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Mark Spitz entra para a história na Olimpíada de Munique

Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press

Por Fernando Narazaki

O nadador norte-americano Mark Spitz despertou ódio e inveja em seus competidores, mas conseguiu uma marca, até hoje, inigualável na história do esporte. Em 1972, ele arrebatou, nada menos, que sete medalhas de ouro na natação nas Olimpíadas de Munique. Foi o rei da natação na década de 70 e escolhido um dos melhores do século 20 pela Federação Internacional de Natação (Fina).

Nada mais justo para o norte-americano, que ainda ganhou mais dois ouros nas Olimpíadas da Cidade do México/1968, colecionou 32 recordes mundiais em sua carreira e saiu das piscinas como exemplo de atleta vencedor para a população de seu país.

A carreira de Spitz teve a participação direta de seu pai, Arnold Spitz, que incentivou o filho a começar a nadar com apenas dois anos de idade, no Havaí. Nascido na cidade de Modesto, no estado da Califórnia, o jovem franzino despontou para o cenário internacional em 1960, quando quebrou 17 recordes nacionais e um mundial da categoria até 10 anos.

Quatro anos depois, Arnold resolveu levar o filho para a Academia Santa Clara, uma das mais reputadas nos EUA, onde o nadador teve a chance de ter aulas com George Haines, um dos mais respeitados técnicos. Spitz enfrentou problemas e foi dispensado da academia, pouco tempo depois, mas não teve a carreira influenciada.

Em 1967, o atleta calou seus críticos e saiu com cinco medalhas de ouro dos Jogos Pan-americanos, realizados em Winnipeg. A conquista encheu de confiança o norte-americano, que prometeu a todos ganhar seis ouros nas Olimpíadas da Cidade do México, em 1968. Entretanto, o sonho tornou-se um verdadeiro pesadelo para Spitz.

As declarações garantiram a imagem de arrogante e convencido para o nadador. Na piscina, ele não correspondeu, ganhou ‘apenas’ dois ouros (revezamentos 4x100m e 4x200m livre) e amargou a prata nos 100m borboleta e o bronze nos 100m livre. "Quase encerrei minha carreira depois disso. Tive de ser muito forte para vencer todos que me criticaram", disse Spitz, recentemente.

Decepcionado, o norte-americano assimilou o golpe e concentrou-se nos treinos. Deixou a Universidade de Indiana e resolveu treinar com o técnico Doc Counsilman, na Cidade do México. A mudança incluiu ainda a volta ao estudo, em que começou a cursar Odontologia, e o aumento na carga dos treinos na piscina.

O resultado não poderia ser melhor: quebrou vários recordes mundiais e ganhou o título de melhor do mundo em 1969, 1971 e 1972. Chegou com tudo aos Jogos Olímpicos, disposto a comprovar o que havia prometido há quatro anos, mas desta vez, calou-se e esperou as conquistas.

Na primeira prova, a história começou a ser escrita. Triunfo nos 200m borboleta e novo recorde mundial, com 2m00s70, para o norte-americano. Braços erguidos e uma vibração empolgante do nadador. Horas depois, Spitz papou o segundo ouro, com o revezamento 4x100m livre.

Nos dias seguintes, mais cinco ouros e mais recordes mundiais nos 100m e 200m livre, 100m borboleta e nos revezamentos 4x200m e 4x100m medley. Pronto, a história estava feita, sete provas, sete ouros, 100% de aproveitamento e o nome da história como o maior vencedor de uma Olimpíada.

Tragédia - Quando tudo era festa, Spitz viveu o maior drama de sua vida. Em 5 de setembro de 1972, dia em que o nadador ganhou a sua sétima e última medalha de ouro, um grupo de terroristas palestinos invadiu a Vila Olímpica, matou um atleta e um técnico israelense e levou nove reféns. Na manhã seguinte, o norte-americano pediu a escolta de seguranças e deixou a Vila, com medo de represálias dos terroristas, já que era judeu.

Saiu de Munique em 6 de setembro, bem antes da cerimônia de encerramento. "Para mim, as Olimpíadas acabaram ali. Foi muito triste e trágico o que aconteceu. Não gosto nem de lembrar", disse, posteriormente, o campeão. O seqüestro terminaria em tragédia, dias depois, com a morte dos nove reféns, cinco sequestradores, um atirador de elite e um piloto de helicóptero. A data será para sempre lembrada como 'Setembro Negro'.

Vida de astro - Após os sete ouros, ele decidiu abandonar a natação e se dedicou ao cinema, em que teve uma fracassada passagem em seriados e filmes.

Em 1989, Spitz tentou retornar às competições. O nadador chegou a disputar uma vaga na seletiva norte-americana para as Olimpíadas de Barcelona, mas fracassou. Ficou dois segundos acima do tempo exigido nos 100m livre. Estava encerrada a carreira de um dos melhores nadadores da história.

Publicação: 18/11/2002
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