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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . FALCÃO
Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press
foto AFP


Experiência efêmera no campo

A arte de Falcão nas quadras acabou rendendo ao jogador convites para tentar a sorte no campo. A primeira oportunidade veio em 2001, no Palmeiras, indicado pelo eterno ídolo palmeirense Ademir da Guia para fazer testes. Mas o jogador se esbarrou com a irracionalidade das crises que tanto rondam o futebol brasileiro e não permaneceu no Verdão por causa dos rumores da saída do então técnico palmeirense Marco Aurélio. "Se tivesse feito o teste uma semana antes ou depois, talvez as coisas tivessem dado certo". Coisa do destino.

Ademir dizia não entender por que Falcão não foi aprovado após ter atuado bem em dois coletivos. "Fizemos nosso papel", limitou-se a dizer o olheiro solitário. Já Falcão foi mais incisivo, afirmando que houve descaso com o ex-jogador. "Ele expôs seu nome e não aceitaram sua sugestão. Faltou respeito por tudo que ele já fez pelo Palmeiras."

No ano seguinte, foi contratado para defender a Portuguesa no Campeonato Brasileiro. Mas dois meses depois já tinha rescindido seu contrato: "A verdade é que tinha uma lesão simples, uma tendinite, mas o ambiente no clube começou a ficar saturado e resolvi voltar para as quadras", disse o jogador. Esse caminho quadra-campo é realmente difícil, onde a desconfiança é um dos grandes tabus a ser quebrado. Manoel Tobias já sentiu isso: ele quase não teve chance de jogar no Grêmio e foi vetado pelo então técnico Luiz Felipe Scolari.

A grande chance, então, veio em 2005. O jogador recebeu um convite direto do presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, para integrar a equipe na pré-temporada. Ele aceitou e, aparentemente, foi bem recebido tanto pelos companheiros como pelo sisudo técnico Emerson Leão. Mas o casamento entre Falcão e São Paulo - mais especificamente entre Falcão e Leão - durou pouco. Apesar de ser ovacionado pela torcida tricolor mesmo quando estava no banco de reservas, o jogador foi aos poucos sendo deixado de lado e perdendo espaço no grupo e decidiu voltar ao futsal quatro meses após sua contratação.

"No começo eu também não entendia, já que o Leão tinha me elogiado bastante quando eu cheguei. Depois acabei percebendo que ele agiu daquela maneira para fazer a política da boa vizinhança com o Marcelo Portugal Gouvêa, pois eu vim com aquele rótulo de "contratação do presidente". O Leão tem de ser a estrela principal sempre e ele não esperava o assédio sobre mim por parte da imprensa e da torcida", avalia.

Falcão conta também que o preconceito foi um dos seus maiores adversários na tentativa de emplacar no campo. "As pessoas olham diferente para quem chega do futsal, ainda mais eu, que vim como uma estrela, e isso acabava incomodando alguns. Uma vez eu estava em um programa de televisão no qual participava também o Giba, técnico da Portuguesa. O entrevistador perguntou se ele gostaria de ter o Falcão no time dele e a resposta foi que eu primeiro teria de me adaptar e tal. Pô, o cara nem via como eu estava treinando, mas só por vir do futsal já demonstrou desconfiança. Esse negócio de adaptação é lenda. O que eu precisava é o que todo jogador precisa. Uma seqüência de jogos e a confiança do treinador".

Apesar do pouco tempo que ficou no São Paulo, Falcão pôde comemorar o título de campeão paulista e também participou de um jogo da vitoriosa campanha tricolor na Copa Toyota Libertadores.

Atualizado em: 28/09/2005
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