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Foto Washington Alves/COB/Divulgação
Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Bimba, o caçula de Scheidt e Grael

Por Denis Eduardo Serio, especial para GE.Net

Viver à sombra de Torben Grael e Robert Scheidt não é muito fácil. Por isso, o brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba, juntamente com outros nomes do iatismo brasileiro, embarcaram para Atenas longe dos holofotes e apenas como azarão apareceria em alguma lista de medalhista.

Entretanto, pouco a pouco, o velejador foi somando preciosos pontos na disputa da Mistral - que nada mais é do que uma prancha de windsurfe - e para surpresa de todos garantiu, nesta quarta-feira, a mais inesperada medalha de ouro (prata, bronze) nas Olimpíadas de Atenas, tornando-se uma espécie de caçula dos grandes nomes do iatismo brasileiro.

Bimba já havia disputado os Jogos de Sydney-2000, mas, muito inexperiente, não conseguiu um bom resultado, tendo terminado a competição apenas na 15ª colocação. Em quatro anos, no entanto, o brasileiro amadureceu. E melhorou. Os bons resultados ficaram cada vez mais freqüentes, mas uma incômoda inconstância ainda fazia recair sobre ele muitas dúvidas.

Um exemplo desta falta de regularidade foi observado no Mundial deste ano, disputado em Cesmi, na Turquia. Ele terminou a competição apenas na 18ª colocação, tendo piorado seu desempenho em relação às Olimpíadas de 2000 e ficado muito longe do segundo lugar conquistado em 2002. Além disso, esse resultado aparentemente desanimador contrastou com o ouro obtido nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, em 2003.

Junto com o ouro pan-americano, Bimba trouxe para casa, no ano passado, o terceiro lugar das Semanas de Hyeres e Spa, confirmando as expectativas trazidas com as conquistas dos Mundiais júnior de 1997 e 1998. Mas o desempenho do último Mundial realmente minou os holofotes que estavam sobre o atleta.

Apesar de o iatista ter sofrido apenas uma decepção, não era exagero dizer que Ricardo Winicki não estava entre os favoritos. No ranking mundial da classe Mistral, o brasileiro ocupava, antes dos Jogos, apenas a oitava colocação. Na Grécia, Bimba deixou para trás o francês Julien Bontemps, número um do mundo, o ucraniano Maxim Oberemko, vice-líder do ranking, e o britânico Nick Dempsey, terceiro melhor da classe.

Primórdios - Ricardo Winicki nasceu no Rio de Janeiro e lá mora até hoje. Sua paixão pelo mar não está presente apenas na vela. Ele é praticante de surfe e kitesurfe, modalidade na qual o vento também é decisivo. Nela, um surfista prende uma prancha aos seus pés e, movido por uma pipa gigante, faz manobras na água.

Bimba começou a praticar o iatismo aos 11 anos, por influência do pai. Ele entrou em uma escola de vela e, apenas um mês após começar a praticar o esporte, disse que estaria nas Olimpíadas de 2000. Acertou. Quando será que ele previu o ouro nos Jogos de 2004?

Publicação: 25/08/2004
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