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Atualização: 06/02/2008
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . NIGEL MANSELL

Um exemplo de persistência

Foto: Gazeta Press
Foto: Gazeta Press

Nome: Nigel Ernest James Mansell
Nascimento: 8 de agosto de 1953, em Upton-upon-Severn, Inglaterra
GPs: 187
Vitórias: 31
Voltas mais rápidas: 30
Pódio: 59 vezes
Estréia na F-1: 1980 (GP da Áustria)
Primeira vitória: 1985 (GP da Europa)
Principais títulos: Fórmula Ford britânica (1977), Fórmula 1 (1992) e Fórmula Indy (1993)
Curiosidades: Mansell encerrou a carreira e deu adeus a seu tradicional bigode. Além disso, assim como diversos pilotos, chegou a ter problemas com as autoridades de trânsito e teve a licença de motorista cassada na Inglaterra.

Nigel Mansell mostrou seu talento desde cedo. Nascido na cidade de Upton-upon-Severn em 8 de agosto de 1953, Nigel já voava pelas pistas de kart da Inglaterra aos 14 anos, correndo entre 1968 e 1975 e obtendo 15 títulos. Em 76, contra a vontade de seu pai, estreou na Fórmula Ford, vencendo seis das nove corridas disputadas.

No ano seguinte, Mansell decidiu continuar na categoria, e vendeu a sua casa para financiar as despesas com o carro nas corridas iniciais da temporada. Porém, mesmo dominando as provas, o inglês sofreu a maior ameaça a sua ascendente carreira, quebrando o pescoço ao capotar seu carro no circuito de Brands Hatch e recebendo o aviso dos médicos de que não poderia mais dirigir.

Indignado com o diagnóstico, o piloto abandonou o hospital e decidiu que voltaria às pistas em pouco tempo. Pegou algumas fotos dramáticas da cena do seu acidente, mandou ampliá-las e as expôs na sala onde fazia a sua fisioterapia, para que lhe servissem de motivação. De maneira impressionante, o Leão conseguiu voltar naquela mesma temporada e ser campeão com 33 vitórias em 42 corridas, incentivando-lhe a transferência para Fórmula 3 britânica no ano seguinte.

Mansell conseguiu algum brilho na Fórmula 3 inglesa em 78, embora os motores Triumph da equipe March não fossem competitivos como os Toyota de Nelson Piquet e Derek Warwick. Sem vencer, optou por pagar para correr na bem-sucedida David Price Racing na temporada seguinte, quando conseguiu sua primeira vitória, em Silverstone. O inglês chegou a sofrer outro acidente grave, fraturando a coluna. Mesmo assim, terminou o ano em oitavo e conseguiu seu maior prêmio: a atenção da Fórmula 1.

O estilo arrojado de pilotar do Leão tinha despertado o interesse da imprensa especializada e das grandes equipes. Em 1980, veio a oportunidade: Colin Chapman, o homem-forte da Lotus, gostou de Mansell e resolveu contratar o inglês como piloto de testes. Impressionado com a capacidade dele, resolveu torná-lo o terceiro piloto da equipe na Fórmula 1, ao lado de Mario Andretti e Elio de Angelis. Logo na estréia, no GP da Áustria, ele conseguiu várias ultrapassagens nas primeiras voltas, mas seu motor explodiu pouco depois.

Bastaram apenas dois anos ao lado de De Angelis para que Mansell se firmasse como piloto principal da então poderosa Lotus, conquistando seu primeiro pódio no GP da Bélgica de 81. Infelizmente, o falecimento de Chapman em 82 iniciou a decadência da equipe. Assim, em 85, Frank Williams convidou o inglês para correr pela sua escuderia. Novos ventos começavam a soprar para o Leão.

Com o motor Honda da Williams, o britânico pôde finalmente voar mais alto e competir de igual para igual com os grandes campeões. O primeiro ano na nova equipe rendeu a sexta colocação para Nigel, mas ele sabia que tinha carro para conseguir o título. Em 86, já em parceria com Nelson Piquet, fez uma ótima temporada e seria campeão se Alain Prost não roubasse a sua cena. Em um histórico GP da Austrália, o francês venceu a corrida e derrotou Mansell e Piquet, faturando o título.

No ano seguinte, parecia que nada poderia impedir a poderosa Williams de Mansell de chegar ao título – a não ser a outra Williams, a de Nelson Piquet. Não deu outra: o inglês sofre uma batida nos treinos para o GP do Japão e fica fora das duas últimas provas do ano. Como o brasileiro tinha vantagem sobre seu companheiro, não precisou nem mesmo pontuar para chegar ao tricampeonato.

Quis o destino que os principais desafetos de Mansell fossem os melhores corredores da sua geração: Alain Prost, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Na verdade os quatro pouco se suportavam, principalmente dentro das pistas. A partir de 1988, começou então a hegemonia da McLaren na F-1, e Mansell ficou apenas com a nona posição. Nos dois anos seguintes o piloto tentou a Ferrari, mas todas as atenções da mídia estavam no duelo Senna x Prost, que disputavam os títulos volta a volta. Desanimado e sem muitas perspectivas, o Leão pensava em largar a categoria no final do ano de 1990. Em 91, o título de Senna e seu vice-campeonato não aliviaram esse cenário.

OS TÍTULOS

Porém, o Leão finalmente conseguiu saciar sua fome em 92 – e em grande estilo. A bordo da mítica Williams FW14B, Mansell venceu as cinco primeiras provas do ano (África do Sul, México, Brasil, Espanha e San Marino). Ao todo, foram nove vitórias e três segundos lugares em 16 corridas, sem deixar dúvidas de quem seria o melhor piloto do mundo naquela temporada. Finalmente, Mansell conquistou o título do Mundial de pilotos pelo qual tanto tinha brigado e sofrido.

A imprensa o cercava o tempo todo e sua popularidade era muito alta, principalmente em seu país, onde foi recebido como herói. Astuto, Mansell percebeu que vivia o auge de sua carreira e o melhor que podia fazer era mudar de categoria para sair por cima, anunciando assim que estava passando para a Fórmula Indy.

Diferente da Fórmula 1, a Indy era tipicamente americana, e Nigel Mansell queria ser o primeiro piloto europeu a conquistar um título na categoria. Correndo pela Newman-Hass, o inglês adaptou-se rapidamente aos ovais e logo no inicio do campeonato já se mostrou um forte candidato ao título. O veteraníssimo Emerson Fittipaldi também estava muito bem naquele ano e os dois seguiram numa disputa acirrada por toda temporada de 93.

De maneira impressionante, Mansell não só conseguiu de fato ser o primeiro europeu a conquistar um título na Indy, como também foi o único estreante da história da categoria a ser campeão. Quem poderia esperar?

Já em final de carreira, o bigodudo Mansell tornou-se uma figura folclórica do automobilismo. Seu jeitão desengonçado e bonachão chamava atenção da imprensa, que adorava publicar as suas fotos mais pitorescas. Vários episódios ajudaram a construir essa imagem do piloto.

Como no GP de Dallas de 84, em que o combustível de seu carro acabou a poucos metros da chegada e Mansell saiu do cockpit para empurrar o veículo até cruzar a linha final. Acabou desmaiando antes de conseguir. Ou após o GP da Inglaterra de 91, quando deu a famosa carona para Ayrton Senna até os boxes, com o brasileiro pendurado do lado de fora do carro.

A partir do ano de 94, a carreira de Mansell tornou-se confusa e inconstante. Nesse ano, ele permaneceu apenas por alguns meses na Indy, ainda pela Newman-Hass, e depois resolveu retornar à Fórmula 1, correndo o finalzinho da temporada com a Williams. Ainda conseguiu vencer no GP da Austrália, encerrando o ano.

Na temporada de 95, fez grande estardalhaço para anunciar que iria para a McLaren, mas correu apenas duas corridas e teve um péssimo desempenho, o que acabou motivando o cancelamento de seu contrato. Foi sua despedida dos grandes categorias.

No entanto, a maior prova de que a velocidade está em seu sangue é o fato de que Mansell não conseguiu abandonar definitivamente as pistas. Vez ou outra ele ainda pôde ser visto pilotando em outras categorias, como na falida GP Masters. Mesmo assim, o legado da família já está garantido, com seus filhos Leo e Greg tentando vagas no automobilismo dos EUA para o futuro próximo.


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