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Senna das poles,
Senna do tri, Senna do Brasil
| Foto Gazeta Press |
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Carisma, eficiência e profissionalismo. Nada melhor pode
definir a década de Ayrton Senna na Fórmula 1. Em apenas dez
anos, o brasileiro conquistou três títulos, cravou 65 poles
(até hoje recorde na categoria), venceu 41 GPs, subiu 80 vezes
ao pódio e obteve por 19 vezes a volta mais rápida. E, acima
de tudo, implantou no povo brasileiro a cultura de acordar
pela manhã aos domingos para vibrar com suas atuações. Tudo
até 1994.
Após a passagem meteórica pelo automobilismo inglês, o paulista
chegou à principal categoria com a responsabilidade de confrontar
Nelson Piquet, então bicampeão e um dos pilotos mais "malandros"
da categoria.
No cockpit da Toleman, Senna assustou a F-1 já na segunda
prova, no GP da África do Sul, quando somou o primeiro ponto.
Em Mônaco, o brasileiro foi ainda mais brilhante e só não
venceu por causa do diretor do GP, Jacky Ickx, que paralisou
a prova na 31ª das 77 voltas previstas. O bom desempenho levou
o paulistano a ser sondado por várias equipes e ele aceitou
o convite da Lotus.
Dentro do carro preto, o piloto comemorou o primeiro triunfo
em uma performance sensacional no GP de Portugal, debaixo
de chuva, liderando de ponta a ponta. Ainda em 1985, Senna
venceu mais uma prova e despertou o interesse da Brabham,
mas optou por ficar na escuderia inglesa, depois do quarto
lugar no Mundial de Pilotos.
Nas duas temporadas seguintes, o brasileiro percebeu que
era mais rápido que o carro. Ele cobrou mudanças do diretor
Peter Warr, mas não teve sucesso. Chegou a sonhar com o título
em 1986, venceu quatro provas nos dois anos e não passou da
terceira colocação no Mundial. A boa notícia viria na metade
da temporada 1987 com a ida para a McLaren.
Mesmo com a concorrência do então bicampeão Alain Prost,
Senna não se intimidou e conquistou o título logo no primeiro
ano. Com uma corrida sensacional no Japão, o brasileiro levou
a taça com uma prova de antecedência e realizou a primeira
parte do sonho cultivado desde criança: ser campeão da principal
categoria de automobilismo do mundo.
Na temporada seguinte, a rivalidade entre os dois "companheiros"
esquentou. Em um tumultuado ano, Senna perseguiu Prost na
classificação praticamente toda temporada e chegou ao GP Japão,
precisando da vitória. Depois de bater no Japão e ser classificado,
perdendo o título, o paulistano entrou em rota de colisão
com o presidente da Fisa, Jean-Marie Balestre. Chegou a ser
ameaçado de perder a superlicença e deixar a F-1. Mas não
passou de bravatas.
Em 1990, o brasileiro se reabilitou da melhor forma e provocou
o acidente com Prost no mesmo GP Japão para conquistar o bicampeonato.
No discurso, não esquecia as mágoas com os dois franceses
e seguiu arrasador em 1991, para comemorar o terceiro título
na F-1. Ainda neste ano, Senna finalmente quebrou o jejum
no Brasil, vencendo em Interlagos, com apenas a sexta marcha
nas voltas finais.
Quando muitos já falavam em alcançar o recorde do argentino
Juan Manuel Fangio, dono de cinco títulos, o brasileiro viu
a decadência da McLaren e o fim da parceria com a Honda. Teve
de aturar o domínio da Williams e ser um mero coadjuvante.
Em 1994, Senna enfim deixou a equipe que o consagrou e acertou
com a favorita Williams. Parecia o início de uma dinastia.
Pelo menos, até o fatídico 1º de maio de 1994...
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