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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EDER JOFRE

O eterno Galinho de Ouro

Foto Gazeta Press
Foto Divulgação

Por Mário Sérgio Lima, especial para GE.Net

Cinqüenta anos. Não parece, mas há cinqüenta anos atrás começava de forma arrasadora a carreira do maior pugilista brasileiro de todos os tempos. No ano de 1953, o até então desconhecido moleque Eder Jofre subia nos ringues em São Paulo para disputar o prestigiado torneio de boxe amador "Forja de Campeões", promovido na época pelo jornal diário de esportes A Gazeta Esportiva.

Nunca um pugilista havia feito tamanho jus ao nome do torneio. Aquele rapaz de dezessete anos, paulistano do bairro do Peruche, triturou os oponentes para conquistar o título dos moscas na competição. Nascia ali a maior e mais vitoriosa lenda brasileira no esporte. Inscrito pelo São Paulo, a conquista invicta já demonstrava sua força.

Nascido em uma família de boxeadores, Eder tinha a Nobre Arte no sangue. Seu pai, o famoso Kid Jofre, havia sido um respeitável pugilista, e passara o amor ao esporte para os filhos. Eder, treinado pelo pai, acabou por se tornar o que de mais impressionante havia no Brasil à época nos ringues.

Ainda como amador, o pugilista recebeu a honra de representar o país nas Olimpíadas de Melbourne, em 1956. Invicto no amadorismo, o atleta parecia ser uma das maiores esperanças de medalha de ouro para o país. Mas a má organização brasileira acabou por impedir esse sonho. Depois de vencer sua primeira luta, Eder participou de uma sessão de treinos com o peso médio Celestino Pinto, muito maior do que ele. O desastrado Celestino acabou quebrando o nariz de Eder no treinamento. O paulista, respirando pela boca, foi derrotado na segunda luta pelo chileno Barrentes, de quem se vingou mais tarde como profissional.

Mas no profissionalismo estava o grande legado de Jofre. Agora nos galos, onde não teria tanta dificuldade de manter o peso, Eder começou em 1957 a sua carreira profissional. No ano seguinte, já ganhava o título brasileiro da categoria. Em 1960, começou a escrever seu nome na história. No início do ano, ganhou o título sul-americano.

Em agosto do mesmo ano, Jofre teve uma de suas lutas mais difíceis, válida como um classificatório para disputa do título mundial, contra o mexicano Joe Medel. O adversário passou nove assaltos batendo em Jofre. Mas a determinação do brasileiro e uma duríssima seqüência de golpes no último round levaram Medel à lona. Jofre passara no teste. O combate pelo título, em novembro daquele ano, era pouco perto daquela luta contra Medel. Eder era campeão mundial.

O pugilista conseguiu manter seus cinturões, mas em 1965, numa contestada luta, foi derrotado pelo japonês Masaharu "Fighting" Harada. A revanche, no ano seguinte, também no Japão, com outro resultado controverso a favor do japonês desiludiu Eder, que abandonou o boxe.

Mas quem tem o esporte no sangue não consegue abandonar fácil. Em 1969, Eder volta, para lutar e vencer mais 25 combates, agora pelo peso pena. Nem mesmo o "gigante" cubano Jose Legra foi suficiente para o brasileiro, que em 1973 conquista o cinturão também na categoria de peso superior. Eder só foi abandonar de vez o esporte em 1976, após a morte dos pais e irmão.

Publicação: 06/06/2003
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