| Foto: AFP |
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Nome: Andreas Nikolaus Lauda
Nascimento: 22 de fevereiro de 1949,
em Viena, Áustria
Principais Títulos: Fórmula 1 (1975; 1977
e 1984)
Primeira vitória: GP da Espanha,
em 1974
Primeira temporada na F-1: 1972
Corridas: 171
Vitórias: 25
2º lugar: 20
3º lugar: 9
Pole positons: 24
Voltas mais rápidas: 24
Total de temporadas: 11
Pontos na carreira: 420,5
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Fechado, cara de poucos amigos, arredio com os fãs,
o austríaco Niki Lauda é um carismático
campeão. Filho de família burguesa, criado na
aristocrática cidade de Viena, Lauda freqüentou
os melhores colégios. Seu avô era membro do conselho
administrativo de um banco. Seu pai, industrial. Ambos fizeram
questão de ensinar ao jovem todos os macetes do mundo
dos negócios.
Aos 12 anos, porém, ele já dirigia trator nas
fazendas da família no interior do país. Três
anos mais tarde começaria a pegar escondido um velho
Volkswagen de seu pai. Desde pequeno, o fascínio pelo
automóvel superaria as equações matemáticas.
Em 1967, com apenas 18 anos, o jovem Andreas Nicolas transferiu-se
para um pequeno apartamento em Salzburgo, local estratégico
entre os dois únicos autódromos do país:
Salzburgring e Osterreichring.
A decisão de entrar nas competições
viria de repente, quando o piloto, acompanhado de um amigo,
encantou-se pelo automobilismo em uma visita ao circuito de
Nurburgring. A Faculdade de Letras de Viena, o jovem trocaria
por um Mini-Cooper, emprestado por um amigo. Desde então,
a família nunca mais lhe deu um tostão para
aplicar no automobilismo. A bordo de seu primeiro companheiro
de pistas, Lauda conquistou já em 1968 o campeonato
austríaco, vencendo todas as provas que disputara.
Daí, o próximo passo seria pilotar um Porsche
911, ainda do amigo, na categoria Super V.
Em 1971, Lauda deixava a Áustria para correr na Fórmula
3 com um McNamara e alguns pequenos patrocínios. Um
empréstimo em um banco austríaco para bancar
o aluguel dos carros garantiu ao novato piloto uma temporada
na Fórmula 2, e, ainda que com uma performance tímida,
a atenção de caçadores de talentos da
Fórmula 1. Em 1972, depois de testar no GP de seu país
do ano anterior, a disputa da badalada categoria se tornaria
realidade. Piloto da equipe March, Niki não conseguiu
resultados expressivos naquele ano e, o pior, teve até
de pagar para correr. Apenas no campeonato seguinte é
que pôde respirar aliviado: na BRM, receberia um salário
pela primeira vez em sua carreira.
Lauda somou pontos pela primeira vez no GP da Bélgica
de 73, com um quinto lugar. Mesmo assim, mudou de ares no
final do ano, em direção à Ferrari –
talvez sem saber que o contrato com escuderia italiana seria
o início de um futuro promissor. Na temporada de 1974
vieram duas vitórias, no GP da Espanha e da Holanda,
e um motivador quarto lugar no Mundial. O primeiro título
estava por vir.
Foram cinco vitórias em 75: Mônaco, Bélgica,
Suécia, França e EUA. Nove pole positons e o
troféu de campeão mundial. O austríaco
esteve impecável. Era um dos pilotos mais bem pagos
da categoria e ídolo de uma legião de tiffosi
ferraristas. Mas nada disso fez com que ele se entregasse
aos acessos de estrelismo, comum entre os heróis das
pistas. Sua personalidade estranha ao ambiente passou a ser
consumida pelo grande público do melhor automobilismo
de competição na Europa.
Lauda teve de superar dois resistentes rivais: o argentino
Carlos Reutemann e o brasileiro Emerson Fittipaldi. Emerson,
da McLaren, inaugurou a temporada vencendo o GP da Argentina,
em Buenos Aires. Ao contrário do ano anterior, quando
conquistou o título mundial, Fittipaldi teve de se
contentar com o vice-campeonato. Depois vieram vitórias
de José Carlos Pace, da Brabham, Jody Scheckter, da
Tyrrel, e Jochen Mass, da McLaren. Apenas na quinta corrida,
Niki chegaria a sua primeira vitória da temporada,
no GP de Mônaco. Daí seguiram outras duas, na
Bélgica e na Suécia.
O inglês James Hunt ainda apareceria para acabar com
o entusiasmo do austríaco, interrompendo uma série
de conquistas ao vencer o GP da Holanda. Mesmo assim, Lauda
permaneceu imbatível, alcançando outros dois
primeiros lugares. Na última corrida do ano, nos Estados
Unidos, Niki brindaria o pódio com um gosto todo especial.
Além de comemorar a vitória da etapa, levaria
para casa o seu primeiro título do Campeonato Mundial.
A REVIRAVOLTA
Uma Ferrari derrapa, sai da pista, bate no guard-rail e pega
fogo. O piloto, preso pelo cinto de seis pontos, esquece-se
dos princípios fundamentais de segurança e retira
o capacete em meio à fumaça. As chamas, que
saem do carro, avançam rapidamente sobre seu rosto.
Isso não foi filme. A história é verdadeira
e ocorreu no domingo, 1º de agosto de 1976, no circuito
alemão de Nurburgring. A vítima era ninguém
menos do que Niki Lauda, que fora retirado do carro por alguns
pilotos e encaminhado, já inconsciente, ao Hospital
Militar de Mannhein, próximo a Frankfurt. Com pulmões
e brônquios comprometidos pelo gás carbônico
inalado, os médicos explicavam que a perda de um dos
órgãos respiratórios significaria a perda
de metade da resistência do piloto – ou seja,
Niki poderia ter ali um final trágico para sua carreira.
Coincidentemente, semanas antes do acidente, o ídolo
das pistas havia participado de um debate junto aos organizadores
da etapa alemã sobre as questões de segurança
em Nurburgring. Entretanto, mesmo contra a corrida no autódromo
por considerá-lo o mais perigoso da Fórmula
1, o austríaco acabou consentindo em correr ali.
Segundo palavras da equipe médica do centro de terapia
intensiva, as chances de sobrevivência do campeão
mundial pareciam mínimas, levando-se em consideração
o estado inicial do paciente. Mas a resistência, ou
até mesmo a sorte, de Niki surpreendeu a todos. No
dia seguinte, já consciente, conseguiria falar algumas
palavras sobre o que se lembrava do incidente.
Diante de laudos médicos pouco objetivos, pilotos,
organizadores e até mesmo a Ferrari já começavam
a se acostumar com a idéia de não ter Niki nas
pistas por aquele ano. A escuderia italiana também
deixava de sonhar com o título de construtores da temporada,
já que a McLaren e a Tyrrel agora tinham chances de
chegar à liderança. Aliás, o que mais
intrigava a equipe era não ter à disposição
o carro para entender o que realmente havia acontecido.
As queimaduras deixariam marcas profundas no rosto do jovem
piloto. A pele em volta dos olhos se tornou seca e enrugada.
Apareceram muitas falhas no couro cabeludo e pouco restou
da orelha direita. No começo, o austríaco evitou
as câmeras e os olhares espantados. Hoje, nem se importa
mais em mostrar as cicatrizes e o rosto deformado.
Lauda resistiu e, superando todas as previsões, reapareceu
ao volante da Ferrari no Grande Prêmio da Itália
um mês e meio depois da catástrofe. Líder
do campeonato, tinha tudo para conquistar o bi. Apenas um
obstáculo se colocou em seu caminho: James Hunt, da
McLaren, que tinha 65 pontos e começava a ameaçar
a liderança do austríaco, que tinha 68. Mas
Niki já havia feito o impossível naquela temporada,
ao vencer um duelo com a morte. O instinto desafiador agora
precisaria de longas férias. Na última corrida
de 76, Lauda não chegaria até o final. Assustado
com a forte chuva que caía durante a prova, abandonou
na segunda volta o GP do Japão. Foi a glória
para Hunt, que ficou com o terceiro lugar e sagrou-se campeão
com um ponto à frente de Lauda.
O título não escaparia em 77, em temporada
de poucas surpresas e dificuldades. Niki venceu apenas três
GPs, África do Sul, Alemanha e Holanda, mas foi seis
vezes segundo colocado e chegou em terceiro no Brasil. Jody
Scheckter, na Wolf, seria o vice-campeão. Mesmo assim,
Lauda deu adeus à equipe. "Os italianos só
reconhecem a vitória dos seus carros, menosprezando
os pilotos. Deram-me como acabado, mas voltei para mostrar
que eu sou melhor que a máquina deles", desabafou,
depois de ter conquistado o seu segundo título mundial,
durante o anúncio de seu desligamento definitivo da
Ferrari.
O FIM E O RECOMEÇO
Em 1978 e 1979, Lauda correu pela Brabham, atraído
pelos dólares da Parmalat e de Bernie Ecclestone. No
primeiro ano, com um motor Alfa Romeo, foi quarto colocado
no campeonato, ganhando apenas na Suécia e na Itália.
Na temporada seguinte, não conseguiu nenhuma vitória
nem pole positions. Diziam que estava acabado e que seria
substituído pelo jovem Nelson Piquet, contratado pela
equipe.
Desiludido com o automobilismo, Niki decidiu abandonar a
carreira e se dedicar a sua empresa aérea, a Lauda
Air, que prosperava. Queria distância da Fórmula
1, mas o afastamento durou pouco. Em 1982, recebeu um convite
milionário da McLaren para voltar às pistas.
Segundo informações de outros pilotos, Lauda
teria ganho 5 milhões de dólares por dois anos
de contrato. Aceitou, até porque sua empresa não
andava bem das asas. Lauda voltou em grande forma, vencendo
os GPs de Long Beach e da Inglaterra e terminando o campeonato
no honroso quinto lugar.
Foi difícil para Lauda ultrapassar todos os medos
que lhe surpreendiam frequentemente após o acidente
no circuito de Nurburgring. O motivo de seu afastamento em
1979, durante a primeira sessão de treinos para o Grande
Prêmio do Canadá, o piloto só esclareceria
depois de quase dois anos, em seu retorno às competições.
"Já não me divertia, por isso não
fazia sentido continuar."
Correr deveria ser um divertimento prazeroso e agradável.
E foi pensando assim que Niki enfrentou as críticas
e alcançou o tricampeonato mundial. Era a consagração
de um mito e a entrada definitiva nas páginas da história
do automobilismo como o quarto piloto da história a
conseguir o tri. Antes dele, só Juan Manuel Fangio,
Jackie Stewart e Jack Brabham haviam alcançado tal
feito.
Na última etapa da temporada de 1984, Niki deu uma
lição de pilotagem e mostrou que um piloto não
precisa saber apenas acelerar, mas quando fazê-lo. No
autódromo de Estoril, em Portugal, ele largou na 11ª
posição e, pacientemente, esperou o momento
certo para ultrapassar, um a um, todos os que se encontravam
a sua frente. Apenas o francês Alan Prost, seu companheiro
de equipe da McLaren, ficou imune a sua audácia. Infelizmente,
não da sua astúcia. Consciente da vantagem de
meio ponto em relação a Prost, Niki decidiu
não arriscar e assegurou a segunda colocação
na corrida, o que lhe rendeu naquele domingo o terceiro título
mundial. Na pista estavam alguns dos que viriam a ser os mais
consagrados pilotos do automobilismo como Nélson Piquet,
Ayrton Senna e Nigel Mansell. Todos superados pelo austríaco
naquele dia.
JAGUAR
Um fraco desempenho em 1985 fez Niki deixar definitivamente
as competições, voltando ao comando da sua empresa
aérea e, mais tarde, se tornando consultor da escuderia
Ferrari. O austríaco trabalhava junto ao presidente
da escuderia, Luca de Montezemolo, mas a parceria se dissolveu
ao final de 1996, devido a desentendimentos com Jean Todt,
diretor-esportivo do time vermelho.
Nos últimos anos, Niki Lauda chegou a chefe da divisão
de automobilismo da Ford. O tricampeão foi contratado
em fevereiro de 2001 para comandar a Jaguar na Fórmula
1, além da Cosworth e da PI Electronics, responsáveis
pelo carro da empresa na categoria. A intenção
era de que ele conseguisse uma maior integração
entre as três divisões.
O ex-piloto também deveria manter uma boa sintonia
com Bobby Rahal, diretor-geral da Jaguar, e com Steve Nichols,
diretor-técnico do time. Assim, o brasileiro Luciano
Burti e o irlandês Eddie Irvine, então pilotos
da escuderia verde, poderiam somar mais do que os quatro pontos
marcados na temporada passada. Ambos colocaram nas pistas
o modelo R2, mais simples que o anterior e com as mudanças
aerodinâmicas previstas pelo novo regulamento da categoria.
Não deu certo. A Jaguar demonstrou pouca evolução
e substituiu Burti pelo espanhol Pedro de la Rosa. Rahal e
Lauda entraram em conflito que resultou com a saída
do norte-americano da escuderia. No ano seguinte, Lauda chegou
a andar com o carro da equipe, para provar sua tese de que
“qualquer macaco treinado” poderia pilotar um
carro da Fórmula 1 com os auxílios eletrônicos.
Acabou rodando. Discutiu com os dirigentes da Ford e deixou
o cargo.
Desde então, sua contribuição ao automobilismo
não mais passou da linha de largada, onde por muitas
vezes foi flagrado dando conselhos e dicas de quem conhece
muito bem o mundo das pistas.
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