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Foto AFP

Falcão: habilidade nos pés

Por Mariana Quaranta e Marcelo Cazavia

Não bastava apenas golear o Egito por 12 a 4 na estréia da seleção brasileira na segunda fase do Campeonato Mundial de Futsal de 2000, disputado na Guatemala. Era preciso dar show. E nada melhor que a bola nos pés do ala-esquerda Alessandro Rosa Vieira, o Falcão, para isso tornar-se realidade. Primeiro ele dominou a bola no peito, deu um chapéu no adversário e marcou um lindo gol. Mas não parou por aí: os torcedores queriam mais.

Contra a Rússia, nas semifinais, o craque falante parecia participar de uma coreografia montada especialmente para o balê russo: primeiro foi o drible de passar o pé por cima da bola, fingir ir para o lado esquerdo e, para espanto de todos, lá estava a bola no pé direito de Falcão, que chutou para comemorar mais um gol nos 4 a 0 do Brasil. O mundo, então, conhecia a arte de Falcão.

E a cada drible e aplauso que recebe, o jogador percebe que seu sonho virou realidade. Sempre com o apoio da família, ele começou a treinar no futebol de salão aos 13 anos de idade, em 1992, no Corinthians. Ficou no Parque São Jorge até 1996, quando jogou ao lado de Zé Elias, hoje no Santos, e Edu, do Valencia. "O sonho do meu pai sempre foi que eu jogasse no futebol de campo, mas esse não foi meu sonho", diz o craque. Com um porte físico propício para as jogadas rápidas nas quadras, ele continuou seguindo sua trilha e foi para o General Motors onde ficou de 1997 a 1998, para o Atlético-MG e o Rio de Janeiro em 1999 e ainda defendeu as cores do São Paulo e do Banespa antes de assinar contrato com o Malwee/Jaraguá, da cidade de Jaraguá do Sul (SC), em 2003.

Os adversários muitas vezes confundem sua habilidade com hostilidade, mas Falcão defende a arte do espetáculo dentro das quatro linhas: "Vou sempre driblar desta maneira. É o que sei fazer, minha maneira de contribuir. Se quiserem me bater por isso, não tem problema. Apanho, mas continuo". E olha que muitos técnicos também não aprovavam o jeito moleque de Falcão jogar: "Eles pegavam muito no meu pé no início da minha carreira: diziam que eu fazia isto para menosprezar ou humilhar o adversário. Mas não é nada disso. Com o tempo eles perceberam que tentava os dribles em qualquer momento do jogo, sendo ele difícil ou fácil, independentemente do placar. Depois passei a ter uma projeção maior, e eles aprenderam isso", revela o craque.

"Falta o Mundial" - Presente em todas as convocações da seleção brasileira desde 1998, Falcão já foi protagonista de diversas jogadas de efeito e de muitos títulos. Sua atuação no Mundial de Taipei em 2004, no qual sagrou-se artilheiro, lhe rendeu a honra de ser escolhido o melhor jogador de futsal do planeta. E mais: foi o primeiro atleta da modalidade a receber o prêmio no tradicional evento da Fifa que premia os melhores do mundo no campo. Recebeu seu prêmio ao lado de Ronaldinho Gaúcho.

Mas, segundo suas próprias palavras, o jogador ainda está em dívida com o país. Tudo porque a seleção derrapou nos dois últimos Mundiais. Agora, Falcão afirma que tem o "compromisso com o Brasil de ser campeão mundial". A próxima oportunidade será em 2008, quando os brasileiros vão atuar em casa.

Se depender da temporada 2007, Falcão pode reforçar sua confiança. O camisa 12 terminou o ano com títulos importantes. Pelo Jaraguá do Sul, ganhou a Taça Brasil, a Libertadores da América, o Sul-americano e a Liga Futsal. Com a seleção brasileira, ganhou, mais uma vez, o Grand Prix e, principalmente, a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

Atualizado em: 27/12/2007
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