhas no couro cabeludo e pouco restou da orelha direita. No começo, o austríaco evitou as câmeras e os olhares espantados. Hoje, nem se importa mais em mostrar as cicatrizes e o rosto deformado.

Lauda resistiu e, superando todas as previsões, reapareceu ao volante da Ferrari no Grande Prêmio da Itália um mês e meio depois da catástrofe. Líder do campeonato, tinha tudo para conquistar o bi. Apenas um obstáculo se colocou em seu caminho: James Hunt, da McLaren, que tinha 65 pontos e começava a ameaçar a liderança do austríaco, que tinha 68. Mas Niki já havia feito o impossível naquela temporada, ao vencer um duelo com a morte. O instinto desafiador agora precisaria de longas férias. Na última corrida de 76, Lauda não chegaria até o final. Assustado com a forte chuva que caía durante a prova, abandonou na segunda volta o GP do Japão. Foi a glória para Hunt, que ficou com o terceiro lugar e sagrou-se campeão com um ponto à frente de Lauda.

O título não escaparia em 77, em temporada de poucas surpresas e dificuldades. Niki venceu apenas três GPs, África do Sul, Alemanha e Holanda, mas foi seis vezes segundo colocado e chegou em terceiro no Brasil. Jody Scheckter, na Wolf, seria o vice-campeão. Mesmo assim, Lauda deu adeus à equipe. "Os italianos só reconhecem a vitória dos seus carros, menosprezando os pilotos. Deram-me como acabado, mas voltei para mostrar que eu sou melhor que a máquina deles", desabafou, depois de ter conquistado o seu segundo título mundial, durante o anúncio de seu desligamento definitivo da Ferrari.

O FIM E O RECOMEÇO

Em 1978 e 1979, Lauda correu pela Brabham, atraído pelos dólares da Parmalat e de Bernie Ecclestone. No primeiro ano, com um motor Alfa Romeo, foi quarto colocado no campeonato, ganhando apenas na Suécia e na Itália. Na temporada seguinte, não conseguiu nenhuma vitória nem pole positions. Diziam que estava acabado e que seria substituído pelo jovem Nelson Piquet, contratado pela equipe.

Desiludido com o automobilismo, Niki decidiu abandonar a carreira e se dedicar a sua empresa aérea, a Lauda Air, que prosperava. Queria distância da Fórmula 1, mas o afastamento durou pouco. Em 1982, recebeu um convite milionário da McLaren para voltar às pistas. Segundo informações de outros pilotos, Lauda teria ganho 5 milhões de dólares por dois anos de contrato. Aceitou, até porque sua empresa não andava bem das asas. Lauda voltou em grande forma, vencendo os GPs de Long Beach e da Inglaterra e terminando o campeonato no honroso quinto lugar.

Foi difícil para Lauda ultrapassar todos os medos que lhe surpreendiam frequentemente após o acidente no circuito de Nurburgring. O motivo de seu afastamento em 1979, durante a primeira sessão de treinos para o Grande Prêmio do Canadá, o piloto só esclareceria depois de quase dois anos, em seu retorno às competições. "Já não me divertia, por isso não fazia sentido continuar."

Correr deveria ser um divertimento prazeroso e agradável. E foi pensando assim que Niki enfrentou as críticas e alcançou o tricampeonato mundial. Era a consagração de um mito e a entrada definitiva nas páginas da história do automobilismo como o quarto piloto da história a conseguir o tri. Antes dele, só Juan Manuel Fangio, Jackie Stewart e Jack Brabham haviam alcançado tal feito.

Na última etapa da temporada de 1984, Niki deu uma lição de pilotagem e mostrou que um piloto não precisa saber apenas acelerar, mas quando fazê-lo. No autódromo de Estoril, em Portugal, ele largou na 11ª posição e, pacientemente, esperou o momento certo para ultrapassar, um a um, todos os que se encontravam a sua frente. Apenas o francês Alan Prost, seu companheiro de equipe da McLaren, ficou imune a sua audácia. Infelizmente, não da sua astúcia. Consciente da vantagem de meio ponto em relação a Prost, Niki decidiu não arriscar e assegurou a segunda colocação na corrida, o que lhe rendeu naquele domingo o terceiro título mundial. Na pista estavam alguns dos que viriam a ser os mais consagrados pilotos do automobilismo como Nélson Piquet, Ayrton Senna e Nigel Mansell. Todos superados pelo austríaco naquele dia.

JAGUAR

Um fraco desempenho em 1985 fez Niki deixar definitivamente as competições, voltando ao comando da sua empresa aérea e, mais tarde, se tornando consultor da escuderia Ferrari. O austríaco trabalhava junto ao presidente da escuderia, Luca de Montezemolo, mas a parceria se dissolveu ao final de 1996, devido a desentendimentos com Jean Todt, diretor-esportivo do time vermelho.

Nos últimos anos, Niki Lauda chegou a chefe da divisão de automobilismo da Ford. O tricampeão foi contratado em fevereiro de 2001 para comandar a Jaguar na Fórmula 1, além da Cosworth e da PI Electronics, responsáveis pelo carro da empresa na categoria. A intenção era de que ele conseguisse uma maior integração entre as três divisões.

O ex-piloto também deveria manter uma boa sintonia com Bobby Rahal, diretor-geral da Jaguar, e com Steve Nichols, diretor-técnico do time. Assim, o brasileiro Luciano Burti e o irlandês Eddie Irvine, então pilotos da escuderia verde, poderiam somar mais do que os quatro pontos marcados na temporada passada. Ambos colocaram nas pistas o modelo R2, mais simples que o anterior e com as mudanças aerodinâmicas previstas pelo novo regulamento da categoria.

Não deu certo. A Jaguar demonstrou pouca evolução e substituiu Burti pelo espanhol Pedro de la Rosa. Rahal e Lauda entraram em conflito que resultou com a saída do norte-americano da escuderia. No ano seguinte, Lauda chegou a andar com o carro da equipe, para provar sua tese de que “qualquer macaco treinado” poderia pilotar um carro da Fórmula 1 com os auxílios eletrônicos. Acabou rodando. Discutiu com os dirigentes da Ford e deixou o cargo.

Desde então, sua contribuição ao automobilismo não mais passou da linha de largada, onde por muitas vezes foi flagrado dando conselhos e dicas de quem conhece muito bem o mundo das pistas.


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