| Gustavo Borges, um ícone
olímpico do Brasil
| Foto Gazeta Press |
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| Nome: Gustavo França Borges
Data de nascimento: 02/12/1972
Local: Ribeirão Preto (SP)
Principais resultados: Prata em Barcelona-92
e bronze em Atlanta-96, nos 100m livres
Prata em Atlanta, nos 200m livre
Bronze em Sydney-00, no revezamento 4x100m livre
Dezenove medalhas pan-americanas – oito de ouro, oito
de prata e três de bronze nos jogos de Havana (1991),
Mar del Plata (1995), Winnipeg (1999) e Santo Domingo
(2003)
Conquista de medalhas em Mundiais e etapas da Copa do
Mundo de piscina curta, além da quebra de quatro recordes
mundiais
Eleito pela revista "The World of Swimming" o 13º melhor
nadador da década de 90.
Participações olímpicas: Barcelona/92, Atlanta/96,
Sydney/2000 e Atenas/2004 |
É corriqueiro em países nos quais faltam políticas de apoio
ao esporte e sobram problemas sociais que as grandes estrelas
nasçam quase ao acaso. O Brasil não foge à regra: os exemplos
são tantos que seria impossível qualquer tentativa de enumerá-los.
Vejamos então apenas alguns: Gustavo Kuerten, ex-número
um do mundo no tênis, precisou de ajuda da família para disputar
os primeiros torneios na Europa; Romário, herói do Brasil
na conquista do tetracampeonato mundial, teve de superar uma
infância sofrida para alcançar a fama; e Ronaldo, considerado
um fenômeno do futebol, deixava de jantar para economizar
o dinheiro da condução que o levava aos treinos do modesto
São Cristóvão.
Chega a ser estranho que um atleta surja por aqui não apenas
por iniciativa individual. Mas é este o caso de Gustavo França
Borges. Nascido em Ribeirão Preto, a 2 de dezembro de 1972,
o nadador é a prova de que investimentos no esporte dão resultados.
Patrocinado por empresas ligadas ao governo durante boa
parte de sua carreira, conquistou quatro medalhas olímpicas,
119 em Pan-americanos e dezenas de recordes brasileiros e
sul-americanos - atualmente ainda detém os recordes brasileiro
e sul-americano de quatro provas: 200m livre e 4x100m livre
(em piscina de 25m) e 200m livre e 4x50m medley (em piscina
de 50m).
Recentemente, a Fina (Federação Internacional de Natação)
elegeu-o como o 13º melhor nadador da década de 90, colocando-o
na frente de atletas do respaldo do bicampeão olímpico Peter
van der Hoogenband.
"Tudo isso que se passou comigo nestes anos de natação tem
sido uma aventura extraordinária e só aconteceu pelo meu esforço,
pelo apoio que tenho fora da piscina e finalmente pela torcida
maravilhosa que tenho no Brasil", afirmou Gustavo.
Embora tenha nascido em Ribeirão Preto, Gustavo Borges viveu
até os 15 anos em Ituverava, uma pequena cidade do interior
de São Paulo. Começou a nadar por volta de 10 anos de idade,
na Associação Atlética Ituveravense. Desde pequeno, mostrava
gosto pelo esporte. Além da natação, que começou a praticar
incentivado por amigos, jogava basquete - no qual se destacava
mais pela altura do que pelo talento - tênis, hipismo e futebol,
embora para este não levasse muito jeito. Optou pela natação,
por ser o esporte mais organizado da cidade.
Apesar do tempo gasto em treinamentos e em competições,
Gustavo nunca deixou completamente de lado os estudos. Mudou-se
para São Carlos e São Paulo, a procura de melhores escolas,
da mesma forma que aceitou, anos mais tarde, o convite da
Bolles School, em Jacksonville, na Flórida, para concluir
o ensino médio. Ainda nos EUA, terminou sua formação acadêmica
na Universidade de Michigan, onde ficou por cinco anos nadando
e estudando.
As glórias: Com uma educação bem estruturada, Gustavo
começou a brilhar em 1991, durante os Jogos Pan-americanos
de Havana, em Cuba. Lá, conquistou cinco medalhas, quase anunciando
o que aconteceria no ano seguinte, quando ganharia a medalha
de prata nos 200 metros livre das Olimpíadas de Barcelona,
na Espanha. Em 1993, conseguiu três recordes mundiais (duas
vezes no 4x100m livre e uma nos 100m livre). Um ano depois,
obteve duas medalhas de bronze no Mundial da Itália. E, em
1995, faturou mais cinco medalhas no Pan-americano, em Mar
del Plata, na Argentina.
O futuro reservava ainda a Gustavo Borges a maior de todas
as conquistas: a medalha de prata nos 200m e de bronze nos
100m livre dos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996. Um ano depois,
tornou-se campeão mundial em Gotemburgo, na Suécia.
De lá para cá, venceu inúmeras etapas da Copa do Mundo de
Natação e quebrou quase uma dezena de recordes brasileiros
e sul-americanos, entre piscina olímpica (50 metros) e curta
(25 metros). Teve forças ainda para conquistar sua quarta
medalha olímpica na prova do revezamento 4x100m dos Jogos
de Sydney, feito que fez dele o principal atleta olímpico
do país em toda história, ao lado do iatista Torben Grael.
A despedida oficial aconteceu em 2004, nos Jogos Olímpicos
de Atenas, na Grécia. Gustavo Borges participou do revezamento
4x100m livre, mas não passou das eliminatórias.
Ainda na ativa, o brasileiro foi escolhido pela Fina (Federação
Internacional de Natação Amadora) um dos 12 atletas que fizeram
parte de seu Comitê. A posição na entidade foi ocupada até
2005, quando assumiu o cargo de secretário-geral do Comitê
de Atletas da Fina.
Em 2007, foi convidado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro)
para integrar a Comissão de desportistas e ex-atletas com
a missão de integrar o Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos
do Rio. |