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Atualização: 07/02/2008
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . NELSON PIQUET

Foto: Gazeta Press
Foto: Gazeta Press

Nome: Nelson Piquet Souto Mayor
Nascimento: 17 de agosto de 1952, no Rio de Janeiro
Temporadas: 13
GP iniciados: 204
Pódios: 60
Vitórias: 23
Pole Positions: 24
Melhores voltas: 23
Pontos: 485
Principais Títulos: Brasileiro de kart (71 e 72), brasileiro de Fórmula Super V (76), britânico de Fórmula 3 (78), Mundial de Fórmula 1 (81, 83 e 87).

O carioca Nelson Piquet está entre os principais nomes que o Brasil já teve na Fórmula 1. Chegou à categoria no final do ano de 1978, e já na sua terceira temporada completa, sagrou-se campeão mundial, em 81, pela Brabham. Dois anos depois, na mesma equipe, ganhou seu segundo título, o primeiro de um piloto dirigindo um carro com motor turbo. Transferiu-se para a Williams em 86, onde se tornaria tricampeão um ano mais tarde. Até o fim de sua carreira defendeu ainda a Lotus e a Benneton.

Mesmo sem o apoio da família, Nelson Piquet foi atrás de seus sonhos. Depois das conquistas nacionais, como o bi brasileiro de kart em 71 e 72 ou a Fórmula Super V de 76, chegava o momento de mergulhar nas disputas internacionais. Piquet tinha 24 anos quando se mandou para a Europa, mais precisamente Inglaterra. Logo no primeiro ano, 1977, foi terceiro no campeonato europeu de Fórmula 3, com duas vitórias. No ano seguinte, ganhou com facilidade o título britânico de Fórmula 3, o vestibular para a cobiçada Fórmula 1.

Surpreendente e arrojado, o desempenho de Piquet impressionou tanto os chefes de equipe que, naquele mesmo ano, enquanto terminava o campeonato de F-3, estreou na F-1 no Grande Prêmio da Alemanha Ocidental pela modesta Ensign. Era 30 de julho e a competência do novato piloto começava a deixar rastros. Ainda em 1978, Piquet fez mais quatro corridas, pilotando uma McLaren em Áustria, Holanda e Itália e uma Brabham no Canadá.

Mas seria a temporada de 1979 a que guardaria maiores surpresas para o brasileiro. Seria o arranque definitivo para a concretização de seu maior sonho: voar pelas pistas dos audaciosos GPs da Fórmula 1. Contratado pela Brabham, Piquet conseguiu apenas três pontos com um quarto lugar em Zandvoort, fechando em 15º lugar o ano dominado pelas Ferrari de Gilles Villeneuve e Jody Scheckter. No ano seguinte, viriam as primeiras vitórias em Long Beach, Zandvoort e Ímola, dando ao brasileiro o vice-campeonato em ano de título do australiano Alan Jones.

A conquista do primeiro título mundial de Nelson Piquet na Fórmula 1 em 1981 exigiu sacrifício e muita cautela, principalmente se considerarmos o fato de que, a uma corrida para o final da temporada, ao brasileiro encontrava-se a apenas um ponto do líder, o argentino Carlos Reutemann. A perícia e a habilidade eram atributos que estariam em xeque no último GP da temporada, realizado em Las Vegas, Estados Unidos. Quem esperava por uma corrida ousada, com ultrapassagens emocionantes, saiu do autódromo decepcionado. A prova foi um teste de astúcia e muita, muita paciência. Piquet, que somava até então 48 pontos na competição, lutava para se manter na quinta posição, três à frente de Reutemann, acatando as orientações vindas dos boxes da britânica Brabham.

Com apenas três anos na categoria, Piquet ergueria a taça de campeão mundial da F-1 em meio a um banho de champanhe, técnica e audácia. O bom desempenho não se repetiu em 1982, quando terminou o ano apenas no 11º lugar com 20 pontos; mas em 1983, ainda na Brabham, o brasileiro venceu seu segundo campeonato em condições quase idênticas às de 81. Disputando a liderança do Mundial com Alain Prost, da Renault, Piquet encerrou a temporada com apenas dois pontos de vantagem sobre o francês, que acumulou 49 pontos. A corrida decisiva aconteceu no GP da África do Sul, no circuito de Kyalami, onde o brasileiro, com a terceira colocação na prova, levaria seu bicampeonato mundial.

Nos dois anos seguintes, sofrendo com o motor BMW na Brabham, Nelson conseguiu poucos resultados. Assim, em 1986, fez as malas e foi para a Williams, onde disputou o campeonato até o final com seu companheiro Nigel Mansell. No final, o azarão Alain Prost surpreendeu e levou a melhor, faturando o título com a McLaren e uma vitória na Austrália.

Quatro anos depois do bicampeonato, o ambiente para a conquista do tri estava mais tranqüilo e menos competitivo. A duas corridas para o encerramento da temporada, a única ameaça para Piquet era o próprio Mansell. Mas não quis o automobilismo testar pela terceira vez os nervos do piloto brasileiro, garantindo-lhe, em 1987, o título por antecipação. Mesmo antes de definir a sua posição de largada no GP de Suzuka, Japão, a 15ª etapa do Mundial, Piquet já se sagrava tricampeão. Tudo depois de Mansell ter sofrido um acidente nos treinos e deixado de participar das duas últimas corridas daquele ano.

Conhecido por sua ironia, o brasileiro começou a perder espaço na categoria a partir do ano seguinte, passando as temporadas de 88 e 89 sem vitórias. Quase fora da Fórmula 1, ainda surpreendeu com a Benetton em 90, quando pontuou em 12 das 15 etapas disputadas e terminou em terceiro lugar. No ano seguinte, despediu-se da Fórmula 1 com um sexto lugar no Mundial, encerrando sua trajetória.

Piquet ainda tentou retomar a carreira nos EUA, mas sofreu um acidente grave nos treinos para as 500 Milhas de Indianápolis em 92 e sequer largou. Pior: a pancada na curva quatro com o carro da Menards custou-lhe dois dedos dos pés, além de um traumatismo craniano, uma lesão torácica e várias fraturas. No ano seguinte, saiu em 13º na prova e terminou em 32º com a mesma equipe, completando apenas 38 voltas.

O sobrenome Piquet, que ainda corre por diversão em eventos como as 24 Horas de Le Mans, só voltaria aos monopostos internacionais na década seguinte, quando Nelsinho Piquet se destacaria na Fórmula 3 Sul-americana e na GP2, sempre pela equipe do pai. Em 2008, o herdeiro do legado estréia pela Renault na Fórmula 1, em busca do mesmo sucesso do velho Nelson.



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