| Um exemplo de persistência
| Foto: Gazeta Press |
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Nome: Nigel Ernest James Mansell
Nascimento: 8 de agosto de 1953, em
Upton-upon-Severn, Inglaterra
GPs: 187
Vitórias: 31
Voltas mais rápidas: 30
Pódio: 59 vezes
Estréia na F-1: 1980 (GP da
Áustria)
Primeira vitória: 1985 (GP da
Europa)
Principais títulos: Fórmula
Ford britânica (1977), Fórmula 1 (1992)
e Fórmula Indy (1993)
Curiosidades: Mansell encerrou a carreira
e deu adeus a seu tradicional bigode. Além disso,
assim como diversos pilotos, chegou a ter problemas
com as autoridades de trânsito e teve a licença
de motorista cassada na Inglaterra. |
Nigel Mansell mostrou seu talento desde cedo. Nascido na cidade
de Upton-upon-Severn em 8 de agosto de 1953, Nigel já
voava pelas pistas de kart da Inglaterra aos 14 anos, correndo
entre 1968 e 1975 e obtendo 15 títulos. Em 76, contra
a vontade de seu pai, estreou na Fórmula Ford, vencendo
seis das nove corridas disputadas.
No ano seguinte, Mansell decidiu continuar na categoria,
e vendeu a sua casa para financiar as despesas com o carro
nas corridas iniciais da temporada. Porém, mesmo dominando
as provas, o inglês sofreu a maior ameaça a sua
ascendente carreira, quebrando o pescoço ao capotar
seu carro no circuito de Brands Hatch e recebendo o aviso
dos médicos de que não poderia mais dirigir.
Indignado com o diagnóstico, o piloto abandonou o
hospital e decidiu que voltaria às pistas em pouco
tempo. Pegou algumas fotos dramáticas da cena do seu
acidente, mandou ampliá-las e as expôs na sala
onde fazia a sua fisioterapia, para que lhe servissem de motivação.
De maneira impressionante, o Leão conseguiu voltar
naquela mesma temporada e ser campeão com 33 vitórias
em 42 corridas, incentivando-lhe a transferência para
Fórmula 3 britânica no ano seguinte.
Mansell conseguiu algum brilho na Fórmula 3 inglesa
em 78, embora os motores Triumph da equipe March não
fossem competitivos como os Toyota de Nelson Piquet e Derek
Warwick. Sem vencer, optou por pagar para correr na bem-sucedida
David Price Racing na temporada seguinte, quando conseguiu
sua primeira vitória, em Silverstone. O inglês
chegou a sofrer outro acidente grave, fraturando a coluna.
Mesmo assim, terminou o ano em oitavo e conseguiu seu maior
prêmio: a atenção da Fórmula 1.
O estilo arrojado de pilotar do Leão tinha despertado
o interesse da imprensa especializada e das grandes equipes.
Em 1980, veio a oportunidade: Colin Chapman, o homem-forte
da Lotus, gostou de Mansell e resolveu contratar o inglês
como piloto de testes. Impressionado com a capacidade dele,
resolveu torná-lo o terceiro piloto da equipe na Fórmula
1, ao lado de Mario Andretti e Elio de Angelis. Logo na estréia,
no GP da Áustria, ele conseguiu várias ultrapassagens
nas primeiras voltas, mas seu motor explodiu pouco depois.
Bastaram apenas dois anos ao lado de De Angelis para que
Mansell se firmasse como piloto principal da então
poderosa Lotus, conquistando seu primeiro pódio no
GP da Bélgica de 81. Infelizmente, o falecimento de
Chapman em 82 iniciou a decadência da equipe. Assim,
em 85, Frank Williams convidou o inglês para correr
pela sua escuderia. Novos ventos começavam a soprar
para o Leão.
Com o motor Honda da Williams, o britânico pôde
finalmente voar mais alto e competir de igual para igual com
os grandes campeões. O primeiro ano na nova equipe
rendeu a sexta colocação para Nigel, mas ele
sabia que tinha carro para conseguir o título. Em 86,
já em parceria com Nelson Piquet, fez uma ótima
temporada e seria campeão se Alain Prost não
roubasse a sua cena. Em um histórico GP da Austrália,
o francês venceu a corrida e derrotou Mansell e Piquet,
faturando o título.
No ano seguinte, parecia que nada poderia impedir a poderosa
Williams de Mansell de chegar ao título – a não
ser a outra Williams, a de Nelson Piquet. Não deu outra:
o inglês sofre uma batida nos treinos para o GP do Japão
e fica fora das duas últimas provas do ano. Como o
brasileiro tinha vantagem sobre seu companheiro, não
precisou nem mesmo pontuar para chegar ao tricampeonato.
Quis o destino que os principais desafetos de Mansell fossem
os melhores corredores da sua geração: Alain
Prost, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Na verdade os quatro
pouco se suportavam, principalmente dentro das pistas. A partir
de 1988, começou então a hegemonia da McLaren
na F-1, e Mansell ficou apenas com a nona posição.
Nos dois anos seguintes o piloto tentou a Ferrari, mas todas
as atenções da mídia estavam no duelo
Senna x Prost, que disputavam os títulos volta a volta.
Desanimado e sem muitas perspectivas, o Leão pensava
em largar a categoria no final do ano de 1990. Em 91, o título
de Senna e seu vice-campeonato não aliviaram esse cenário.
OS TÍTULOS
Porém, o Leão finalmente conseguiu saciar sua
fome em 92 – e em grande estilo. A bordo da mítica
Williams FW14B, Mansell venceu as cinco primeiras provas do
ano (África do Sul, México, Brasil, Espanha
e San Marino). Ao todo, foram nove vitórias e três
segundos lugares em 16 corridas, sem deixar dúvidas
de quem seria o melhor piloto do mundo naquela temporada.
Finalmente, Mansell conquistou o título do Mundial
de pilotos pelo qual tanto tinha brigado e sofrido.
A imprensa o cercava o tempo todo e sua popularidade era
muito alta, principalmente em seu país, onde foi recebido
como herói. Astuto, Mansell percebeu que vivia o auge
de sua carreira e o melhor que podia fazer era mudar de categoria
para sair por cima, anunciando assim que estava passando para
a Fórmula Indy.
Diferente da Fórmula 1, a Indy era tipicamente americana,
e Nigel Mansell queria ser o primeiro piloto europeu a conquistar
um título na categoria. Correndo pela Newman-Hass,
o inglês adaptou-se rapidamente aos ovais e logo no
inicio do campeonato já se mostrou um forte candidato
ao título. O veteraníssimo Emerson Fittipaldi
também estava muito bem naquele ano e os dois seguiram
numa disputa acirrada por toda temporada de 93.
De maneira impressionante, Mansell não só conseguiu
de fato ser o primeiro europeu a conquistar um título
na Indy, como também foi o único estreante da
história da categoria a ser campeão. Quem poderia
esperar?
Já em final de carreira, o bigodudo Mansell tornou-se
uma figura folclórica do automobilismo. Seu jeitão
desengonçado e bonachão chamava atenção
da imprensa, que adorava publicar as suas fotos mais pitorescas.
Vários episódios ajudaram a construir essa imagem
do piloto.
Como no GP de Dallas de 84, em que o combustível de
seu carro acabou a poucos metros da chegada e Mansell saiu
do cockpit para empurrar o veículo até cruzar
a linha final. Acabou desmaiando antes de conseguir. Ou após
o GP da Inglaterra de 91, quando deu a famosa carona para
Ayrton Senna até os boxes, com o brasileiro pendurado
do lado de fora do carro.
A partir do ano de 94, a carreira de Mansell tornou-se confusa
e inconstante. Nesse ano, ele permaneceu apenas por alguns
meses na Indy, ainda pela Newman-Hass, e depois resolveu retornar
à Fórmula 1, correndo o finalzinho da temporada
com a Williams. Ainda conseguiu vencer no GP da Austrália,
encerrando o ano.
Na temporada de 95, fez grande estardalhaço para anunciar
que iria para a McLaren, mas correu apenas duas corridas e
teve um péssimo desempenho, o que acabou motivando
o cancelamento de seu contrato. Foi sua despedida dos grandes
categorias.
No entanto, a maior prova de que a velocidade está
em seu sangue é o fato de que Mansell não conseguiu
abandonar definitivamente as pistas. Vez ou outra ele ainda
pôde ser visto pilotando em outras categorias, como
na falida GP Masters. Mesmo assim, o legado da família
já está garantido, com seus filhos Leo e Greg
tentando vagas no automobilismo dos EUA para o futuro próximo.
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