| A quarta dinastia do império
triplista
| Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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| Nome: Jadel Gregório
Data nascimento: 16 de setembro de 1980
Local: Jandaia do Sul (PR)
Residência: Gateshead, Inglaterra
Principais conquistas:
. Recorde sul-americano no salto triplo
(17,90m)
. Prata no salto triplo no Campeonato
Mundial de Osaka-2007
. Prata salto triplo Mundial Indoor
Budapeste 2004
. Ouro no salto triplo nos Jogos Pan-americanos
do Rio-2007 e prata em Santo Domingo-2003
. Ouro no salto
triplo do Troféu Brasil Caixa 2004 São Paulo
.
Ouro salto em distância do Troféu Brasil Caixa
2004 São Paulo
. Recorde Sul-americano Indoor
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Na história, todos os grandes impérios chegaram ao fim, mas
alguns duraram significativo tempo ou deixaram marcas nos
países que hoje carregam suas culturas. Como na história,
o Brasil consolidou um império poderoso e respeitado em muitos
esportes, mas, em uma modalidade em si, alcançou um patamar
invejável: o salto triplo.
Com seis medalhas olímpicas e três representantes dignos
de aplausos, o Brasil leva para as Olimpíadas de Atenas a
quarta geração da prova, representada por Jadel Gregório.
Depois de Adhemar Ferreira da Silva, ouro em Helsinque-1952
e Melbourne-1956, Nelson Prudêncio, prata na Cidade do México-1968
e bronze em Munique-1972, e João do Pulo, bronze em Montreal-1976
e Moscou-1980, o paranaense de Jandaia do Sul está escrevendo
um novo e rico capítulo da modalidade no Brasil.
Ainda jovem, o atleta passou a morar em Marília, no interior
de São Paulo. Ao final da adolescência, mudou-se para São
Paulo e passou a treinar no Ibirapuera. Foi descoberto pelos
técnicos Tânia e Nélio Moura, que o tiraram do salto em altura
e fizeram Jadel se dedicar aos saltos triplo e em distância.
Foi no primeiro deles que ele mostrou ser um especialista.
Logo nas primeiras provas, ele demonstrou ter acertado na
escolha. Apesar de alguns percalços na trajetória.
Aos 20 anos, já um dos principais nomes da equipe brasileira
de atletismo, tentou classificação para os Jogos Olímpicos
de Sydney-00, mas sofreu uma contusão no joelho e não
pode participar.
Quatro anos depois, ele chegou a Atenas com o segundo melhor
salto da temporada (17,72m) e na condição de
vice-campeão mundial indoor da prova. O discurso era
confiante: dúvida só quanto à cor da
medalha. Mas na hora, simplesmente não conseguiu fazer
o que faz de melhor e terminou na modesta quinta colocação.
Mais maduro, sua preparação para os Jogos de
Pequim tem sido marcada pelo comedimento nas declarações.
Apesar de ter experimentado uma de suas melhores campanhas
em 2007, com direito a quebra de recorde com 32 anos de existência.
O feito foi obtido em maio, durante a disputa do GP Brasil,
em Belém (PA). Jadel saltou 17,90m, melhorando o recorde
sul-americano da prova que pertencia a João do Pulo
desde 1975. Em julho, ele foi mais uma vez campeão,
desta vez dos Jogos Pan-americanos do Rio..
Sem grandes adversários, bastou a marca de 17,27m
para garantir o ouro na competição. Seu desempenho
encerrou um jejum nacional de títulos na prova que
perdurava desde a edição de San Juan-79, com
o mesmo João do Pulo.
Motivado por estes desempenhos, o paranaense arrumou a mala
para o principal desafio do ano: o Campeonato Mundial em Osaka,
no mês de agosto. A situação não
poderia estar mais favorável para o brasileiro.
Campeão mundial e olímpico, o sueco Christian
Olsson estava lesionado e não iria competir. Foi quando
as coisas começaram a dar errado. Em um dia sem muita
inspiração, Jadel só conseguiu saltar
17,59m e acabou surpreendido pelo português Nélson
Évora, que marcou 17,74m e ficou com o ouro.
Restou ao brasileiro o consolo de fechar o ano com o melhor
salto da temporada, justamente o que lhe rendeu o recorde
sul-americano.
Das pizza e esfihas a recorde continental e pódio
no Mundial: Jadel Gregório não seguia o estereótipo
do atleta ideal: gostava de baladas e tinha sérios problemas
para manter a forma física. Como morava sozinho exagerava
em algumas refeições e acabava abusando de pizzas e esfihas.
Mas sua vida deu uma guinada radical quando conheceu a fisioterapeuta.
Samara Abdul Ghani, que assina hoje também Gregório
e é sua mulher. Com ela, o triplista tem dois filhos:
Jade e Sahara e trocou a vida e os treinos em São Paulo
pela cidade inglesa de Gateshead.
Com 2,02m, o peso ideal do atleta é 101kg, mas ele dificilmente
sai da casa dos 103kg, o que, segundo o próprio triplista,
pode fazer a diferença em uma prova. Entretanto, esse problema
não foi suficientemente relevante para tirar dele algumas
das melhores marcas do mundo a partir de 2003, ano que mudou
a carreira do atleta. Em janeiro, ele era o sétimo melhor
do mundo, mas chegou a dezembro como o segundo nome da prova,
atrás apenas do sueco Christian Olsson.
Um de seus melhores resultados foi observado nos Jogos Pan-americanos
de Santo Domingo, quando foi vice-campeão atrás apenas do
norte-americano Kenta Bell. Com 22 anos, ele ainda tinha muito
a evoluir. E provou isso em 2004. O atleta melhorou suas marcas
significativamente e bateu várias vezes seu recorde pessoal.
No Troféu Brasil, no início de junho, depois de ser vice-campeão
mundial indoor, ele saltou 17,72m no estádio Ícaro de Castro
Mello, que o deixou até pouco antes das Olimpíadas com a melhor
performance do mundo no ano.
"Estou trabalhando muito forte e acredito que posso brigar
por uma medalha de ouro em Atenas. Quero fechar a temporada
que vem no primeiro lugar do ranking da IAAF (Associação Internacional
das Federações de Atletismo)", contou. Mais tarde ele chegou
a dizer que "pódio é certeza".
Pela marca obtida no Troféu Brasil, o atleta recebeu um quilo
de ouro de seu patrocinador e mais meio quilo por causa do
vice-mundial indoor, totalizando uma premiação de quase R$
58 mil.
Ambicioso, Gregório embarcou para Atenas com a certeza que
subiria ao pódio: ficou em quinto e sua vida começou
a mudar novamente. Em março de 2005, seis meses após
o início do namoro com Samara, Jadel casou com a fisioterapeuta
de família muçulmana sunita.
Convertido ao islamismo, o triplista seguiu o exemplo do
boxeador Cassius Marcellus Clay Jr., que mudou o nome para
Muhammad Ali. Jadel tirou o L final do prenome e tornou-se
Jade Abdul Ghani Gregório na carteira de identidade
e no passaporte. A denominação antiga, porém,
foi mantida para as competições.
Logo após o Mundial em Helsinque, no qual terminou
em sexto lugar, trocou as preparações no Brasil
para treinar na Inglaterra com Peter Stanley, ex-técnico
do recordista mundial John Edwards. O primeiro filho, que
leva o nome muçulmano do pai, nasceu no ano seguinte.
A caçula Sahara nasceu em junho.
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