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Atualização: 21/12/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . JADEL GREGÓRIO

A quarta dinastia do império triplista

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Nome: Jadel Gregório
Data nascimento: 16 de setembro de 1980
Local: Jandaia do Sul (PR)
Residência: Gateshead, Inglaterra
Principais conquistas:
. Recorde sul-americano no salto triplo (17,90m)
. Prata no salto triplo no Campeonato Mundial de Osaka-2007
. Prata salto triplo Mundial Indoor Budapeste 2004
. Ouro no salto triplo nos Jogos Pan-americanos do Rio-2007 e prata em Santo Domingo-2003
. Ouro no salto triplo do Troféu Brasil Caixa 2004 São Paulo
. Ouro salto em distância do Troféu Brasil Caixa 2004 São Paulo
. Recorde Sul-americano Indoor

Na história, todos os grandes impérios chegaram ao fim, mas alguns duraram significativo tempo ou deixaram marcas nos países que hoje carregam suas culturas. Como na história, o Brasil consolidou um império poderoso e respeitado em muitos esportes, mas, em uma modalidade em si, alcançou um patamar invejável: o salto triplo.

Com seis medalhas olímpicas e três representantes dignos de aplausos, o Brasil leva para as Olimpíadas de Atenas a quarta geração da prova, representada por Jadel Gregório. Depois de Adhemar Ferreira da Silva, ouro em Helsinque-1952 e Melbourne-1956, Nelson Prudêncio, prata na Cidade do México-1968 e bronze em Munique-1972, e João do Pulo, bronze em Montreal-1976 e Moscou-1980, o paranaense de Jandaia do Sul está escrevendo um novo e rico capítulo da modalidade no Brasil.

Ainda jovem, o atleta passou a morar em Marília, no interior de São Paulo. Ao final da adolescência, mudou-se para São Paulo e passou a treinar no Ibirapuera. Foi descoberto pelos técnicos Tânia e Nélio Moura, que o tiraram do salto em altura e fizeram Jadel se dedicar aos saltos triplo e em distância. Foi no primeiro deles que ele mostrou ser um especialista.

Logo nas primeiras provas, ele demonstrou ter acertado na escolha. Apesar de alguns percalços na trajetória. Aos 20 anos, já um dos principais nomes da equipe brasileira de atletismo, tentou classificação para os Jogos Olímpicos de Sydney-00, mas sofreu uma contusão no joelho e não pode participar.

Quatro anos depois, ele chegou a Atenas com o segundo melhor salto da temporada (17,72m) e na condição de vice-campeão mundial indoor da prova. O discurso era confiante: dúvida só quanto à cor da medalha. Mas na hora, simplesmente não conseguiu fazer o que faz de melhor e terminou na modesta quinta colocação.

Mais maduro, sua preparação para os Jogos de Pequim tem sido marcada pelo comedimento nas declarações. Apesar de ter experimentado uma de suas melhores campanhas em 2007, com direito a quebra de recorde com 32 anos de existência.

O feito foi obtido em maio, durante a disputa do GP Brasil, em Belém (PA). Jadel saltou 17,90m, melhorando o recorde sul-americano da prova que pertencia a João do Pulo desde 1975. Em julho, ele foi mais uma vez campeão, desta vez dos Jogos Pan-americanos do Rio..

Sem grandes adversários, bastou a marca de 17,27m para garantir o ouro na competição. Seu desempenho encerrou um jejum nacional de títulos na prova que perdurava desde a edição de San Juan-79, com o mesmo João do Pulo.

Motivado por estes desempenhos, o paranaense arrumou a mala para o principal desafio do ano: o Campeonato Mundial em Osaka, no mês de agosto. A situação não poderia estar mais favorável para o brasileiro.

Campeão mundial e olímpico, o sueco Christian Olsson estava lesionado e não iria competir. Foi quando as coisas começaram a dar errado. Em um dia sem muita inspiração, Jadel só conseguiu saltar 17,59m e acabou surpreendido pelo português Nélson Évora, que marcou 17,74m e ficou com o ouro.

Restou ao brasileiro o consolo de fechar o ano com o melhor salto da temporada, justamente o que lhe rendeu o recorde sul-americano.

Das pizza e esfihas a recorde continental e pódio no Mundial: Jadel Gregório não seguia o estereótipo do atleta ideal: gostava de baladas e tinha sérios problemas para manter a forma física. Como morava sozinho exagerava em algumas refeições e acabava abusando de pizzas e esfihas.

Mas sua vida deu uma guinada radical quando conheceu a fisioterapeuta. Samara Abdul Ghani, que assina hoje também Gregório e é sua mulher. Com ela, o triplista tem dois filhos: Jade e Sahara e trocou a vida e os treinos em São Paulo pela cidade inglesa de Gateshead.

Com 2,02m, o peso ideal do atleta é 101kg, mas ele dificilmente sai da casa dos 103kg, o que, segundo o próprio triplista, pode fazer a diferença em uma prova. Entretanto, esse problema não foi suficientemente relevante para tirar dele algumas das melhores marcas do mundo a partir de 2003, ano que mudou a carreira do atleta. Em janeiro, ele era o sétimo melhor do mundo, mas chegou a dezembro como o segundo nome da prova, atrás apenas do sueco Christian Olsson.

Um de seus melhores resultados foi observado nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, quando foi vice-campeão atrás apenas do norte-americano Kenta Bell. Com 22 anos, ele ainda tinha muito a evoluir. E provou isso em 2004. O atleta melhorou suas marcas significativamente e bateu várias vezes seu recorde pessoal. No Troféu Brasil, no início de junho, depois de ser vice-campeão mundial indoor, ele saltou 17,72m no estádio Ícaro de Castro Mello, que o deixou até pouco antes das Olimpíadas com a melhor performance do mundo no ano.

"Estou trabalhando muito forte e acredito que posso brigar por uma medalha de ouro em Atenas. Quero fechar a temporada que vem no primeiro lugar do ranking da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo)", contou. Mais tarde ele chegou a dizer que "pódio é certeza".

Pela marca obtida no Troféu Brasil, o atleta recebeu um quilo de ouro de seu patrocinador e mais meio quilo por causa do vice-mundial indoor, totalizando uma premiação de quase R$ 58 mil.

Ambicioso, Gregório embarcou para Atenas com a certeza que subiria ao pódio: ficou em quinto e sua vida começou a mudar novamente. Em março de 2005, seis meses após o início do namoro com Samara, Jadel casou com a fisioterapeuta de família muçulmana sunita.

Convertido ao islamismo, o triplista seguiu o exemplo do boxeador Cassius Marcellus Clay Jr., que mudou o nome para Muhammad Ali. Jadel tirou o L final do prenome e tornou-se Jade Abdul Ghani Gregório na carteira de identidade e no passaporte. A denominação antiga, porém, foi mantida para as competições.

Logo após o Mundial em Helsinque, no qual terminou em sexto lugar, trocou as preparações no Brasil para treinar na Inglaterra com Peter Stanley, ex-técnico do recordista mundial John Edwards. O primeiro filho, que leva o nome muçulmano do pai, nasceu no ano seguinte. A caçula Sahara nasceu em junho.

 

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