| Uma vida dedicada ao judô
| Foto: Gazeta Press |
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Nome: Henrique Carlos Serra Azul
Guimarães
Data de Nascimento: 9 de setembro de
1972
Local: São Paulo (SP)
Categoria: meio-leve
Principais conquistas:
. Hexacampeão Sul-americano em 91, 92, 95, 96,
97 e 2000
. Prata no Mundial Junior da Argentina-92;
. Bronze nos Jogos Pan-americanos de Mar del Plata-95;
. Bronze nas Olimpíadas de Atlanta-96;
. Prata no Mundial por Equipes de Belarus-98;
. Bicampeão Pan-americano em 99 e 2003
. Bronze nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo-03;
. Bronze no Mundial do Japão-03
Participações olímpicas:
Atlanta-96, Sydney-00 e Atenas-04
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As Olimpíadas de Atlanta-96 ficaram marcadas para Henrique
Guimarães. Na competição, o paulistano viu o esforço de quase
20 anos dedicados ao judô serem recompensados com a medalha
de bronze e o nome no seleto grupo de brasileiros que voltaram
para casa com a alegria de ocupar um lugar no pódio olímpico.
A trajetória para o triunfo, no entanto, não foi nada fácil.
Vindo de uma família com poucos recursos financeiros, o atleta
chegou a trabalhar como servente de pedreiro. A opção pelo
judô ocorreu aos cinco anos de idade graças à insistência
da mãe Luzia, que queria disciplinar o filho. Até os 13 anos,
Henrique teimava em não aderir aos kimonos, mas Luzia respondia
com castigos que acabaram transformando o “bagunceiro”.
Os primeiros resultados apareceram em 1989, com a integração
à seleção brasileira juvenil. Dois anos depois, o paulistano
já conquistava seu primeiro Sul-americano. Os maiores feitos,
contudo, apareceram em 1992, com a prata no Mundial Júnior
e mais um Sul-americano.
As conquistas o credenciaram a candidato à medalha nos Jogos
Pan-Americanos de 1995, em Mar Del Plata. E Henrique cumpriu
as expectativas, chegando ao primeiro dos bronzes que marcariam
sua carreira. No mesmo ano, veio o tricampeonato Sul-americano
e a pressão por vôos mais altos. A comprovação já tinha local
marcado: as Olimpíadas de Atlanta.
Até então, Henrique Guimarães não se dedicava exclusivamente
ao judô. Depois de começar e largar o curso de Administração
de Empresas em nome do esporte, o judoca trabalhava como auxiliar
da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Enquanto ansiava
com a promoção para se tornar operador, conquistava o seu
quarto Sul-americano, às vésperas dos Jogos nos Estados Unidos.
A escassez de tempo para treinar não deixou a ele outra opção
a não ser se desligar da Bovespa.
Felizmente, os tatames norte-americanos lhe reservaram o
título de grata surpresa. A seqüência de quatro vitórias na
competição foi quebrada com a derrota para o húngaro Jozsef
Csak. O triunfo sobre o belga Philip Laats, contudo, garantiu
o bronze e a oportunidade de se dedicar apenas ao judô.
Curiosamente, a prioridade ao esporte fez com que sua carreira
declinasse. Grande esperança de ouro nas Olimpíadas de 2000,
em Sydney, o brasileiro emendou mais um Sul-americano em 1997
e o vice-campeonato mundial por equipes em 1998. Uma cirurgia
no joelho, entretanto, o tirou de combate por sete meses.
Mesmo assim, seu nome ainda estava entre os favoritos da
categoria. Antes dos Jogos na Austrália, ainda arrebatou o
Pan-americano de Judô, em 1999, e o seu sexto e último Sul-americano,
já em 2000. Nos tatames de Sydney, no entanto, ficou com o
sétimo lugar ao ser eliminado na segunda luta da repescagem.
A retomada ocorreu três anos depois. Aos 31 anos, Henrique
Guimarães celebrava em 2003 uma de suas temporadas mais vitoriosas,
com o bicampeonato pan-americano e mais dois bronzes para
a sua galeria: o do Pan de Santo Domingo e do Mundial do Japão
(único dos grandes torneios no qual não tinha medalha). Seguiu
para as Olimpíadas de Atenas, em 2004, admitindo que seriam
seus últimos Jogos. Fechou sua caminhada com uma derrota na
segunda luta.
Os problemas de contusão se tornaram mais constantes, e
restou a Henrique Guimarães decretar uma precoce aposentadoria
aos 33 anos. Desde então, dedica-se à nova geração de judocas,
trabalhando como técnico da seleção brasileira de base, no
Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) e no projeto
social Você Quer, Você Pode, em Heliópolis, em São Paulo.
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