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05/02/2007
Claudio Biekarck . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Claudio Biekarck: velejador por diversão

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Presseta Press

Nome: Claudio Biekarck
Data de Nascimento: 16/05/1951
Local de nascimento: São Paulo (SP)
Formação: Administrador de empresas
Classes: Pingüim, Finn, Laser, Flying Dutchman, Star, Lightning e Oceano
Principais resultados:
- Classe Pinguim:
1964 - Campeão Brasileiro Infantil
1964/65 - Campeão Sul-americano Infantil
1967/68 - Vice-campeão Mundial Jr.
1970 - Campeão Sul-americano
1968 - Vice-campeão Sul-americano
1970 - Campeão Mundial
- Classe Finn:
1969/71- 4º.lugar Campeonato Europeu Jr.
1972 - Vice-Campeão Europeu Jr.
1972 - 9º.lugar Jogos Olímpicos de Munique
1975 - 4º.lugar Campeonato Europeu
1975 - 4º.lugar Pré-Olímpico CORK
1975 - Medalha de Prata Jogos Pan-americanos do México
1976 - 4º.lugar Jogos Olímpicos de Montreal
1977 - 3º.lugar Campeonato Mundial
1980 - 4º.lugar Jogos Olímpicos de Moscou
1972/75/76/78/79/80 - Hexacampeão Brasileiro
1974/76/78 - Tricampeão Sul-americano
- Classe Laser:
1976/77 - Bicampeão Brasileiro
- Classe Flying Dutchman:
1974 - 6º.lugar Mundial - Proeiro
- Classe Star:
1972 - Vice-campeão Sul-americano - Proeiro
1972 - Vice-campeão Mundial - Proeiro
1985 - Campeão Brasileiro
- Classe Lightning:
1971 - Campeão Sul-americano - Proeiro
1980/81/83/85/86/87/88/89/91/92/95/98
/01/03/05/06 - Campeão Brasileiro 16 vezes
1983 - 3º.lugar Campeonato Mundial
1983 - Medalha de Ouro Jogos Pan-americanos de Caracas
1987 - Medalha de Bronze Jogos Pan-americanos de Indianápolis
1987 - 4º.lugar Campeonato Mundial
1987/88 - Bicampeão Centro-Sul Brasileiro
1988/89/93 - Tricampeão Sul-americano
1991 - Medalha de Bronze Jogos Pan-americanos de Cuba
1993 - 3º.lugar Campeonato Mundial
1995 - Medalha de Prata Jogos Pan-americanos de Mar del Plata
1997 - 8º.lugar Campeonato Mundial
1998 - 5º. Lugar Campeonato Norte-Americano
1999 - Medalha de Prata Jogos Pan-americanos de Winnipeg
- Classe Oceano:
Campeão Brasileiro IMS
Recordista da Regata Ilhabela/Alcatrazes/
Ilhabela
Recordista da Regata Recife/Fernando de Noronha
2002/04/05/06 - Campeão da Sem. de Vela de Ilhabela - Classe First 40.7
2002/2006 - Campeão do Circuíto Rio - Classe First 40.7
2003/2005/2007 - Campeão do Circuíto Salvador - Classe First 40.7
2004/2005 - Campeão Brasileiro - Classe First 40.7
2005/2006 - Campeão Búzios Sailing Week - Classe First 40.7
Participações olímpicas: Munique/72, Montreal/76 e Moscou/80

No atual cenário do esporte, é quase impossível imaginar um esportista mudar de modalidade sob a justificativa de que a anterior estava ficando “muito profissional”. Pois foi exatamente isso que aconteceu com o velejador Claudio Biekarck, que em 1980 decidiu abandonar a classe Finn para competir na Lightning, onde já havia sido proeiro. E a aposta no amadorismo deu certo: foi na nova opção que ele conquistou cinco medalhas em Jogos Pan-americanos (um ouro, duas pratas e dois bronzes).

“Imagine quais eram as dificuldades de ser um velejador no começo dos anos 80”, explica Biekarck, justificando a sua saída de uma classe onde foi quarto lugar nas Olimpíadas de 1976 e 1980, além de ter levado a prata no Pan de 1975. “Na minha época, a maioria dos envolvidos com o esporte ou já trabalhavam com os veleiros ou eram militares. Depois, precisava passar para uma classe que não exigisse tanto de mim e fosse relativamente próxima da Finn”, emenda o atleta.

Formado em administração de empresas, Biekarck sempre deixou a vela em segundo plano. “Nunca vivi da vela, era mais um hobby de final de semana. Quem sofria com essa diversão levada a sério era a minha família. Sempre tive a sorte de contar com chefes que me apoiavam, mas todas as minhas férias eram velejando no exterior”, explica.

Ele garante que nunca pensou em tentar viver somente do esporte. “As dificuldades eram grandes. Naquela época, colocar um patrocínio na vela era proibido. Mas, mesmo que a gente tivesse autorização não seria fácil achar alguém para apoiar”, justifica.

Outra característica do velejador é o grande número de classes pela qual passou. Desde que foi iniciado no esporte por familiares aos 10 anos até hoje, ele soma regatas em sete modalidades: Pingüim, Finn, Laser, Flying Dutchman, Star, Lightning e Oceano. Ele explica que isso é fruto da evolução dos competidores da modalidade. “Na vela, conforme vai passando a idade, você muda para uma categoria onde se adequa melhor. A experiência conta muito”, analisa.

Tudo isso rendeu histórias, no mínimo, interessantes. Uma delas precede a conquista do ouro no Pan de Caracas, em 1983, quando ele e os proeiros Gunnar Ficker e Ralf Berger tiveram que lutar para competir com o mesmo barco com o qual haviam conquistado o Campeonato Brasileiro semanas antes da competição, pois haviam ido mal na disputa o Campeonato Norte-americano, onde competiram com um barco emprestado.

“A gente acabou conseguindo levar o nosso equipamento para Caracas, até porque dois barcos não são iguais. Hoje em dia, os atletas têm acordos lá fora para alugar bons barcos para torneios e conseguir resultados satisfatórios”, explica Biekark. Não à toa, a conquista do Pan de 1983 é uma de suas preferidas. “Gosto de várias, mas esta foi marcante porque eu estava começando nessa classe e havia bons competidores norte-americanos, canadenses e mexicanos”, comenta.

No mesmo ano, ele ainda ficou na terceira colocação no Campeonato Mundial de Lightning. Entre diversos compromissos como administrador e com a vela, Biekarck acabou chamado pela Federação Paulista de Vela (FPV) para acompanhar e dar orientação aos velejadores do estado na eliminatória para as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, que seria no Rio de Janeiro. E lá ele acabou tornando-se técnico de Robert Scheidt, que começava a se destacar e se consagraria anos mais tarde como bicampeão olímpico e octacampeão mundial na classe Laser. “Na vela é importante ter alguém ao seu lado”, explica.

A união durou dez anos, até que, depois do ouro em Atenas-2004, Scheidt resolveu se dedicar mais à classe Star e Biekarck seguir com a sua vida. “Hoje existe uma amizade e um respeito muito grande entre nós”, analisa o ex-treinador. E a história da família Biekarck com a vela continua. Sua filha, Gabriela, também se dedica à modalidade e chegou a conquistar uma excelente nona colocação no Mundial da classe 420, em 2005. Mas assim como o pai, ela dá prioridade aos estudos. “Amanhã pode até surgir uma oportunidade e ela continuar, mas você sabe como é vela feminina no Brasil, né?”, encerra o velejador.

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