| Maria Lenk, pioneira
das piscinas
| Foto: Acervo/Gazet
Press |
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| Nome: Maria Emma Hulda Lenk-Zigler
Data de nascimento: 15 de janeiro de
1915
Local: São Paulo, SP
Data de morte: 16/04/2007, no Rio de
Janeiro (RJ)
Recordes mundiais
- 200m peito: 2min56s90 – 08/11/1939
- 400m peito: 6min15s08 – 11/10/1939 Categoria Masters:
- 50m peito: 1min08s39 (piscina curta) - 08/04/2000
- 50m peito: 1min07s88 (piscina longa) - 29/04/2000
- 100m medley: 2min22s10 (piscina curta) - 24/03/2000
- 100m peito: 2min29s90 (piscina curta) - 09/04/2000
- 200m costas: 4min41s34 (piscina curta) - 18/03/2000
- 200m medley: 5min09s92 (piscina curta) - 26/03/2000
- 200m peito: 5min39s33 (piscina curta) - 04/11/2000
Principais conquistas:
- Ouro nos 200m peito no Sul-Americano do Rio de Janeiro-35
- Ouro nos 400m livre no Sul-Americano do Rio de Janeiro-35
- Ouro nos 100m costa no Sul-Americano do Rio de Janeiro-35
- Hall da Fama da Fina (Top Ten na categorias masters)
Participações olímpicas: Los Angeles-32
e Berlim-36 |
Pioneira. Esta é a melhor definição para a nadadora Maria
Lenk. Com a carreira toda formada nos tempos de amadorismo
da categoria no País, ela dedicou quase todos os seus 92 anos
de vida às piscinas. E quem ganhou foi o Brasil e o mundo,
já que a paulistana introduziu o nado borboleta nas competições
femininas em Olimpíadas, além de entrar para a história ao
se tornar a primeira latino-americana a disputar os Jogos.
Para completar, ainda foi uma das líderes e maiores vencedoras
da categoria master na natação mundial.
A caminhada de Maria Lenk dentro da água começou por problemas
respiratórios. Filha de Paul Lenk, campeão alemão de ginástica
olímpica, a menina sofreu de pneumonia dupla e aos dez anos
de idade passou a praticar o nado, segurada pelo pai no rio
Tietê, que em 1925 ainda não era dominado pela poluição. A
opção também era a única possível, já que ainda não existiam
piscinas de 25 metros em São Paulo.
Superando o preconceito em relação a mulheres esportistas,
a nadadora chegou a seu primeiro clube em 1928, quando entrou
na Associação Atlética São Paulo. Dois anos depois, seguiu
para o Clube de Regatas Tietê, onde logo se destacou nas principais
competições. O resultado foi a surpreendente convocação para
as Olimpíadas de 1932, em Los Angeles, quando tinha 17 anos
– era a caçula da delegação.
A chegada aos Estados Unidos, contudo, não foi nada tranqüila.
Os 84 atletas que deixaram o Brasil rumo à Vila Olímpica contavam
com 55 mil sacas de café para custear a participação nos Jogos.
Com o fracasso das vendas, a alternativa foi pedir ajuda aos
outros tripulantes do barco. Apenas 24 dos esportistas que
embarcaram puderam estar nas Olimpíadas, entre eles Maria
Lenk.
Com a oportunidade, a nadadora se tornou a primeira mulher
da América Latina nos Jogos. Lenk disputou as provas dos 100m
livre, 100m costas e 200m peito. Chegou às semifinais deste
último, que era sua especialidade, ficando com o oitavo lugar.
Na volta para casa, foi impedida de entrar em São Paulo,
foco da Revolução Constitucionalista, e se fixou no Rio de
Janeiro, onde morou até o fim da vida. E foi na cidade que
seus feitos continentais ganharam ainda maior repercussão.
No Sul-americano de 1935, sediado no clube que defendia, o
Clube de Regatas Guanabara, a nadadora chegou ao primeiro
lugar nos 400m livre, nos 100m costa e nos 200m peito.
As conquistas, somadas ao título brasileiro, a fizeram uma
das esperanças de medalha nas Olimpíadas de 1936, em Berlim.
E Maria Lenk já preparava mais um de seus pioneirismos. Aproveitando-se
da falta de regras para o nado peito, a paulistana passou
a movimentar os braços e as pernas da maneira que hoje é conhecida
como borboleta. Na Alemanha, Lenk seria, ao lado do norte-americano
John Higgins, a única a nadar desta maneira – a regulamentação
do nado em Olimpíadas ocorreu apenas em 1956.
O ouro olímpico era visto como certo, até porque Maria Lenk
já havia batido um recorde mundial que só não foi homologado
pela Federação Internacional de Natação (Fina) porque a Confederação
Brasileira de Desportos (CBD) não reconheceu a marca concedida
pela Federação Brasileira de Natação (FBN). A falta de profissionalismo
do esporte no Brasil, porém, atrapalhou a ainda inédita conquista
de Lenk.
A viagem para a Alemanha levava um mês, e a alternativa
para manter o condicionamento físico foi treinar em um tanque
improvisado no convés do navio. Na água, as atividades só
aconteciam com a atleta segurada pelos companheiros de viagem
ou por cabos. Por isso, chegou a Berlim com problemas musculares
e foi eliminada nas semifinais dos 200m peito.
Curiosamente, a decepção nas piscinas alemãs precedeu o
período de maiores conquistas em toda carreira. Em 1939, no
Rio de Janeiro, Maria Lenk bateu os recordes mundiais dos
200m e 400m peito e se tornou a primeira e única sul-americana
a bater uma marca. A expectativa pelo ouro em 1940, nas Olimpíadas
de Sapporo, no Japão, era ainda maior. Contudo, o cancelamento
dos Jogos devido à Segunda Guerra Mundial tirou da paulistana
essa chance. Como as Olimpíadas de 1944 também não ocorreram,
a disputa em Berlim foi a sua última participação olímpica.
A ausência nas piscinas, no entanto, não tirou Maria Lenk
do esporte. Em 1936, antes dos Jogos Olímpicos, a nadadora
ganhou diploma em Educação Física na Universidade do Brasil
(hoje UFRJ) na primeira turma feminina formada no País. Após
os Jogos, permaneceu na Alemanha para fazer um curso especial
na Academia de Educação Física do Reich.
Em 1942, beneficiou-se de um acordo entre Brasil e EUA e
foi a única mulher brasileira a ser mandada para as terras
norte-americanas para competir ao lado de atletas locais.
Aproveitou para integrar outro curso no Springfield College,
de Massachussets, maior instituição de educação física daquele
país.
Voltou à sua terra natal com larga experiência acadêmica,
e iniciou carreira na Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), ocupando os postos de professora catedrática e diretora.
Depois de 32 anos, deixou a Universidade com a condecoração
de professora emérita, até então inédita entre professoras
de Educação Física.
Ainda no campo administrativo, foi a primeira mulher a integrar
o Conselho Nacional de Desportos (CND), cargo em que se destacou
por defender melhores condições ao esporte feminino. Em 1985,
também foi indicada pelo então Ministro da Educação, Marco
Maciel, para ser interventora da Confederação Brasileira de
Natação (CBN), com a responsabilidade de resolver a crise
pela qual a instituição passava na época.
Também chamou atenção fora das piscinas ao participar no
final da década de 70 de um movimento de nadadores acima de
25 anos que resultou na criação da categoria master – a primeira
competição ocorreu em 1982, na Nova Zelândia, com Maria Lenk
sendo a única representante brasileira. Em 1984, foi a vez
de introduzir a nova categoria no Brasil, sendo uma das fundadoras
da Associação Brasileira Master de Natação (ABMN). Alternava
as disputas com a publicação de livros e teses voltadas ao
esporte.
O retorno às competições nos anos 80 foi marcado por mais
de 35 títulos e sete recordes mundiais. Repetia que “nadaria
até o corpo agüentar”. E foi o que aconteceu. Em 16 de abril
de 2007, Maria Lenk faleceu após um mal súbito durante treino
no Flamengo. A brilhante vida, porém, não passou em branco,
já que a Prefeitura do Rio de Janeiro publicou decreto para
dar o seu nome ao Complexo Aquático que sediou as competições
dos Jogos Pan-americanos de 2007.
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