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Talento desponta
na chuva
| Foto Gazeta Press |
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Ayrton Senna foi o 14º piloto brasileiro a disputar um Mundial
de Fórmula 1. Sua primeira temporada foi em 1984 na Toleman
Hart Turbo. Piloto de uma modesta equipe, Senna não teve uma
estréia das mais sonhadas. Depois de sofrer com a insônia
e a ansiedade da primeira prova, o piloto só deu oito voltas
na pista de Jacarepaguá, antes de abandonar o GP Brasil, com
problemas no motor Hart, quando ocupava o nono lugar, após
largar na 16ª colocação.
Entretanto, Senna não demoraria para causar sensação na
F-1. Na prova seguinte, na África do Sul, o calouro terminou
em sexto e somou o primeiro ponto. Na Bélgica, voltou a pontuar
com outro sexto lugar, mas amargou o primeiro revés no GP
de San Marino. O piloto enfrentou problemas com os motores
no treino de sexta-feira e uma chuva no sábado impediu que
ele conseguisse um lugar no grid. Foi o único GP da carreira
que Senna teve de apenas assistir.
A reabilitação não poderia ser melhor. Em Mônaco, o brasileiro
deu o seu primeiro espetáculo na categoria. Ele foi ainda
mais brilhante e só não venceu por causa da interrupção da
prova, providenciada pelo diretor Jacky Ickx, quando Senna
havia acabado de ultrapassar o francês Alain Prost. O GP foi
parado na 31ª das 77 voltas previstas, sendo considerado o
desempenho da volta anterior, quando o francês ainda liderava.
Ainda em 1984, ele subiu ao pódio com o terceiro lugar em
San Marino e Portugal, e o bom desempenho levou o paulistano
a ser sondado por várias equipes. Com o nono lugar no Mundial,
Senna deixou a Toleman e acertou com a Lotus, equipe que reinou
nos anos 60 e 70, mas vinha em decadência e sem vitórias há
dois anos.
Na estréia, no GP Brasil, o paulistano pôde sentir o gostinho
de liderar uma volta no circuito de Jacarepaguá. Mas a maior
alegria viria na prova seguinte, em 21 de abril no GP de Portugal,
quando deu um show debaixo de muita chuva no circuito de Estoril
e comemorou o primeiro triunfo, quebrando também o jejum de
vitórias da escuderia.
Naquele final de semana, Senna teve uma performance sensacional.
Ele obteve a pole position, venceu o GP de ponta a ponta,
e ainda registrou a volta mais rápida. O domínio do 'aquático'
Senna foi tanto que ele terminou com uma vantagem de 1min02s978
para o italiano Michelle Alboreto, segundo colocado em Estoril.
No mesmo ano, Senna ainda venceu o GP da Bélgica, foi segundo
nos GPs Áustria e Europa (realizado em Brands Hatch, na Inglaterra),
e terminou em terceiro na Holanda e na Itália. O piloto terminou
em quarto lugar no Mundial, foi cotado pela Brabham e ainda
vetou a contratação do inglês Derek Warwick. A expectativa
não podia ser maior para o piloto, que fora pole em seis das
16 provas da temporada. Mas a promessa não se confirmou.
Em 1986, com um carro pouco competitivo nas mãos, o piloto
passa a ter seguidas reuniões com o diretor Peter Warr e não
tem sucesso. Mesmo assim, Senna se supera e começa com o segundo
lugar no GP Brasil, fazendo a dobradinha com Piquet para delírio
da torcida em Jacarepaguá. O piloto vence dois GPs (Espanha
e EUA), fica em segundo lugar por quatro vezes e ainda obtém
oito poles.
No final, Senna ainda chegou como um dos quatro candidatos
ao título, com Piquet, Prost e Nigel Mansell, mas acabou novamente
em quarto lugar. Na temporada seguinte, novos problemas e
mais desânimo. Apesar das duas vitórias, o brasileiro ficou
mais preocupado em procurar um novo destino e acertou com
a McLaren. Era o início de uma bela história.
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