Claudio Biekarck:
velejador por diversão
Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
| Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press |
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Nome: Claudio Biekarck
Data de Nascimento: 16/05/1951
Local de nascimento: São
Paulo (SP)
Formação: Administrador
de empresas
Classes: Pingüim, Finn,
Laser, Flying Dutchman, Star, Lightning e Oceano
Principais resultados:
- Classe Pinguim:
1964 - Campeão Brasileiro Infantil
1964/65 - Campeão Sul-americano Infantil
1967/68 - Vice-campeão Mundial Jr.
1970 - Campeão Sul-americano
1968 - Vice-campeão Sul-americano
1970 - Campeão Mundial
- Classe Finn:
1969/71- 4º.lugar Campeonato Europeu Jr.
1972 - Vice-Campeão Europeu Jr.
1972 - 9º.lugar Jogos Olímpicos de
Munique
1975 - 4º.lugar Campeonato Europeu
1975 - 4º.lugar Pré-Olímpico
CORK
1975 - Medalha de Prata Jogos Pan-americanos do
México
1976 - 4º.lugar Jogos Olímpicos de
Montreal
1977 - 3º.lugar Campeonato Mundial
1980 - 4º.lugar Jogos Olímpicos de
Moscou
1972/75/76/78/79/80 - Hexacampeão Brasileiro
1974/76/78 - Tricampeão Sul-americano
- Classe Laser:
1976/77 - Bicampeão Brasileiro
- Classe Flying Dutchman:
1974 - 6º.lugar Mundial - Proeiro
- Classe Star:
1972 - Vice-campeão Sul-americano -
Proeiro
1972 - Vice-campeão Mundial - Proeiro
1985 - Campeão Brasileiro
- Classe Lightning:
1971 - Campeão Sul-americano - Proeiro
1980/81/83/85/86/87/88/89/91/92/95/98
/01/03/05/06 - Campeão Brasileiro 16 vezes
1983 - 3º.lugar Campeonato Mundial
1983 - Medalha de Ouro Jogos Pan-americanos de
Caracas
1987 - Medalha de Bronze Jogos Pan-americanos
de Indianápolis
1987 - 4º.lugar Campeonato Mundial
1987/88 - Bicampeão Centro-Sul Brasileiro
1988/89/93 - Tricampeão Sul-americano
1991 - Medalha de Bronze Jogos Pan-americanos
de Cuba
1993 - 3º.lugar Campeonato Mundial
1995 - Medalha de Prata Jogos Pan-americanos de
Mar del Plata
1997 - 8º.lugar Campeonato Mundial
1998 - 5º. Lugar Campeonato Norte-Americano
1999 - Medalha de Prata Jogos Pan-americanos de
Winnipeg
- Classe Oceano:
Campeão Brasileiro IMS
Recordista da Regata Ilhabela/Alcatrazes/
Ilhabela
Recordista da Regata Recife/Fernando de Noronha
2002/04/05/06 - Campeão da Sem. de Vela
de Ilhabela - Classe First 40.7
2002/2006 - Campeão do Circuíto
Rio - Classe First 40.7
2003/2005/2007 - Campeão do Circuíto
Salvador - Classe First 40.7
2004/2005 - Campeão Brasileiro - Classe
First 40.7
2005/2006 - Campeão Búzios Sailing
Week - Classe First 40.7
Participações olímpicas:
Munique/72, Montreal/76 e Moscou/80
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No atual cenário do esporte, é quase impossível
imaginar um esportista mudar de modalidade sob a justificativa
de que a anterior estava ficando “muito profissional”.
Pois foi exatamente isso que aconteceu com o velejador
Claudio Biekarck, que em 1980 decidiu abandonar a classe
Finn para competir na Lightning, onde já havia
sido proeiro. E a aposta no amadorismo deu certo: foi
na nova opção que ele conquistou cinco medalhas
em Jogos Pan-americanos (um ouro, duas pratas e dois bronzes).
“Imagine quais eram as dificuldades de ser um
velejador no começo dos anos 80”, explica
Biekarck, justificando a sua saída de uma classe
onde foi quarto lugar nas Olimpíadas de 1976
e 1980, além de ter levado a prata no Pan de
1975. “Na minha época, a maioria dos envolvidos
com o esporte ou já trabalhavam com os veleiros
ou eram militares. Depois, precisava passar para uma
classe que não exigisse tanto de mim e fosse
relativamente próxima da Finn”, emenda
o atleta.
Formado em administração de empresas,
Biekarck sempre deixou a vela em segundo plano. “Nunca
vivi da vela, era mais um hobby de final de semana.
Quem sofria com essa diversão levada a sério
era a minha família. Sempre tive a sorte de contar
com chefes que me apoiavam, mas todas as minhas férias
eram velejando no exterior”, explica.
Ele garante que nunca pensou em tentar viver somente
do esporte. “As dificuldades eram grandes. Naquela
época, colocar um patrocínio na vela era
proibido. Mas, mesmo que a gente tivesse autorização
não seria fácil achar alguém para
apoiar”, justifica.
Outra característica do velejador é o
grande número de classes pela qual passou. Desde
que foi iniciado no esporte por familiares aos 10 anos
até hoje, ele soma regatas em sete modalidades:
Pingüim, Finn, Laser, Flying Dutchman, Star, Lightning
e Oceano. Ele explica que isso é fruto da evolução
dos competidores da modalidade. “Na vela, conforme
vai passando a idade, você muda para uma categoria
onde se adequa melhor. A experiência conta muito”,
analisa.
Tudo isso rendeu histórias, no mínimo,
interessantes. Uma delas precede a conquista do ouro
no Pan de Caracas, em 1983, quando ele e os proeiros
Gunnar Ficker e Ralf Berger tiveram que lutar para competir
com o mesmo barco com o qual haviam conquistado o Campeonato
Brasileiro semanas antes da competição,
pois haviam ido mal na disputa o Campeonato Norte-americano,
onde competiram com um barco emprestado.
“A gente acabou conseguindo levar o nosso equipamento
para Caracas, até porque dois barcos não
são iguais. Hoje em dia, os atletas têm
acordos lá fora para alugar bons barcos para
torneios e conseguir resultados satisfatórios”,
explica Biekark. Não à toa, a conquista
do Pan de 1983 é uma de suas preferidas. “Gosto
de várias, mas esta foi marcante porque eu estava
começando nessa classe e havia bons competidores
norte-americanos, canadenses e mexicanos”, comenta.
No mesmo ano, ele ainda ficou na terceira colocação
no Campeonato Mundial de Lightning. Entre diversos compromissos
como administrador e com a vela, Biekarck acabou chamado
pela Federação Paulista de Vela (FPV)
para acompanhar e dar orientação aos velejadores
do estado na eliminatória para as Olimpíadas
de Atlanta, em 1996, que seria no Rio de Janeiro. E
lá ele acabou tornando-se técnico de Robert
Scheidt, que começava a se destacar e se consagraria
anos mais tarde como bicampeão olímpico
e octacampeão mundial na classe Laser. “Na
vela é importante ter alguém ao seu lado”,
explica.
A união durou dez anos, até que, depois
do ouro em Atenas-2004, Scheidt resolveu se dedicar
mais à classe Star e Biekarck seguir com a sua
vida. “Hoje existe uma amizade e um respeito muito
grande entre nós”, analisa o ex-treinador.
E a história da família Biekarck com a
vela continua. Sua filha, Gabriela, também se
dedica à modalidade e chegou a conquistar uma
excelente nona colocação no Mundial da
classe 420, em 2005. Mas assim como o pai, ela dá
prioridade aos estudos. “Amanhã pode até
surgir uma oportunidade e ela continuar, mas você
sabe como é vela feminina no Brasil, né?”,
encerra o velejador.
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