A princesinha do Pan
| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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Nome: Luisa Parente Ribeiro
de Carvalho
Data de Nascimento: 1º/02/1973
Local: Rio de Janeiro
Formação: Educação Física (1995) e
Direito (1997)
Especialidade: Salto e barra
Principais resultados:
- Sete vezes campeã brasileira individual
geral adulto desde 1984;
- Campeã Sul-americana Adulta (1989);
- Prata no salto nos Jogos Universitários Mundiais,
em 1993;
- Primeira brasileira a chegar a uma final olímpica
de ginástica (Seul/88);
- Medalha de bronze nas barras dos Jogos Pan-americanos
de 1987, em Indianápolis (EUA);
- Ouro no salto e nas barras dos Jogos Pan-americanos
de 1991, em Havana (Cuba).
Participações olímpicas: Seul/88 e
Barcelona/92
Site: www.luisaparente.com.br |
Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Ídolos do esporte brasileiro, Daiane dos Santos e Diego
Hypólito tem muito a agradecer a ela. Campeões mundiais
de ginástica, os dois talvez não tivessem o apoio necessário
para mostrar seu talento, caso anos antes Luisa Parente
não trouxesse os holofotes para a modalidade, até então
pouco divulgada no Brasil.
Primeira atleta nacional a disputar uma final olímpica,
feito alcançado em Seul-1988, Luisa possui uma carreira
respeitável, com sete títulos nacionais e três medalhas
nos Jogos Pan-americanos: um bronze em Indianápolis-1987
e dois ouros em Havana-1991, marca ainda não batida
por uma atleta nacional. Sua história está tão intimamente
ligada à competição, que foi um Pan a disputa escolhida
por ela para se aposentar, aos 22 anos: os Jogos de
Mar del Plata, em 1995.
“O Pan não é apenas um evento internacional, mas sim
uma prévia olímpica. Tem todo aquele ambiente de competição,
uma vila de atletas...”, comenta a “Pequena notável”,
relembrando as suas participações. “A confraternização
dos desfiles de abertura e a emoção depois que eu ganhei
as medalhas me marcaram. Houve uma repercussão muito
boa dos meus resultados”, afirma.
Como boa parte dos atletas de alto nível, Luisa começou
bem cedo no esporte, aos seis anos de idade. E seguindo
a exigência da ginástica ela logo estava competindo
em disputas de alto desempenho. Sua participação em
Indianápolis, por exemplo, se deu quando ela tinha 14
anos. “Era a mascote do pessoal, não só pela idade,
mas pela altura também”, comenta. A paixão pela modalidade
veio através dos irmãos, que treinavam no Flamengo e,
para sorte do esporte nacional, acabaram levando-a também.
“No começo tem a timidez de se apresentar, que é uma
coisa natural. Mas quem está envolvido gosta do que
faz e leva tudo numa boa”, explica a ginasta, que também
ganhou o apelido de “Ferinha Neném”. “Parei porque estava
saturada e também sofria com a falta de apoio. Naquela
época a ginástica não tinha o investimento de hoje.
Lembro que para participar da Universíade (Olimpíadas
Universitárias) tive que vender meu carro”, conta.
Formada em Educação Física e em Direito, duas profissões
que pratica até hoje, Luisa atualmente é comentarista
da TV Bandeirantes, além de exercer a função de coordenadora
esportiva do Grupo Luisa Parente Imagynação, que promove
a iniciação à ginástica. “Dou aulas supervisionando
grupos, mas não procuramos muito a competitividade.
É claro que estamos sempre atrás de talentos, mas o
espírito é mais democrático mesmo”, afirma.
Com a experiência de já ter trabalhado no Ministério
do Esporte, a ex-atleta pretende nos próximos anos exercer
uma função ligada ao alto desempenho. “Desde que me
formei, em 1995, descartei esta possibilidade, mas hoje
estou mudando de idéia. Agora eu tenho mais condições
de me dedicar a isso, já estou com meus filhos maiores.
Como técnica neste nível você tem que voltar a viver
em um ginásio, coisa que eu fiz por 16 anos na minha
vida”, explica.
Sobre a disputa do Rio de Janeiro em 2007, a atleta
está otimista. “Vai ser muito especial para cada atleta
brasileiro competir em casa. Nos outros Pans que eu
participei pude imaginar como é ter a torcida ao nosso
lado. O Brasil dá muito valor a esta competição”, acredita
a atleta, que aponta os Estados Unidos como nosso maior
rival.
“Os resultados conquistados pelo Brasil são expressivos,
mas ainda temos muito a crescer. Hoje o sistema proporciona
um avanço da idade em que a ginasta atinge o auge. Na
minha época isso acontecia aos 15 anos, mas atualmente
a gente pode ver a Daiane bem com mais de 20. A Laís
Souza, de 17, que vai viver seu grande momento no Pan
e em Pequim”, acredita.
Modesta, Luisa analisa a sua importância para a ginástica
brasileira. “Realmente em 1988 a mídia estava muito
voltada para mim e ajudou a divulgar. De alguma maneira
representei uma evolução conforme a ginástica mundial,
mas não fui só eu. A modalidade já tinha uma história
no Brasil com a Cláudia Magalhães”, aponta.
Do alto de sua experiência, ela só pede que os investimentos
na ginástica não parem. “Não podemos ficar só na lembrança
dos bons resultados. A Confederação Brasileira tem que
capitalizar os resultados e se voltar para a capacitação
técnica, fazendo maiores investimentos setoriais”, finaliza.
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